"Um" relato de parto!

22.03.2016

         Oba, relato de parto em dose dupla! Sabe aquelas pessoas que a gente passa a encontrar, assim, aleatoriamente e, do nada, parece que já faz uma vida inteira que a gente conhece?! Essa é a afinidade que eu sinto por Susan! Igor, o filhote?! Gente, ele me encantou e cativou desde a primeira vez que vi! Sério, foi amor à primeira vista! E é a história deles, linda, dela, do Igor, e da Maria Clara (ué, ela chegou primeiro, como não?!) , que a gente tem hoje aqui, no ExpoMaterna! A começar pela foto maravilhosa aí debaixo! Ai, como eu queria ter tido meus pais assim, comigo, num momentos desses!!! É belezura demais, tanta que eu chego a arrepiar! Gratidão Susan, pela confiança de compartilhar a sua história com a gente!!!"

 

1º PARTE:
         Não posso começar o relato de parto do Igor, sem antes fazer o da Maria Clara, que comecei e parei algumas vezes.
         Tem gente que acredita em sorte, coincidência, religião, enfim, sei que muitas coisas acontecem com ou sem explicações reais. A Maria Clara não foi planejada, simplesmente aconteceu... Eu tinha ovários policísticos, meu marido 25% de chance. Se pensarmos nossas chances em sermos pais um dia, não seria nula, mas as vezes teríamos que recorrer a medicina. Sorte? Coincidência? Era pra ser? Sei lá! Então prefiro romantizar, e dizer que estes dois anjinhos que completam nossas vidas estão aqui pelo amor.
          Desde os 19 anos tomava remédio, até mesmo para controle, devido a ter ovários policísticos, mas simplesmente parei de tomar em janeiro de 2013, para ver como meu corpo reagiria sem o contraceptivo. Mas neste período, conheci meu marido, e “vacilamos” uma vez, falei que iria tomar o tal “remédio do dia seguinte”, não comprei, esqueci, até mesmo porque não acreditava que ficaria gravida assim tão rápido, devido a nossa situação(ovário-25%)!!!
            Atrasei alguns dias, mas resolvi fazer o teste de farmácia, o famoso xixi no palito. Fiz numa tranquilidade, só para aliviar a consciência, no banheiro do meu trabalho. Eis que... os dois risquinhos ficaram vermelhos, não acreditava, chamei uma amiga (verediana), e ela me disse: “su, você está gravida!”, chorava e ria, alegria, susto, até alivio. Precisava falar com o futuro papai, tinha que ser pessoalmente, mas estava muito ansiosa, falei que era urgente. Devo ter enlouquecido ele através das mensagens.
           Fui ao laboratório fazer o exame de sangue, para ter certeza. Não aguentei, e contei para o Richard, e que estava aguardando o resultado final, ficamos de nos encontrar no laboratório. Ao pegar o exame, aquela tensão... positivo! Pirei, comprovado, seria mamãe! O Richard mais sensato, e até parecia tranquilo, acho que estava atônito, tentando me acalmar(ele=razão  eu=emoção). Não aguentei, e contei para minha mae, também enlouqueceu de alegria! Tinha que contar para meu pai. Ai sim a coisa complicaria.
            Detalhes relevantes:
- um mês antes meus pais foram para os EUA, e sem motivo algum minha mãe comprou um vestidinho de bebe lindo, como se soubesse que isso aconteceria
- no dia do resultado pela manhã, minha mãe disse: “nossa, seus seios estão grandes!”
            Hora de contar para meu pai. Era um drama?! Sim era, mesmo com meus 31 anos. Eu morava com meus pais, tinha pouquíssimo de tempo de namoro, e nem  se conheciam. Confesso que me divirto lembrando da reação dele, foi divertido, mas depois fantástico, muito acolhedor.                  Meu pai tem dessas coisas, um tipão Ogro, mas que está sempre me surpreendendo.
