Trocando figurinhas: uma gravidez e um parto na França!

      Quando estava grávida do meu segundo filho, fiquei sabendo que uma grande amiga, que admiro muito por sua força e determinação, mas sobretudo pela alegria que ela tem ao enfrentar os obstáculos da vida, também esperava um bebê... lá na França !
     Alexia nasceu menos de um mês depois da chegada do Apolo, e em sua primeira visita ao Brasil, tive a oportunidade de conhecê-la! Linda “fadinha”!
     Nos encontrarmos também nas outras vezes que ela esteve por aqui: comemoramos juntas o aniversário de 9 meses do Apolo, e, depois, o aniversário de 9 meses da Alexia! 
    Foram encontros ótimos, pros bebês interagirem, mas, sobretudo, pra gente trocar experiências! E tem coisa que mãe gosta mais do que isso?! (Dormir!? Rss... !)
     De cara, percebemos que muita coisa é parecida, lá e aqui, até igual, para falar a verdade: o tapete de atividades, o copinho de água... e mais um monte de outras coisas, são, sim, IGUAIS... resultados de um mundo globalizado! 
     Mas eu, curiosa demais, queria saber como ela lida com TUDO por lá: rotina, alimentação, pediatra, creches, educação... até porque, a leitura atual daqui de casa é justamente o livro : “Crianças francesas não fazem manha” ...Recomendo... mas outro dia falamos disso! Rss...
     Então pensei: porque não compartilhar um pouco dessas vivências por aqui?!
     E Yara topou o convite, e conta pra gente como foi o acompanhamento de sua gravidez e seu parto na França! 
     Interessante, especialmente, como há o incentivo e apoio para a concretização de um parto normal - mesmo quando há algum problema que possa dificultá-lo, e do apoio à mãe no período pós-parto! Vejam só...

 

