Um quarto montessoriano, de gêmeos!

14.07.2016

          Ai gente, essa vida de mãe é uma peleja sem fim... E a gente tenta fazer o melhor, sempre, claro! E se cobra demais! Mas sabe o que é bom? Ouvir outras pessoas que podem nos mostrar que apesar de nem tudo ser como a gente idealiza, ainda assim, essa nossa busca traz resultados lindos demais! Obrigada Rejane, pelo relato sincero! 

 

         "Sou Rejane, mãe dos gêmeos Joaquim e Estela. Engravidei naturalmente no momento em que eu não pensava (e não queria) ter nenhum filho e hoje agradeço a Deus todos os dias por esses filhos maravilhosos, que me completam e me ensinam o significado do verdadeiro amor. Tive uma gravidez super tranquila, livre de qualquer intercorrência. Quase completamos as 39 semanas, e hoje, Joaquim e Estela, com 1 ano e 2 meses, são o motivo da minha luta diária, em tentar sempre em dar o melhor a eles.

         Desde que soube da gravidez de gêmeos, comecei a busca por conhecimento em como lidar com dois bebês. Hoje sigo vários blogs de mamãe de gêmeos, leio muito sobre educação, atividades para bebê e métodos educativos, e acabei conhecendo o método Montessoriano

          Fiquei extremamente apaixonada pelo método e há 2 meses atrás comecei a montar o projeto na minha cabeça, de como eu queria o quarto deles, e esse projeto começou a me incomodar enquanto não coloquei em prática. Não aderi ao projeto 100%, mas peguei algumas ideias que eu achava que eram boas no momento e coloquei em prática assim que os gêmeos começaram a andar.

         Os principais pontos relevantes do método e que achei super interessantes são:

1. que a criança adquire suas habilidades por si mesma, segundo o seu processo natural de desenvolvimento;

2. cada uma possui o seu ritmo;

3. o ambiente deve ser propício ao aprendizado e também deve atender às necessidades específicas da criança.

         Baseado nisso resolvi começar o método pelo quartinho. A minha vontade era que eles pudessem ir dormir quando estivessem com sono, estando ali a cama no chão de fácil acesso. Queria que eles tivessem liberdade de acordar e irem brincar, ao invés de me chamar para retirá-los do berço. Queria que eles fossem independentes dentro do ambiente que vivem, pois são dois bebês com mesma idade, personalidades diferentes, sexo diferente, não tenho babá, trabalho fora, e mesmo o pai participando ativamente na criação, eu sempre pensei na necessidade deles terem autonomia para pegar um brinquedo e/ou fazerem outras atividades, sem que precisassem contar o tempo todo com ajuda de um adulto . Não quero que eles se desenvolvam totalmente dependentes de pai e mãe, em atividades que eles podem e conseguem fazer sozinhos.

         Como disse no início, o quarto não está 100% adaptado ao método, primeiro que o método pede um quarto com cores neutras pois, segundo eles, o colorido causa muita informação no raciocínio da criança e por aqui, tapetes cada um de uma cor, e segundo, não coloquei AINDA o espelho, afinal, mãe de gêmeos não tem tanto trabalho em dobro, mas as despesas, hahaha essas sempre são em dobro...

          Então vamos lá... Primeira noite no quarto com colchões no chão, milhares de travesseiros em volta, noite fria e la se foi a 1ª noite dos gêmeos no novo quartinho. De hora em hora eu levantava pra ver como estavam, e cada hora estavam em um lugar diferente do quarto. Passou 1 dia, 2 dias, 1 semana, 2, 3 semanas e o arrependimento batendo, devido ao cansaço em ter que acordar de 3 a 5 vezes por noite pra pegar menino fora do colchão.

