vidAMORte

27.02.2018

Hoje era para ser um dos dias mais tristes da minha vida, afinal, hoje enterramos meu pai... me tornei oficialmente órfã...

Talvez ainda esteja descompensada por tudo que vivemos nesses últimos dias, e amanhã ou depois eu volte aqui pra dizer que estava ficando maluca... mas o sentimento de gratidão é tão, tão grande que eu poderia dizer que eu estou feliz!...

E nem é da gratidão ao meu pai por tudo que ele representa para mim, disso ainda quero falar, outro dia! 

Falo da gratidão pelas oportunidades que a vida revela para que possamos nos sentir vivos, para sentirmos que essa existência vale a pena!

A última semana foi, sem dúvida, uma das mais intensas que já passei. Mas quando olho pra trás vejo tanta bondade divina...

Depois de uma ligação, corri para o hospital e encontrei meu pai ainda com vida!

No pronto socorro, o médico não só atendeu meu pai, mas acolheu as minhas angústias.

Quando me levantei do sofá para ir embora do hospital no primeiro dia, meu pai acordou!

No segundo dia, pude estar com ele um pouco nos seus últimos momentos de lucidez!

O médico que se tornou responsável pelo caso, com o passar dos dias, passou a me orientar com um abraço acolhedor.  

E eu, que nem em pesadelo pensaria que poderia suportar a rotina dessa semana, me surpreendi com a minha coragem!

E mesmo diante de toda aquela situação, me encantei com o carinho e cuidado do outro, de tantos outros, pro meu pai...

Com o cuidado do “acompanhante-cuidador”!

A doçura da enfermeira que já nos acompanhava na luta!

As visitas dos médicos amigos!

A disponibilidade, habilidade, carinho e senso de humor da minha prima!

E pude admirar meu cunhado concluir um ciclo de acolhimento ao meu pai, ao passar as noites no hospital.

E pude sentir o amparo que eu e minha irmã podemos ter uma na outra.

E pude ter a presença de pessoas que não são originalmente da família, mas se tornaram parte dela ao longo da nossa história.

E esse tempo me permitiu muitas orações ao pé do ouvido do meu pai, e reafirmar para ele todo o meu amor e toda minha gratidão!  

E, finalmente, pude deixá-lo partir!

E meu pai pode partir em paz, tendo ao seu lado alguém da família.

E não é que aquele mesmo médico que nos acolheu na chegada, foi quem nos acolheu na saída!?

E foram muitas ofertas de orações e ajuda para ficar com os meninos... mas como tudo pode ser perfeito, minha cunhada estava aqui na cidade para me doular também nesse parto, acolhendo, cuidando e nos permitindo vivenciar todo esse processo sem maiores preocupações!

E tanta gente amiga apareceu para um abraço!

E pude reforçar meu orgulho pelo meu pai ... amigos dele que eu nem conhecia e vieram, alguns de mais longe, relatar a admiração! E essa se fez presente também na homenagem maçônica e no adeus dos companheiros de quartel. E teve bandeira. E teve toque de corneta. E teve flores. E teve reza. E teve discurso, afinal, não tinha como não honrar essa sua habilidade!

E assim, a semana que pareceu durar uma eternidade se encerra com tanta lição, com a força do aperto de mão do “seu João” ... e a certeza de que pra viver tem que sentir, e como é bom sentir, mesmo tanta "peleja" com gratidão!

 

 

 

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