A preciosidade no desconforto

"Tudo muda, o tempo todo, no mundo..." E vamos direto ao que interessa, antes que eu estrague a verdadeira poesia que vem logo aí embaixo, obra de uma amiga, e que traduz tanto minhas atuais reflexões sobre a vida... Obrigada Lud!

 

 

"Sempre gostei do inverno. Tempinho frio, assistir um filminho debaixo de  cobertas e ficar bem juntinho pra poder esquentar. O inverno nos traz certo recolhimento, um período que não queremos nos expor muito ao tempo e

também acredito ser um tempo de reflexão e observação de como a natureza reage às mudanças no clima.

Apesar de gostar de todo esse cenário, creio ser um período que nos deixa mais confortáveis, mais estáticos, acomodados. E é quando estamos desconfortáveis em relação a algo que buscamos soluções, nos movimentamos e geramos mudança.

Refletindo sobre o conforto me veio à mente três exemplos que ilustram bem como o desconforto pode nos trazer tesouros que não encontramos no conforto.

O primeiro exemplo é o da borboleta. A lagarta tece um casulo ao seu redor e durante semanas passa por um processo de transformação que resultará numa belíssima borboleta. Se interferirmos nesse processo, 

comprometemos todo o desenvolvimento dessa borboleta. É necessário o tempo dentro do casulo, o tempo de recolhimento para que a lagarta atinja a maturidade. A borboleta sempre esteve dentro da lagarta, mas é no

desconforto da transformação que ela aparecerá. 

O segundo exemplo é o da pérola. A ostra só produz pérola a partir de um incômodo. Ela está lá, feliz da vida, quando de repente um ser estranho a invade. O conforto da ostra nunca produzirá pérolas. É na dor que elas são formadas. É quando ela está diante de algo novo, que ela não esperava, que produzirá sua preciosidade. 

E por último, fiquei pensando na semente. Se eu fosse uma semente, ficaria imaginando que a não existiria nada melhor e mais bonito além da minha casca. Teria medo de ir para a terra, ficar num lugar escuro, abafado, 

encharcado de água e tentando buscar a luz do sol. Porém, a semente mais bela não se compara a exuberância da flor mais simples. Os frutos, as belas flores estão dentro da semente. Como disse Jesus, “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só, mas se morrer, produz muito fruto”. João 12:24. É preciso morrer para produzir frutos. É na morte que haverá o nascimento, e o renascimento de muitas sementes.

Por tudo isso, ando querendo sair do meu conforto. Querendo gerar frutos, produzir pérolas, voar por jardins desconhecidos. O conforto é muito bom, mas a beleza, a verdadeira preciosidade está no desconforto."

 

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