Hoje, agora, nesse instante... presente!

22.08.2018

       É isso que existe, que é real e pode ser verdadeiro e intenso!

No começo do ano, a esposa de um colega de trabalho faleceu! Teoricamente saudável, ela dormiu e não acordou! Quase da minha idade, com filhos da idade dos meus mais velhos. Casamos no mesmo dia! Nessas horas, como não pensar... Poderia ter sido eu! Poderia? Pode! Pode ser cada um de nós, daqui um minuto, daqui 80 anos... como saber? Depois que fiquei sabendo dessa notícia, passei a beijar ainda com mais amor cada um dos meus filhos antes de dormir! Poderia ser a última vez que vivenciaríamos isso!

      O tempo foi passando, fui me perdendo na rotina, no cansaço, na desatenção... Sim, eles continuam ganhando o beijo antes de dormir, mas nem sempre com a mesma intensidade! Vez ou outra, chego do trabalho cansada, eles já dormem... adeus beijo!

      Tempo passa, uma aluna justifica a ausência em uma avaliação por conta de um acidente com uma amiga. Ela sobrevive, mas a filha de 6 meses não! Por um tempo, todos os dias, antes dos meus filhos saírem para a escola, passo a beijar cada um e dizer que eu os amo como se nunca mais fossemos nos encontrar... O tempo passa, e dia ou outro, quando percebo, eles já estão no elevador, sem beijo, sem eu expressar meu amor por eles!

       Essa semana “perdi” um aluno (essa foto significativa aqui, é do face dele!)... Jovem, bonito, amigo de todo mundo! Uma tristeza sem fim... Descobriu que estava doente e muito rapidamente se foi! Semestre passado estava com a gente, sua turma se forma essa semana! Fico pensando: quantas coisas planejadas foram deixadas para trás?! Formatura, viagens, família, sorrisos, casamento, amor...

      O fato é que vez ou outra, a vida reverte o que pensamos ser a “ordem natural das coisas” e nos dá esse recado, dolorido: “ o tempo é curto, e a morte é certa”! Não, nenhum tempo parece ser  suficientemente grande... Mesmo que sejam muitos, muitos anos! Há tanta coisa para ser vivida! Penso: provavelmente não verei o casamento dos meus netos... Não verei a carinha orgulhosa de um filho meu se tornando avô! O problema é que quando a gente pensa, pensa assim... Que UM DIA não estaremos aqui! E ainda sim, com resistência, afinal: pra quê pensar sobre isso? Afinal, refletir sobre essa questão escancara a nossa falta de controle, a fragilidade da nossa existência... Então... pra quê? Pra quê pensar sobre isso?

      Enquanto escrevo aqui, os minutos passam... A cada minuto, um minuto a menos! Como não pensar: o que vale mesmo a pena nessa vida? Quanto do meu precioso tempo estou gastando com coisas sem importância? O quão intensamente eu tenho vivido e me relacionado?

      Hoje meus filhos foram pra escola sem beijo... Já dentro do elevador, deu tempo de beijar só o marido e dizer a todos que eu os amo! E eu fico aqui pensando, enquanto escrevo: é preciso fazer, é preciso viver isso todos os dias! Intensamente! Talvez assim, somente assim, a nossa insignificante existência faça sentido!...

Bruno, fica aqui minha homenagem, minhas orações a você e sua família... e a gratidão por me lembrar o quão breve, mas significativa, pode ser essa existência! Toda a mobilização que você promoveu também nos mostra isso! 

 

 

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