Adoção "Tardia"

         E ganhamos um presente antecipado de Natal!... Conhecemos Ana, conhecemos Victória assim que ela começou a entrar para a família de Ana... embora acredite que naquele momento ela já tomava conta do coração de todos eles! O processo de adoção começou quando Victória tinha quase 5 anos, hoje ela tem 9! Há algum tempo pedimos o relato de Ana sobre essa nova família foi formada ! Hoje recebemos seu texto e é com amor e um pouquinho de toda a doçura que Victória transborda, que compartilhamos com vocês o que nos foi enviado!!! Obrigada Ana!!!

 

"Nós adotamos uma criança grande, ou estamos tentando adotar, mas, para fins sentimentais, nós adotamos uma criança considerada "inadotável", exatamente há 4 anos atrás naquele 22 de dezembro ensolarado que mudou minha vida. Não ela não é perfeita. Ela não chegou sabendo que devia comer com talheres e que a faca fica sempre do lado direito do prato e o garfo do lado esquerdo (será que é isso mesmo, mãe?) Ela não veio sabendo as palavras mágicas nem como usá-las e ela não sabia, assim de "nascença" a diferença entre o certo e o errado. Não, ela não é perfeita. Mas como seria chato se fosse. Como seria chato se eu não tivesse criado "meu olhar mágico" que quando lançado imediatamente sai um ‘por favor’ ou um ‘obrigada’. Como seria chato se ela não precisasse ser ensinada, se não precisássemos ter um milhão de conversas para que ela entendesse que essa é a única forma de resolver os problemas. Como seria chato se eu não pudesse acompanhar diariamente mamãe e papai em ação, mostrando serem os melhores educadores do mundo e, acima de tudo, como seria chato se ela fosse exatamente como o imaginado, ninguém é. Dentre tantas críticas despejadas pelos doutrinadores de bar sobre a adoção e, principalmente, sobra a adoção tardia vem sempre o "Você não tem medo do que pode ter na genética? Você não tem medo do que ela passou?". Eu venho batendo nessa tecla, porque cada vez mais essas indagações sobre a adoção chegam até mim ou até minha família. Pois bem, eu tenho medo do que pode ter na minha própria genética, eu tenho receio da bagagem que vai vir com o parceiro ou parceira escolhido. Não tem como controlar a carga genética, nem a sua, nem a do seu filho biológico, nem do seu parceiro(a) que diferença vai fazer o que vier com a criança adotiva? Filho adotivo dá muito trabalho, sim, filho biológico dá muito trabalho, também. Relações interpessoais, em geral, dão muito trabalho. Tudo se resume a forma como você vai lidar com as tantas bagagens que cada um traz dentro de si. A adoção tardia é como embarcar em um livro e descobrir que ali existem diversas aventuras vividas e que serão compartilhadas diariamente com você, é saber ouvir e saber amar. Cada página desse livro chamado Victória é uma aventura, algumas eu confesso que dão muito medo, algumas carregam uma tristeza profunda e outras despertam o melhor de mim e o melhor do que pode existir nesse mundo. Gente é assim. A grande questão da família seja ela constituída da forma que for (licença àquele estatuto vergonhoso) é essa. Família biológica, adotiva, afetiva, família homoparental, biparental, triparental, stepfamily, não importa, basta que seja formada por um vínculo de amor, vontade de estar perto, cuidado, confiança e carinho. Não quer adotar? Não adote. Mas vamos combinar de parar com essa ideia de querer desadotar os adotantes. Certo!?"

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