Preocupação e ansiedade...

08.03.2017

           Interessante, pra não dizer cruel, o quanto somos impelidos a internalizar sentimentos que não nos fazem bem...  Do que eu estou falando? Estou falando de culpa, de ansiedade, de preocupação.

           Naturalmente, esses sentimentos já viram quase obrigação, mas são extrapolados quando a pessoa em questão é mãe...

          Como assim? Existe mãe sem culpa? Sem preocupação? Pode existir!?

          Tenho pensado muito nisso nesses últimos dias!

          Vamos começar com um exemplo simples: a preocupação!

          Mãe preocupada é mãe boa, certo? Uma mãe que não preocupa, pode ser classificada como uma mãe desnaturada! Será?! Não, acho que não!

          Nossa, como eu já ouvi da minha mãe sobre a preocupação dela com a gente em diversas circunstâncias!

         Olhem as doideiras... Eu já passei por um episódio em que eu estava prestando uma prova de mestrado (ou seja, já era bem grandinha!) e a prova demorou. Resultado: eu não apareci em casa para o almoço e, mesmo sempre sendo muito responsável (ou até por isso!), obviamente não pude usar o celular para avisar! Minha mãe? Quando saí da prova trombei com ela e meu pai, dando voltas no campus da universidade (não sabiam onde era a prova), porque ficaram tão preocupados que foram atrás de mim! Gente, tem cabimento uma coisa dessas?

           Em outra situação, viajei, já depois de casada, pra praia com o marido e uns primos dele. Chegamos e não tinha sinal de celular. Só no outro dia consegui falar com os meus pais, que nessa altura do campeonato já tinham ido na casa dos tios do marido pra ver se eles sabiam algo sobre o nosso desaparecimento! Rsss...

           Tudo bem, eu tinha uma mãe super preocupada, meio fora da média! Mas precisamos mesmo cultivar esse tipo de sentimento?

           Por aqui, estou tentando desconstruir essas crenças que a gente incorpora de tal jeito que parecem ser verdades absolutas. E olha que com esse exemplo familiar a coisa tem que ser muito trabalhada! Rsss...

           Mas acho que tenho conseguido caminhar um pouco... Exemplo?!

           Esses tempos por agora viajamos eu e marido para fazer um curso. Quatro dias, só nós dois, sem as crianças! Deixamos os três com os meus cunhados! São pessoas nas quais confiamos, que tem convivência com os meninos e vieram para a nossa casa cuidar deles a fim de alterar o mínimo a rotina das crianças.

           O que eu ouvi sobre isso? “Nossa, mas você deve ter ficado super preocupada de largar assim as crianças!!!” Sinceramente? Não, não fiquei nem um pouco! Nem preocupada, e muito menos culpada! O curso foi ótimo! A viagem foi ótima! Eu tinha certeza de que se algo acontecesse por aqui, meus cunhados tinham tanta habilidade para resolver quanto eu e marido teríamos, e se fosse algo mais sério, seriam impossibilitados tanto quanto nós dois para resolver algo que não pode ser resolvido! Como diz o provérbio tibetano: "se o seu problema tem solução, então não há com que se preocupar... Se não tem, a preocupação será em vão!"

           Alguns diriam: “nossa, mas vocês são tranquilos demais!” Ok, mas o que eu ganho sendo preocupada? Nadica de nada! Teríamos aproveitado menos o curso e provavelmente gerado uma insegurança desnecessária para os nossos filhos que poderia ter feito com que os dias sem nós fossem muito menos tranquilos.

          Agora, prestes a ter um bebê, o sentimento da vez é a ansiedade, claro! Ainda mais no nosso caso, que não sabemos o sexo do bebê, e estamos literalmente esperando ele nascer, a ansiedade é arremessada sobre nossas cabeças (ombro, joelho, pé e tudo mais rss...) como se fosse um sentimento impossível de evitar! Será?

          Nem vou discutir aqui a questão de saber o sexo do bebê, porque isso rende assunto para um post inteirinho... Agora, a questão do esperar nascer... Gente, são nove meses... Ou melhor: 42 semanas! Uma hora nasce! De todo jeito, uma hora nasce! Então, para que ansiedade? Ela ajuda em que? No mínimo a trazer junto dela a preocupação... Será que vai passar da hora? Será que está tudo bem? Isso quando não leva pais ansiosos-preocupados a abandonarem a ideia de deixar nascer e induzirem ou marcarem um parto como resultado desse processo! Isso é bom? Na minha opinião, não! Muito melhor é aproveitar o bebê na barriga, afinal, é esse o momento que estamos vivendo agora! Daqui um pouco será outro, mas daqui um pouco ainda não chegou! E eu não sei como vai ser! Só sei como está agora! 

         Não defendo a irresponsabilidade! Defendo fazermos o nosso melhor e confiarmos um pouco mais na vida e em algo maior! Talvez, se tentarmos, aos poucos, termos um pouco mais de fé, quem sabe não nos tornemos até pais melhores!? Quem sabe...Afinal, tudo tem seu tempo, e acontece como deve ser! Ao abrirmos mão da ideia de controle, que é tão falsa e efêmera, tudo pode ficar mais leve e mais feliz!

 

 

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