“E aí, família completa?”

10.05.2017

Tenho ouvido muito essa pergunta ultimamente!

Hummm... Será que é porque eu já tenho quatro filhos?!

Então... mas deixa eu confessar uma coisa... sabe que essa pergunta tem me irritado?!

Daí fui pensar: será por quê? Por que essa pergunta me traz aquela sensação de incômodo, lá no fundo do meu ser?

E aí, fui descobrindo...

Sim, primeiro o mais obvio: porque, é bem provável (será?!), que esse quarto filho seja o último aqui de casa, e pra quem ama gestar, parir e xexelentar um bebezico, reconhecer isso, por si só, não é pouca coisa! Ainda vou ter que pensar em como superar isso sem superpovoar o planeta!

Mas é mais que isso!

O quê? Vamos lá!

Quando Ícaro nasceu, nós não sabíamos que ele era um menino até alguns bons minutos depois do parto (depois conto como foi isso!)... O fato é que Helena queria uma irmã... E a irmã não veio!

Eu não desejava uma menina, mas confesso: queria dar a ela a irmã que ela tanto queria... Juro, rolou uma sensação de culpa, quase um pedido de desculpa a ela, pela irmã não ter vindo!

Mas aí que ultimamente andei pensando: mas que “p.” é essa de querer dar uma irmã pra menina?

Como é que eu estou caindo nessa idealização de família que é tão difundida por aí? Você tem um menino, precisa ter uma menina, um casal né?! lindo demais!. Ao mesmo tempo, tem que dar irmão para o menino. E tem que dar uma irmã para a menina. Ah, mas não pode ter muitos filhos, porque hoje em dia, vocês sabem né?!, as coisas andam difíceis... Nossa, que loucura é essa?

Acho ótimo minha filha ter irmãos... E, na real?! Não damos ninguém para ninguém! Claro, pretendo construir um ambiente familiar em que ela possa realmente ter uma família com os irmãos que tem! Garantia disso? Hum... não tenho, pode ser que eles se odeiem quando crescerem! Sim, pode! Espero que não!

Mas... o que isso tem a ver com a história de “família completa”?

É que aí eu fui pensar, e percebi que eu tenho uma irmã “legítima”, mas a vida me presenteou com outras irmãs, que não são menos de verdade do que a outra filha dos meus pais!

Tenho outras quatro irmãs que ganhei de presente ainda bem pequena... Sabe aquele tipo de irmã tão irmã, que chora de emoção quando conhece o sobrinho?! (no caso, meu filho!). Aquele tipo de irmã que já passou um mês do aniversário do filho dela que você não pode ir, e ela até guardou a lembrancinha para dar pros seus filhos? Pois é, desse tipo! Do tipo de irmã que a gente vai no casamento do filho dela e sente que aquele menino (que não é mais tão menino assim! Rsss...) é seu sobrinho que está fazendo a família crescer, e chora com isso!

E na adolescência ganhei outra irmã! Mais uma, dessas que a gente já compartilhou paquera, dilemas existenciais, natais, vagens e muito mais... e recentemente compartilhamos a experiência da maternagem... caminhando juntas pro que der e vier!

E agora, já adulta, ganhei outra que, de quebra, ainda entrou pra família oficial... E da qual a gente passou também a fazer parte da família dela! Dessa do tipo que a gente larga os três filhos com ela, vai viajar e não preocupa nem de ligar pra saber se eles estão bem! (rsss... não, não sou uma mãe desnaturada... tenho uma irmã em quem eu confio!). Dessa que além de irmã, tia, cunhada... ainda é doula, fotógrafa... e nem sei mais quanta coisa!

Então... Espero muito que minha filha possa conquistar muitos irmãos e irmãs por aí... E claro, mais do que tudo, espero que minha família não se complete... nunca! Porque além de querer sobrinhos, noras, genro (... ou quem sabe genros né?! vai saber!), netos, sobrinhos netos... quero pensar que é sempre bom conquistar pessoas com as quais possamos compartilhar a existência de forma amorosa... Porque no fim das contas, é isso que nos torna família, não!?

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