Como ensinar sobre o que não aprendemos a lidar?

           Esses dias, andando com a filha mais velha em uma loja, avistei uma moça que era anã. Ops...Talvez o mais apropriado, segundo andei aprendendo em um Seminário sobre Inclusão, seria dizer: "avistei uma moça que tinha nanismo", afinal, as pessoas podem apresentar alguma deficiência, mas isso não é o que elas são!... Enfim... a nossa falta de jeito na forma pela qual nos referimos a questões como essas já deixa escancarada a dificuldade que temos para lidar com as diferenças...

          Mas... voltando ao "causo", na hora que avistei a moça, instintivamente, me virei na direção oposta a que ela estava, porque pensei, imediatamente, que Helena, ao observá-la, poderia soltar algum comentário indelicado, afinal, ela nunca havia visto um adulto tão pequeno.

          Só que minha atitude não me deixou menos incomodada do que a situação que ela poderia criar.  E aí?! E aí, continuamos andando pela loja, até que, em um momento, Helena a avistou...

         Não teve jeito... crianças são curiosas, e na mesma hora ela virou pra mim e perguntou: “ Mamãe, aquela mulher é adulta?! Porque ela é tão pequena? Nossa, ela é menor que eu!” ... Mesmo a moça estando longe o suficiente para ouvir a nossa conversa, fiquei completamente embaraçada...

          Expliquei para ela que as pessoas são diferentes: que tem gente muito grande, e gente muito pequena, do mesmo jeito que tem gente com cabelo liso e outros enrolados, pessoas gordas e magras, e que cada um era de um jeito.  

           Até aí tudo bem... Mas não me dei por satisfeita e continuei: Precisamos ser cuidadosos quando falamos das outras pessoas, porque elas podem se sentir ofendidas, e isso não é legal. Se alguém dissesse de você: nossa, olha que cabelo estranho o daquela menina, você iria gostar?! Não ia... Isso acontece porque cada um gosta de uma coisa diferente, então, quando a gente não gosta de alguma coisa em alguém não precisa falar...

           Depois do discurso, nossa, eu estava ainda mais embaraçada...

           Não era pelo que ela tinha dito (mesmo porque o comentário dela não tinha nada de pejorativo ou preconceituoso! Ela apenas tinha observado que a moça era pequena!).

          O embaraço era comigo mesma: pela minha atitude inicial e meu discurso revelarem, lá no fundo, algo distinto do que eu gostaria que meus filhos aprendessem: que o diferente é apenas diferente, e que isso é natural!

          Talvez as crianças já nasçam sabendo disso, e se a gente não tentar ensinar, consiga não estragar... Quem sabe?! 

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