          Arrependimento sim, mas não podia voltar atrás pois berço não tinha mais, e nem quis demonstrar arrependimento diante as pessoas que no início não acreditaram no método, eram contra por não conhecer, como o marido, a vovó, algumas tias e outras pessoas. Por esse motivo, me senti um pouco responsável por decidir encarar toda essa mudança e adaptação sozinha, mas também queria mostrar a ele que ia dar certo, afinal, se dá certo pra todo mundo, porque comigo não iria dar?              A busca por achar mães na mesma situação que a minha foi enorme, mas não encontrei nenhum blog que relatasse as dificuldades no processo de ADAPTAÇÃO ao quarto Montessori, nenhum blog informa a dificuldade em se esperar o tempo certo da criança estabelecer o seu limite de espaço e não rolar mais pro chão. TODOS os blogs, se via quartos lindos e arrumados, enquanto aqui não ficava um brinquedo na estante.

           Acredito também que a dificuldade maior que tive e ainda tenho, está no fato de serem dois bebês com a mesma idade, e ambos acordavam de madrugada e iam até o colchão do irmão que dormia e pegava o bico da boca dele, rolava por cima querendo brincar e em seguida vinha o “chororô”. Esse fato já amenizou, pois acredito que até com a presença do irmão ali do ladinho, no colchão no chão, já adaptaram.

           Hoje está mais fácil, Joaquim sai do colchão e mesmo rolando e sonolento, consegue voltar, e a Estela já faz uns dias que se mantém quietinha no seu colchão. Acredito que já é uma vitória, e que eles já estão tendo noção do espaço que eles têm pra dormir. Teve uma semana que tinha decidido ir atrás da grade de proteção de cama, mas devido a correria do dia a dia, não tive tempo e que bom que não comprei pois ainda essa semana, antes de finalizar esse relato, eu vi uma publicação sobre o quarto MONTESSORIANO na qual fala que a cama (ou o colchão) não deve ter grade ou outra coisa que impeça a liberdade da criança de movimentar, mas a página Montessoriana foi bem clara, a grade não é errado, mas não se pode incluí-la como parte do método.

          Hoje posso dizer que estou muito feliz com os resultados:

1. Estão reconhecendo o seu limite de espaço ao dormir;

2. Passam um bom tempo brincando no quarto, e com os brinquedos acessíveis, eles se sentem confiantes ao lidar com tarefas que a princípio parecia difícil;

3. Eu e o marido ficamos tranquilo em outra parte da casa enquanto eles estão no quarto brincando, pois sabemos da segurança que o quartinho deles oferece e da capacidade e autonomia que eles já demonstram ter em escolherem a sua própria brincadeira.

          Aprendi que toda fase nova, exige uma dedicação, não seria diferente com esse novo projeto. Quando você está 100% adaptada a uma fase, vem outra e a dedicação e a sabedoria recomeçam. Mas em meio ao cansaço (e a ansiedade de ver resultado logo) posso dizer que valeu cada noite sem dormir.

          Querem um conselho??? O método é fofo, os resultados melhores ainda, mas tudo exige dedicação, e toda dedicação tem certo “trabalho”.  Sigam o método se realmente estiverem seguros e certos de que o resultado não vem da noite pro dia. Não tem necessidade de seguir 100% a decoração e/ou projeto do quarto e casa, mas tente da forma que achar que é melhor pra você e principalmente para os seus filhos. E o melhor desse método, “menos é mais”, ou seja, não tem necessidade de ter um quarto caro e lindo, se você pode ter um quarto simples mas adaptado ao mundo deles, afinal, o quarto não é deles?

           Eu ainda volto aqui, pra falar como serão nossos próximos meses, pra dizer que continua valendo a pena cada sacrifício e cada dificuldade que encontramos no caminho. Vale a pena... tente, você vai gostar e seu filho mais ainda!!!!"

 

“Ser montessoriano é uma maneira de viver, com autonomia, responsabilidade, verdade, harmonia e respeito. E esta deve ser a meta de uma família hoje, mesmo não sendo montessoriana”. Por Talita Almeida, especialista Montessori

 

 

  

 

Please reload

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now