Engraçado, por mais que estivesse comprovado que estava gravida, só começou a fazer sentido ao ver a barriga crescendo, e mais concreto ainda quando o bebe nasceu. Obvio! Mas o sentimento de um ser que crescia no meu ventre, muitas vezes era assustadora. Conversar com a barriga?!                    Achava ridículo, mas conversei um pouco. Amar aquele ser, que nunca vi? não sabia quem era! Não conseguia dizer isso, e me sentia péssima, porque várias vezes, ouvi outras pessoas dizendo que amavam seus filhos ainda na barriga, vi até pessoas chorando! Me sentia a pior mãe do mundo. Hoje dou risada. No meu caso, este sentimento começou a se formar a partir do nascimento, assim que a peguei em meus braços, já tive uma explosão de amor, claro que estava sobre o poder da ocitocina, mas dia após dia, aprendia a amar e conhecer aquela pequena. Aliás até hoje! Me pego várias vezes olhando para meus filhos quando estão dormindo, e pergunto: “quem são vocês?!”
             Tive uma gestação muito tranquila, com um desconforto, ou melhor dois, queimação horrorosa e a libido que diminuiu.
             Precisava escolher o médico, algo muito importante, já que sempre tive comigo que teria parto normal, abominava a ideia de uma cesárea, (claro, se fosse necessária, não colocaria em risco a minha vida ou do bebe). Tinha uma ginecologista já de longa data, comecei o pré-natal com ela, e falei sobre o parto que deveria ser normal.
           Uma amiga, Raquel Peppe, me incluiu no grupo Bom Parto, quando soube da minha gravidez. E comecei a frequentar os encontros, e me encantei, era esse tipo de apoio e equipe que precisava, foi neste grupo que tive acesso e conhecimento sobre parto humanizado. Estava decidida, louca para a próxima consulta e demonstrar o que queria, nada de intervenção, nada de me dizer como deveria ficar, nada de empurrar minha barriga. Ao encontrar com a medica deixei claro o que queria, mas ao finalizar a consulta, ambas percebemos que aquele seria nosso último encontro.
         Precisava encontrar um novo medico, por tem convenio, pesquisei algum que fosse humanizado, encontrei, gostei! Tivemos sintonia, em cada consulta levava alguém, meu marido, minha mãe, meu pai. Expliquei a este profissional porque o procurei, e demos continuidade ao pre natal, mas não estava satisfeita por completo, mas era o que tinha naquele momento.
        Em um dos encontros do grupo Bom Parto estava presente a dra. Luanda ( o anjo, ser iluminado, sem comentários, se não vira uma babacao rs), que me daria a segurança de ser respeitada por completo,  me lembrei que havia estudado com a irmã dela, e ela com meu irmão. Achei o máximo vê-la. Mas não atendia pelo convenio.
         Nessa troca de médicos, já tinha informação suficiente pra saber da importância de ter uma doula, e no caso tive o prazer de conhecer a Raquel Loureiro, que me acolheu. Vou dizer que o mais importante, na verdade não e nem as informações técnicas, e sim este amparo, sentimento de proteção que estado do nosso lado, e que faz toda diferença.
         Vésperas do parto:
         Em um belo sábado (no caso 09/03/2013), tive uma super programação,  isso com 36s 5dias; a tarde fui à casa de uma amiga, a noite fui ver o show da Tie no Campus Umuarama UFU com minha amiga Erikita, depois fui a um barzinho encontrar meu marido e seus amigos, ficamos até umas 2:30. Nesta época não morávamos juntos, mas ia nos fins de semana.
         Domingo (10/03/2013), por volta das 6:00 levantei para ir ao banheiro, achando que tinha feito xixi dormindo, minha calcinha estava um pouco molhada. Olhei, cheirei e nada estranho, mas senti uma leve cólica. Mandei uma mensagem pra minha doula, fiquei quietinha deitada no sofá.            Lembro de ter um sentimento, que seria aquele dia. Algum tempo depois a doula me respondeu, pediu para que ficasse no chuveiro por uma hora, poderia ser apenas os famosos prodromos, se não passasse as cólicas, que ficasse atenta, de quanto em quanto tempo estava aparecendo. Entrei no chuveiro e fiquei, o ruim foi o que rolou de desperdício de agua. E as cólicas não passaram e comecei a anotar o tempo, comuniquei ela novamente, percebemos que estava em trabalho de parto. Liguei pra minha mãe e pedi que me buscasse, precisava organizar as coisas necessárias. Acordei o Richard dizendo: “amor, to vazando”; Ele disse:” vazando? Vazando o que? A torneira?”. Sempre fazendo piadinha!!! Pedi que fosse comprar a piscina, não tinha feito nada.
