“As crianças estão precisando de tapa na bunda” HEIN?!

14.07.2016

       Gente, agora de manhã, quando acordei, li uma reportagem nas redes sociais e não dei conta... Apesar de ter milhares de coisas para fazer, num tinha como não escrever esse post.

       O tema da reportagem? “TAPA NA BUNDA - Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos”! Sim, esse é o título do livro de uma terapeuta infantil que defende que “as crianças estão precisando de tapa na bunda”!

       Eu fui educada assim. Sim, minha mãe já deu boas palmadas nos meus irmãos quando eram pequenos. Meu irmão, custoso demais, chegou a apanhar com “vara de marmelo”. E minha mãe contava isso orgulhosa, de como levava a sério o processo de “educação infantil”. 

       Do meu pai nunca apanhei. Me recordo de ter apanhado da minha mãe, uma vez. Uma surra daquelas “boas”, do tipo que tem que alguém interferir, porque a mãe, na infinita loucura de quem já está com a paciência esgotada, perde a noção e extravasa a raiva na havaiana que marca a bunda. Depois conto mais da experiência, esse não é o foco desse post, mas... enfim...entrando na reportagem:

         “Qual a diferença entre palmada e agressão? E reponde a terapeuta: No Reino Unido, quando um pai é julgado (por algum tipo de agressão ao filho), eles observam se foi deixada alguma marca na criança. Esta seria uma forma mais palpável de medir.” ...

        Putz! Não posso garantir que as chineladas da minha mãe deixaram marcas na minha bunda, mas nunca me esquecerei daquele momento...

         E segue a terapeuta:O tapa na bunda é um último recurso, mas muitas vezes ele é necessário”. ... “criança que faz alguma coisa errada e, por mais que a mãe coloque-a de castigo e tire privilégios, continua mexendo onde não deve mexer. O que adianta? O que ela está pedindo? Tapa na bunda. As crianças estão precisando de tapa na bunda”.

         Sim, sou completa e absolutamente a favor da disciplina, da educação, dos limites... Mas dizer que a criança está “pedindo um tapa na bunda”? Quem pede para ser agredido?

          Fica aqui a dica então, de uma outra referência, mais amorosa de educação... Um trecho do livro “Bésame Mucho”, de Carlos Gonzalez...

         “Alguns exemplos com os quais quero acreditar que meus leitores estarão de acordo: a polícia jamais deve torturar um preso, o marido jamais deve bater em sua esposa. Você acha que esses “jamais” são extremistas demais, talvez fantásticos? Será que eu deveria adotar uma postura intermediária, mais conciliadora e compreensiva, como torturar um pouquinho e somente assassinos e terroristas, ou bater na mulher só quando ela estiver sendo infiel? De jeito nenhum. Pois bem, da mesma maneira não estou disposto a aceitar que “um tapinha na hora certa” seja nada menos que maus tratos (...)” Nossa sociedade não trata as crianças com o mesmo respeito que trata os adultos. Quando falamos de um adulto, as considerações éticas são sempre primordiais e têm prioridade sobre a eficácia ou a utilidade. (...) Porque será que bater em um adulto é chamado de “violência doméstica” mas bater em uma criança é chamado de “castigo físico”? Não permitiríamos que os empresários batessem nos funcionários, mesmo que isso aumentasse a produtividade. Nem aceitaríamos a prática legal da tortura, mesmo que isso diminuísse a delinquência.  (...) Não, nem tudo vale no tratamento com adultos. Há coisas que se fazem ou se deixam de fazer por princípio, independentemente delas “funcionarem“ ou “não funcionarem

           Bem... é nisso que acreditamos! Então, aqui em casa ninguém bate em ninguém. Pais não batem uns nos outros, não batem nos filhos, filhos não batem nos pais, e irmãos não se batem também... Por que? Bater é violento, e violência é ruim. Sempre ruim! Porque acreditamos na educação pelo exemplo... Foi-se o tempo do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Acreditamos na educação pelo amor! Dá sempre certo? Depende do que se entende por certo. Tem horas que não sabemos mesmo como fazer...Mas isso não nos impede de sabermos o que NÃO fazer...

 

 

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