         "Venho aqui relatar minha experiência de gravidez e parto na França.  Moro aqui na França há 4 anos e, em maio de 2012, eu e meu marido começamos a tentar ter um filho.
Procurei uma ginecologista, que disse que não faria exames neste momento, somente caso, após um ano, eu não engravidasse, aí sim faria exames específicos... 
        Pausa para uma observação: aqui o Exame de Papanicolau é feito de dois em dois anos obrigatoriamente, mas entre esse tempo é o médico que decide fazer ou não! Isso me chocou um pouco: sempre explico que no Brasil fazemos uma vez ao ano, no mínimo. Outro detalhe: ela não me recomendou o uso de nenhuma vitamina, nem mesmo o ácido fólico, mas como eu já sábia da importância, tomei por conta mesmo! Enfim, não houve nenhuma recomendação. 
        De acordo com o ultrassom, fiquei grávida no dia 23 de junho, as coisas funcionaram muito bem! Descobri minha gravidez por um exame de farmácia no dia 06 de julho. Marquei um encontro novamente com a médica e, na consulta, ela nem pediu um exame de sangue pra constatar a gravidez: ela fez um exame de toque, pelo qual disse que já sentia meu útero maior. 
       Os exames que fiz foram: um ultra no meio do segundo mês, um hemograma completo, um exame para constatar a possibilidade de ter um bebê com trissomia 21, um para saber meu índice glicêmico, e para saber se eu já tive contato com a toxoplasmose, e mais um outro de urina. Este de urina e da toxo, tive que repetir todos os meses durante a gravidez! 
      Capítulo à parte: sobre os Ultrassons!...
      O ultrassom aqui é considerado um exame sério, e que não deve ser usado somente ver a aparência do bebê, ou saber o sexo. Acima de tudo, é um exame médico, e os médicos aqui estão lá para cuidar da sua saúde e da saúde do bebê. O número de ultras é limitado a 3 durante toda a gravidez, se tudo ocorre bem. Há algumas exceções, caso o ultra tenha sido feito muito cedo, e não tenha sido possível ver com claridade, a nuca do bebê, ou caso haja algum problema. De todo jeito, acima de 3, deve se  justificar o motivo para o excedente. 
     Em média fazemos um ultra no começo, para verificar a data do parto e a nuca do bebê.  Um outro, em torno do 5º. ou 6º. mês, de acompanhamento normal (é nesse que podemos saber o sexo do bebê) e um outro no final da gravidez. 
     Eu fiz 5, porque o primeiro foi muito cedo e, no último, a Alexia estava sentada, então repetimos para saber se tinha mudado de posição. 
     Um detalhe é que todo mundo me perguntava, no fim do 3 º mês, se eu já sabia qual era o sexo e quando eu falava que iria saber só com 5 ou 6 meses todos falavam: porque você não faz um ultra antes pra saber???  Eu procurei todos os médicos possíveis, e não encontrei. O que encontrei foram técnicos em imagem que fazem o ultra pagando, e caro, mais para ter uma lembrança do bebê; e quando se vai a esses técnicos, melhor nem contar para o médico!
     No fim do meu primeiro mês de gravidez tive muitos enjoos, perdi 10 kg em 8 dias. Minha ginecologista estava de férias, procurei 3 médicos, e todos disseram que era normal. Depois de ficar 3 dias sem comer e beber, e vomitando, fui para o pronto socorro da maternidade do hospital de Besançon, onde fiquei internada 7 dias, em isolamento, num quarto escuro, sendo que nos 3 primeiros dias não podia comer nem beber nada, tudo era feito pela perfusão. Meu bebê estava bem, na verdade ela estava sugando minhas energias, e sugou bem (rsrsrs)!  Funcionou: depois de 7 dias consegui voltar a comer... esse foi o período mais difícil da minha gravidez, depois tudo correu bem.
      O acompanhamento aqui é muito parecido com o do Brasil: fazemos consultas todos os meses, e exames.  Mas aqui também há a preparação para o parto, que fazemos com uma Sage-femme, que é uma parteira, formada numa universidade durante 5 anos, para fazer partos normais. A tradução de Sage-Femme é “Sábia na mulher”. Temos em média 10 consultas com a Sage-Femme apenas pra preparação do parto, fora as consultas do pré-natal. 
     Aqui, na maioria das vezes, não é o seu ginecologista que faz o parto, a não ser em caso de problema, e que você tenha feito todo o seu pré-natal num hospital. Primeiramente, porque a prioridade é o parto normal: ou seja, você será atendida pelo plantonista. Segundo, porque a maioria dos ginecologistas atende fora do hospital.
     Fiz o meu acompanhamento até o 7º mês com uma ginecologista fora do hospital. No 7º mês ela me deu uns papéis para encaminhar ao hospital, e fazer as 2 últimas consultas lá, para que eles tivessem acesso a todas as informações antes do parto. 
     Fiz minhas 2 últimas consultas com uma Sage-femme, e foi ela que descobriu que eu tenho um problema na minha bacia: um lado mais alto que o outro, o que poderia causar um problema nos últimos momentos do parto, em um parto normal. 
     Ela me mandou fazer um scanner, e passou o resultado do exame para uma comissão de médicos analisarem. O resultado foi: “vamos tentar o parto normal, com uma atenção especial. Se houver algum problema, passamos para cesariana”.
     O fim da minha gravidez estava previsto para o dia 22 de março. No dia 20, minha mãe me disse, logo pela manhã, que eu estava estranha, e, é verdade me sentia estranha. Às 5 horas da manhã do dia 21 de março senti minhas primeiras contrações, e, em meia hora, já estava tendo contrações a cada 5 minutos. Acordei todo mundo e fomos para o hospital. 
     Cheguei lá às 7 da manhã com contrações a cada 3 minutos, mas meu colo estava só com 3 cm de dilatação. Todos no hospital foram muito simpáticos comigo. Uma hora depois e minhas contrações eram constantes. Meu quarto era um vai e vem de sage-femme, porque elas achavam que já ia nascer. Eu nem reclamava: doía, mas eu esperava que fosse tão pior!
     Elas me deram uma injeção de morfina, aí foi tudo festa ( rsrsrs). Pra mim o tempo passou tão rápido! Pra minha mãe, ela diz que foi uma eternidade. Fiz a opção de tomar a anestesia para o parto normal. Quando o anestesista tentou me anestesiar, não conseguia encontrar minha coluna! Pausa para explicações: sou  deficiente físico, não tenho metade da minha perna esquerda, uso uma prótese há 30 anos, e minha coluna dá umas voltinhas por conta disso! Bom, o coitado tentou 5 vezes me anestesiar e não conseguiu! Depois disso, chamou a chefe dos anestesistas e ela, na segunda tentativa, conseguiu. Aí eu quase desmaiei... na verdade eu desmaiei um pouco sim, mas nada demais, pra mim tava tudo bem. 
     O meu marido ficou todo o tempo comigo, só que nessa hora ele tinha ido chamar a minha mãe pra ficar um pouco comigo, porque a coitada estava desde às 7 da manhã na sala de espera e já eram 2 da tarde. Tadinha, ela ficou tão desesperada quando me viu... E eu dizendo: “mãe tá tudo bem, eu to bem e a fadinha também”.
     Já tinha os 10 cm de dilatação e nada da bolsa romper!... Romperam minha bolsa e o líquido já estava escuro. O médico veio e fez um teste na cabecinha da fadinha pra ver se ela tava com acidose. No primeiro teste não deu nada, mas no segundo deu, e aí fomos para a sala de cirurgia, porque não podíamos esperar mais. 
     O Jean (meu marido) foi comigo, fiz força duas vezes e nada, então pediram que o Jean saísse da sala, me anestesiaram mais, muito mais, e tive uma cesariana. 
     Alexia nasceu linda, com olhos bem abertos, às  18h53 com 52 cm e 3,530kg. A vi pouco por conta de todos os problemas, fiquei 5 horas na sala de recuperação. Esse foi o pior momento: queria tanto ver minha fadinha e demorou tanto a passar. Fui para o quarto meia noite e, finalmente, encontrei minha princesa.
     Lá os pais não dormem no hospital, mas podem ficar o dia todo. Fiquei num quarto individual com minha fadinha. Passei 7 dias no hospital, 7 dias em que tive todo o suporte necessário, até mais que o necessário. 
     Aqui, o mínimo para uma cesárea são 7 dias de internação, e fiquei mais 10 dias em hospitalização a domicilio: quer dizer que durante os 10 primeiros dias depois que sai do hospital, vinham me visitar todos os dias uma  sage-femme e uma enfermeira pediátrica. Isso foi bom porque eu tive muita dificuldade em dar o peito, e elas me orientaram na posição, em tudo.
     Depois de tudo isso, um mês após o parto, fiz 10 consultas com uma outra sage- femme para a reeducação perineal. 
     O grande detalhe de toda essa história: tudo isso é público, não gastamos 1 euro. No oitavo mês de gravidez recebi uma ajuda de 950 euros para o nascimento da Alexia. E depois do seu nascimento, a Alexia recebe uma bolsa em torno de180 euros, todos os meses, até os seus 3 anos. 
     Hoje Alexia tem um ano, é linda e tem uma saúde de ferro. Tudo correu bem, e já pensamos em tentar fazer outro bebê no fim do ano.  Uma outra experiência, quem sabe até em outro país?!"

 

 

 

Obrigada Yara!!!!!!! Pela amizade e pelo depoimento!

 

(Alexia e Apolo, aos 9 meses!)

 

 

 

 

 

 

 

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