O processo de (auto?!)exclusão gerado pela maternidade

        Independente de todas as coisas boas que a maternidade nos traz, é preciso reconhecer, nem tudo são flores... Ou, para os mais românticos, talvez até se possa dizer que tudo são flores, mas elas tem sim, alguns bons espinhos... E dentre esses espinhos, está o processo de “exclusão” gerado pela maternidade!
        Sim, no pós-parto já se inicia esse processo, especialmente para a mãe... 
        Primeiro pelas dificuldades de deixar o bebê para fazer as coisas. Ela pode não ter com quem deixar (ou optar por não fazer isso)... E mesmo que tenha, como participar de programas, sem o filho, que durem mais do que o intervalo entre as mamadas (que na livre demanda pode nem existir)?  
        Teatro, shows?! Difícil! Cinema?! Cinematerna, uma vez no mês, muitas vezes naquele filme que você não está nem um pouco afim de assistir, mas vai, pelo menos para tentar conhecer pessoas e conversar um pouco  (ás vezes durante o filme, se ele for muito ruim! Rsss...). Baladas? Eu nunca gostei muito delas, e não bebo, mas para mamães que gostam de ambas as coisas, fica a pergunta: e a mamada da madrugada?! Rsss...
         E aí, por mais que nos digam, depois de ter um filho, que o tempo do pós-parto passa rápido, enquanto a gente vivencia o processo, não é assim que a gente sente! Mesmo quando se torna mãe do segundo filho, e racionalmente já sabe disso! Rsss...
         E depois? Ah, se você continua sem querer deixar, ou se não tiver quem fique com as crianças, não muda muita coisa, já que muitas programações continuam a não te pertencer mais... e aí?  Ué, e aí, dá-se um jeito, né?!... Mas qual?!
          Olha que eu sou daquelas pessoas que defendem que é possível fazer muitas coisas com crianças pequenas! (Acho que até pouco tempo, antes de ter três, achava que podia fazer QUASE tudo...) Sim, por aqui, fazemos muita questão de fazer tudo que é possível com eles... Mas... tem coisas que tenho que reconhecer, não dá! Ou pelo menos não são tão fáceis de se administrar!
          Viagens? Sim, é possível, e por aqui, adoramos viajar em família! Mas descobri, na última viagem que fomos para praia, de avião, com os três, que dois adultos para três crianças menores de 5 anos, em alguns momentos, pode causar a breve sensação de que se poderia descansar mais se não estivesse de férias... Rsss...
          Restaurantes? Jantarzinho romântico com bebê que chora porque quer peito, ou comer enquanto alimenta um bebê que joga tudo no chão e passa comida no cabelo pode não se tornar “aquele” programa que você tinha imaginado!
          Festas?! Em geral, de aniversário infantil! E é aqui que você descobre que aquelas festas que ás vezes você achava um saco quando não tinha filhos, eram ótimas, já que, afinal, você podia sentar, comer e conversar, ao invés de correr atrás de criança, colocar e tirar menino de brinquedo, etc., etc., etc. Mas não é possível ir em outras festas? Claro que dá, mas se não tiver algum atrativo para eles, difícil também de mantê-los acordados ou com bom humor por muito tempo!
          Até rezar fica difícil... Quem tem o hábito de levar crianças pequenas na missa/culto/passe ou seja lá o que for, que demore por volta de uma hora, pode, com certeza relatar que, às vezes, ao invés de rezar, peca, de vontade de esganar aquele pequeno ser que não dá sossego, nem para você, e ainda menos para os outros, que também acabam por se esquecerem da reza e gastam o tempo e a energia olhando com cara feia para você e para seu filho....!
          Ah, nós sempre gostamos de ir pra casa de amigos...! Hein? Amigos? Nos habitats de pessoas que ainda não tem filhos, por mais comportadas que as crianças sejam (e as minhas até são!), pode ser difícil de administrá-las! Esses dias, fomos visitar recém-casados da família, e depois de um hora e meia de visita, cheguei em casa com o pescoço duro e dor de cabeça, de tanta tensão! Sim, o casal é super de boa, tinham brinquedinhos e são uns fofos com nossos filhos... Mas ap. novo, móveis novos... E, de repente, o menino desequilibra e quase derruba o vaso da decoração, e a outra deita no chão e quase encosta o pé na parede, e a mãozinha suja de bolo quase encosta no tecido do sofá... Diz marido que eu sou muito estressada. Será?!
                Enfim, acaba que a melhor programação, no meu ponto de vista, a maior parte das vezes (que fique claro que não é a única!), mas especialmente se você for do tipo que não tem como ou não quer sair sem seus filhos, seja compartilhar a companhia de outros seres (ou até mesmo grupo deles, quem sabe?!) como você: MÃES (e também pais, porque não?!)! Esses seres estranhos que, como você, talvez, tenham a capacidade de estarem em ambientes caóticos e barulhentos, comam comida babada (e ás vezes do chão), toleram uma conversa que é interrompida milhares de centenas de vezes, tenham a disposição de suportar brigas e choros por brinquedos, e todos os outros incômodos gerados por esses seres chamados crianças! Pessoas das quais os filhos podem até se tornar amigos dos seus... Pessoas que optaram pela maluquice de se tornarem pais e, pior, curtem a maternidade, mesmo com todo o processo de exclusão (ou o que alguns poderiam chamar de auto exclusão... será?!) que ela pode gerar! E mais: tudo isso com a alegria parecida com a proporcionada por uma balada-cinema-festa-show, etc.etc.etc... Se é possível encontrar muitos seres desse tipo por aí?! Me digam vocês...  

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