Crise dos 7 anos...

             O casamento mais bonito que já fui até hoje foi o meu. Bom, pelo menos para mim, claro! Não, não foi nada luxuoso, fantástico, caro. Foi algo simples, e, sobretudo, nosso!
          Interessante, porque como muitas mulheres, já tinha me imaginado entrando em uma igreja, de branco, de braços dados com o meu pai, ao som de uma música bem tradicional. Acho lindo casamentos assim, e me emociono, mesmo, quando tenho a oportunidade de ver amigas casando dessa forma.
          O meu? Não teve nada disso. Por quê?  Com o passar do tempo e dos nossos estudos sobre espiritualidade, para mim e para o marido, um casamento dessa forma não tinha sentido. Casar em uma igreja é, além de assumir o compromisso com o outro, assumir compromisso de fundo religioso. Não, não somos ateus. Pelo contrário, acreditamos em muitas coisas, e, sobretudo, levamos questões religiosas muito a sério, embora não tenhamos uma religião definida! Então, como fazer?  Nós fizemos do nosso jeito!
          Tivemos um casamento diferente, e, para falar a verdade, não fiquei apreensiva do que os outros iriam pensar. Foi sim, um saco, enquanto arrumávamos tudo, especialmente pelos palpites da minha mãe, que sempre se preocupou muito com o que as outras pessoas iriam achar.
          Cada detalhe, uma peleja... “Como assim, que não são os pais que convidam, no convite de casamento?” “Ãh, não vai ter bolo? Nunca vi festa de casamento sem bolo!” “Credo, ele vai casar de pijama?” “Mas as pessoas gostam de beber, como não vai ter cerveja?” “Ah, mas seu pai vai ficar magoado de não entrar com você!" ... 
          Por quê é tão difícil fugir do tradicional, hein? Porque todo mundo tem que fazer as coisas do mesmo jeito? E, pior, seguindo um padrão que nem sempre elas entendem, ou sequer acham o mais interessante? Sei não!
        Sei que chega a ser engraçado hoje, mas na época foi um stress. No fim das contas, fizemos tudo como a gente queria. Sim, no nosso convite, NÓS convidamos as pessoas para compartilhar o momento com a gente. Não teve bolo de casamento, eu não quis... para falar a verdade, nem gosto muito de bolo! Não teve cerveja: eu e marido não bebemos, e não achamos que o álcool é indispensável para que as pessoas estejam juntas e felizes. Meu pai ficou superfeliz com tudo, e não fez questão, efetivamente, de entrar em lugar nenhum (apesar de ter adorado quando a gente, ao final, deixou livre se alguém quisesse falar alguma coisa... ele adora falar!). E, claro, o marido, foi o homem de pijama mais lindo da minha vida! Rss...
          Marido tinha escrito, bastante tempo atrás, uma linda cerimônia, que realizamos só nós dois. Foi essa cerimônia que adaptamos, e compartilharmos com as pessoas que amamos, no dia do nosso casamento. Essa é outra questão interessante: percebo que, para muita gente, a benção de uma outra pessoa (religiosa ou não) e uma cerimônia institucionalizada, é que parece dar legitimidade para as coisas. Respeito, mas minha cerimônia, a que eu e marido realizamos juntos, foi a forma mais verdadeira que nós poderíamos pensar de celebramos nosso momento de união. Bençãos? Tenho certeza que recebemos de todos que estavam ali, presentes e felizes com a gente, de corpo e de alma. 
          Nesse sentido, a cerimônia e a festa, também me trazem à memória gratidão, pois se tudo foi lindo e perfeito, isso se deve à muitos amigos, especiais, que nos ajudaram na organização, contribuíram para que tudo ficasse exatamente do jeito que a gente queria (afinal, eles já nos conheciam!), sem contar a economia, né gente?! Rss....  Ao Leandro e Mariana que aceitaram o convite para receber nossos convidados; à Shirley, que cuidou da nossa decoração e festa com tanto carinho; ao Rogério, que nos presenteou com o desenho e os bordados do meu vestido, e ainda fez o enfeite do meu cabelo; ao Trem das Gerais, que nos presenteou com sua música; à Deborah, que iluminou ainda mais a nossa noite, conduzindo-nos nas Danças...  E mais um monte de gente que, claro, com certeza eu estou sendo injusta agora e deixando de citar os seus nomes. 
             Foi uma noite linda, em uma chácara, com um presente de lua cheia e céu estrelado, depois de uma semana inteira de chuva. Uma festa simples e aconchegante, com música boa e direito a compartilharmos com nossos convidados algumas danças circulares, que tornou o momento ainda mais especial. 
             E desde lá já se passaram 7 anos... Crise dos 7? Só se for de vontade de casar de novo; claro, com o mesmo marido! E que sejamos felizes para sempre, nos recordando que a felicidade se constrói em cada instante em que cedemos ao amor!

 

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