A despedida da "fase fértil"

18.07.2017

        Hoje meu mais novo pequeno ser faz 4 meses! Ah... tempo, tempo!

        Me despedir dessa “fase fértil” da vida tem sido muito difícil pra mim!

        Difícil admitir para mim mesma que não quero mais ter filhos! Não, não quero!!!

        Não, não dá pra ter infinitos filhos... Os planos sempre foram 4! Daria para ter mais um?! Sim! Marido não se apaixona pela ideia, mas também não se opõe! Mas... por mais que seja doloroso admitir isso, sinceramente, eu não quero mais!

        Fico pensando... enquanto para muitas mulheres é tão difícil decidirem ter um filho, para mim, porque mesmo depois de 4 filhos, é tão difícil a decisão de não querer mais outro bebê?

        Não, não é “só” porque eu já tenho quatro filhos, por conta do tempo disponível para dedicar a isso, ou o custo que isso implica!

        Não, não é por ainda ter um bebê pequeno, do cansaço das noites mal dormidas!

        Não é por já ter 36 anos!

        É por tudo isso também, mas tem muito mais questões internas envolvidas na decisão de ter um filho ou não!

        Sim, tem mulher que não quer ter filhos porque o corpo muda! Tem gente que não quer ter filhos porque não quer abrir mão do seu tempo, do seu espaço! Tudo isso poderia até ser considerado egoísta... Mas quer saber? No fundo, a decisão de ter mais um filho pode ser tão egoísta quanto a escolha por não tê-los!

        Eu amo ficar grávida, amo gestar, amo parir, amo bebês piticos! Amo, não “só” pela existência deles, pela formação de uma família pela qual sou apaixonada, mas amo também pelo que representa toda essa experiência para meu ser!

         Amo a sensação de um ser "meu", só meu, enquanto está no meu ventre! O privilégio e a graça de gestar! Me sinto linda grávida, cheia de vida! Meus peitos ficam lindos, minha pele fica boa, meu cabelo cresce! Tudo exala vida!

       O parto... ah, parir é mágico! É curtir a incerteza como não consigo fazer em nenhuma outra situação da vida! É abraçar o inesperado! É vivenciar a fé e a explosão de vida de uma forma intensa e transformadora! É completamente empoderador!

       E ter um bebêzico nutrido exclusivamente por mim? Que cresce, engorda, se desenvolve pelo leite do meu corpo? É lindo!

       Para mim, a despedida dessa “fase fértil” é a despedida do que o feminino tem de mais sagrado, que é esse gestar-parir-nutrir!

       Depois de 7 anos intensos envolta nesse ciclo, aos poucos, sair dele, me assusta! Aos poucos vou reconhecendo e nutrindo as outras coisas pelas quais tenho paixão na vida... Trabalhar, viajar... Coisas que não foram abandonadas, mas que tomaram uma outra dimensão perto da vivência da maternidade!

       Sim, a maternidade nos transforma e nos reencontrar e reconhecer depois dela já não é um processo muito tranquilo!

       Mas mais do que tudo isso, se despedir dessa fase é reconhecer que essa força e poder da mulher jovem aos poucos vai abrindo espaço para uma outra fase, de amadurecimento! De envelhecimento...

       E então eu fico aqui, refletindo sobre o quanto o envelhecer é difícil... E o quanto a maternidade nos escancara isso a todo instante, quando o bebê que “nasceu ontem” já senta e sorri! 

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