Acidentes domésticos... Coração de mãe sobrevive?

            Com crianças, acidentes domésticos não costumam ser raros: filhos de amigos já tomaram água sanitária, beberam o vidro inteiro de algum remédio, colocaram a mão no forno quente, e outras coisas desse tipo... Situações que põe a prova a saúde cardíaca de qualquer mãe!... E claro, fazem com que a gente se sinta simplesmente um lixo, porque quase tudo (ou seria tudo, na nossa cabeça de supermãe?), depois que acontece, claro! parece obvio demais para que a gente não tivesse evitado!
             Tem umas situações que são tão idiotas, que a gente se pergunta como é que a gente tem a permissão divina de cuidar de outro ser! Mas elas acontecem, mesmo nas "melhores famílias", podem acreditar!
             Não, não somos as piores mães do planeta porque numa distraída básica o bebê deu uma afogadinha light na banheira, ou despencou de uma cama que a gente tinha certeza de que os benditos travesseiros iam ter um efeito barricada, enquanto, na verdade, serviram de trampolim! Não somos, mas é assim que nos sentimos!
              Estou aqui lembrando de uma vez... Ulisses, que já sentava, não queria sair do colo, nem mesmo para que eu pudesse calçar o sapato pra gente sair! Numa ideia brilhante, eu liguei o computador com um videozinho, e sentei ele, por um segundo, na cadeira, para pegar meu sapato no chão! Uma cadeira de escritório, com encosto e braço... absolutamente segura... sqn...! No segundo entre eu colocá-lo lá e abaixar para pegar o sapato que estava em frente a cadeira, ele simplesmente vazou entre o braço e o encosto, e estabacou no chão! Como eu estava abaixada, lá, no chão, para pegar o sapato, quase socorri! Bom, pelo menos amorteci um pouco a queda! Machucou? Sim, meu coração, pela burrice do descuido!
               Ai gente, como é difícil essa vida ter responsabilidade pela integridade física de um pequeno ser que a gente ama mais que tudo nessa vida, não?!
               Por aqui foram poucos os acidentes de tirar o fôlego (relacionados ou não a esses momentos de idiotice materna/paterna!)... E hoje vivenciamos um deles! E foi, literalmente, de tirar o fôlego!
               O pequeno ser caçula jura que é um indivíduo andante! Todo empolgado, levanta, dá uns passos e... cai! Vez ou outra, levanta, pede a nossa mão, e com apoio, sai caminhando por aí! E então, todos prontos para ir ao cinema! Eu, já no saguão do prédio, tentava convencer a mais velha que não fazia sentido levar um brinquedo pro cinema, enquanto apaziguava a birra do filho do meio que queria ficar no cantinho do elevador. Com uma das mãos segurava a mão do bebê que caminhava para entrar lá junto com os irmãos, e com a outra, segurava a porta do elevador esperando o marido que pegava a bolsa e trancava a porta do ap. E, então, o bebê simplesmente decide, de repente, mudar o rumo da andada... Volta pro meu lado, desequilibra, e cai, de cara no chão... Não foi um tombo feio (já tivemos outros piores por aqui!). Eu pego ele no colo, enquanto marido tira os outros dois de dentro do elevador! Enquanto eu avalio o estrago, ele chora sem chorar! Um choro comprido, sem som, e sem fim! Peço pro marido correr e pegar o gelo para colocar num possível galo, e entro no apartamento com o bebê no colo! Procuro o galo, que não chegou a aparecer, enquanto chamo pelo bebê, que continua com o choro sem som! De repente, sai um sonzinho de choro, mas ele começa a ficar molinho! Eu grito o marido, já completamente desesperada! Coloco o bebê apoiado na almofada, deitado no sofá, e ele simplesmente desmaia! Só de contar agora, minha barriga dói! Essas horas, dizer quanto tempo durou tudo é impossível... Me pareceu uma eternidade! Eu chamei, sacudi, enfiei a mão dentro da boquinha dele para ver se não estava com a língua enrolada! E ele branco, com a boca roxa, molinho... Eu e marido, juntos, sem saber o que fazer... E, aos poucos, ele foi voltando, ainda molinho! Ficou ainda molinho por um tempo... Melhorou mesmo, 100%, quando chorou bravo (porque para ver se ele reagia, tentamos limpar seu nariz, o que ele simplesmente odeia!)! Foi só aí que a cor dos lábios voltou ao normal! Decidimos ainda assim sair de casa depois do susto. Não deixei ele dormir no carro, e depois dessa hora ele não teve mais nada!
               Eu? Estou aqui, com o pescoço duro de tensão, pensando no que realmente aconteceu, e qual pode ser a melhor atitude num caso como esses... (Alguém sabe me dizer?).
               Eu? Estou aqui, agradecendo pela vida dessas criaturas, que depois de sustos como esses nos fazem parar para pensar que a vida com elas é uma peleja...mas sem, fica difícil de imaginar...
 Mas tudo isso, claro, sem deixar de pensar: porque foi que não segurei firme o suficiente?!... 

 

 

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