Relato de amamentação de uma mãe de primeira viagem - a mãe da Helena!

01.08.2017

       Helena nasceu de cesárea... 38 semanas e quatro dias, 2.975kg!

       Nasceu ás 10h da manhã, e apesar de não ter nenhum problema foi pro quatro só por volta de 14h. Não sei explicar porque. Eu naõ tinha informação, perdemos a nossa hora de ouro...

       Durante a manhã, enquanto ela ficava no berçário e eu na sala de pós operatório, André ficou com ela... Quando chegou, a colocaram no meu peito! Ela pegou de primeira! Mas ainda não tinha leite! Ficamos assim, colocando ela pra sugar de tempos em tempos.

       Ela dormiu no berçário. Me disseram que era melhor para que eu pudesse descansar dos dias que viriam pela frente... Eu, mãe de primeira viagem, sem informação, perdi o que poderiam ser as nossas duas primeiras noites de estímulo a amamentação...

       Fomos pra casa, Helena só dormia. Tentávamos de tudo: tirávamos a roupa, tentávamos estimular de todo jeito, e nada!

       De vez em quando, no peito, ela dava uma sugadinha! E dormia de novo! Só tinha colostro, o leite não tinha descido!

      Na nossa primeira noite em casa, terceira noite de vida dela, já eram umas duas da manhã, e nada da Helena mamar... Comecei a ficar preocupada com a glicemia, desidratação, e sei lá mais o que. Me disseram que ela tinha que mamar, e ela não mamava. Marido ligou pra UTI NEONATAL para saber o que fazíamos. A médica de plantão nos mandou comprar complemento e dar no copinho! Sai marido no meio da madrugada para comprar o leite... Enquanto isso, eu, desesperada porque não queria dá-lo, socava o peito na boca dela e tentava estimular! A vontade de amamentar era tanta, e o medo de ter que dar o complemento tão grande, que o leite finalmente desceu...

        Helena foi vítima do “Nana Neném”... Eu não tinha informação, e a pouca que busquei, não foi de qualidade! Hoje me envergonho de ainda ter recomendado o livro pra outras mães... E quase me perdoo, porque foi o que eu dei conta! Cronometrava no relógio e segurava a mamada para a cada, pelo menos, duas horas e meia. Helena chorava, eu dei a chupeta!

        11 dias, nossa primeira consulta ao pediatra, e Helena não tinha nem recuperado o peso de nascida! Na verdade, estava com quase 300 gramas a menos. O pediatra nos deu mais uma semana... Tínhamos que engordar pelo menos 210 gramas para não termos que dar complemento! Chorei...Depois da cesárea a minha segunda grande frustração com a maternidade! A única coisa que eu fazia era cuidar dela, e ainda assim, não tinha conseguido sequer dar o alimento da forma suficiente que ela precisava!

          Joguei os “ensinamentos” do livro fora e dei peito dia e noite! Conseguimos engordar 190 gramas! Não complementamos, e Helena completou seu primeiro mês com apenas 215 gramas (3200g) a mais do que tinha nascido.

          Aos 45 dias começou a chorar muito depois de cada mamada! Todo mundo dizia que era fome, e eu dava mais e mais mama e ela vomitava, muito! Descobrimos um refluxo moderado! Começamos a medicação tradicional! Hoje reconheço que podem haver outros meios...Na época, termos como osteopatia, me era completamente estranhos!

          Mesmo com todo choro e vomitação, Helena engordou nada menos que 1,5 quilos no seu segundo mês!

          Aí a mãe infeliz aqui, resgatou o livro “Nana Neném” e decidiu tirar a mamada da noite da bebê! O livro dizia que podia deixar o bebê chorando por 45 minutos. Assim fizemos! Ficamos da nossa cama, quase chorando junto, enquanto Helena esgoelava no quarto dela. Quando completou os 45 minutos, André deu a chupeta, e ela dormiu, exausta! Na segunda noite ela só chorou um pouquinho, e depois não acordou mais pra mamar a noite! Hoje fico pensando: pra que tanta crueldade? 

         Seguimos, com refluxo, mas engordando bem, em amamentação exclusiva até os seis meses, quando completamos 8,3 quilos e introduzimos as frutas. Com a introdução alimentar e a falta das mamadas da noite, o estímulo para a produção de leite se tornou muito pequeno... Ao sete meses e meio, com Helena teve uma infecção de ouvido! Eu, já com pouco leite, e ela com dificuldade para sugar, não quis mais mamar! E eu chorei, de novo...

Não tive peito rachado, não tive dificuldade de pega...

Mas lamento tanto por tantas coisas!

Espero que Helena me perdoe, e compreenda que tudo foi como eu dei conta!   

E que outras mães, ao lerem, possam buscar informação de qualidade para que possam ter a sua hora de ouro, ficarem juntas com seus bebês no quarto do hospital, deixarem seus bebês mamarem em livre demanda, se questionarem sobre a necessidade da chupeta, ponderarem o quanto uma noite inteira de sono ininterrupta pode ser mais importante que acalentar e amamentar seu filho...

        E tudo foi aprendizado, para quando Apolo chegou!...

 

 

Please reload

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now