          Na verdade, não contava que entraria em TP com 36 semanas. Minha mãe me buscou, no meio do caminho falei que estava com fome, acordo faminta, passamos na padaria e compramos pão de queijo, a moca do caixa disse: “nossa que barriga linda! Ta quase ne?!”. Eu:”sim, to em TP!”. A reação dela foi de choque. Eu estava numa tranquilidade, inacreditável, porque o meu normal e de agitação, ansiedade, e durante essa gestação o mundo podia estar acabando, que me mantinha com a mesma serenidade, tirando os surtos de loucura, mas faz parte das mudanças hormonais. Pegamos tudo e voltamos para o apartamento, sem falar nada ao meu pai, para que não apavorasse, ele poderia até me desestabilizar.
           Fiquei tranquila no decorrer das horas seguintes, queira curtir cada momento, e que fosse eu e meu marido, para que ficássemos na mesma sintonia. Ia informando a doula, o que ocorria, o tempo das contrações. Por volta das 11:30 liguei pra ela, e me fez a pergunta perfeita para o momento perfeito: ”Susan, você quer que eu chame a Luanda?”. Falei com meu marido, pedindo o consentimento, e concordou já que esta era minha vontade. Tanto era que este tempo todo, não havia acionado o médico que me acompanhava, tinha medo de ir para o hospital e passar todo meu TP lá, sem necessidade. Detalhe, a Luanda só acatou nos 45minutos do segundo tempo, porque já sabia do meu caso.
           Meu marido resolveu fazer uma sopa de legumes por ser mais leve, mas nesse momento as dores só aumentavam. Entrei no chuveiro, só a agua pra relaxar, ou amenizar, cheguei a vomitar de dor. Deste momento até o nascimento, tenho poucas lembranças, já que estava na tal “partolandia”. Claro que não consegui tomar a sopa, fiquei igual louca andando de um lado para o outro, deitava, levantava, não tinha posição. Acho que ao 12:30, meu marido avisou meu pai e pediu que fizesse contato com a doula para que fosse a nossa casa. Quando a Raquel chegou, meu marido estava levando as coisas para o carro. Tinha até começado a encher a piscina para facilitar.
            Outro momento divertido, estava lá, abraçada com a Raquel, me dizendo coisas bonitas, para me conectar com o bebe, meu marido entra, olha aquela cena, e faz umas caras engraçadas e gestos com as mãos, do tipo : “anda logo, vamos para o carro”. Ao tentar andar, travei, falei que estava com vontade de fazer forca, só podia ser o processo expulsivo. O Richard teve que me levar até o carro no colo, descendo escadas! Ainda bem que era só um andar. Entramos no meu carro(um FIAT UNO) Eu e o Richard na frente, a Raquel e a piscina atrás!!! Precisava de uma foto para registrar, só dava pra ver a cabecinha da Raquel atrás no meio da piscina.
           Ao chegar no hospital a dra. Janete estava de plantão, e foi me examinar até a Luanda chegar, lembro que disse que o neném já estava quase nascendo, que dava pra ver a cabecinha.                 Acreditávamos que seria rápido, já que estava no processo expulsivo, nem a piscina meu marido tirou do carro. Mas estava muito fraca, e sentindo muitas dores, não conseguia mudar de posição, nem ir para o chuveiro consegui. A Luanda decidiu devido a fraqueza colocar um soro, glicose, para dar uma animada e conseguir fazer forca. O máximo de posição que foi possível mudar, foi colocar a banqueta na maca mesmo.
            Em momento algum desisti, ou pedi cesárea, mas fiquei neste processo expulsivo por umas duas horas.
           O tempo todo estavam ao meu lado, a doula,  meu marido, e a Luanda, e como pediatra de plantão, que no caso tive a sorte de ser a dra. Lidia, minha mãe entrando e saindo pra apoiar e dar notícias ao meu pai que estava na capela.
           Mas já estava esgotada, em um certo momento a Luanda me pediu que na contração seguinte fizesse mais uma forca, que sentisse os cabelinhos. Não deu outra...as 15:51h minha pequena nasceu, instantaneamente a dor passou, não sei explicar, estava tudo certo, era só alegria. Meus pais entraram, e o time estava completo, os profissionais e a família, achei maravilhoso meus pais estarem por perto, sentindo com toda intensidade aquela emoção. Lagrimas de alegria naquele ambiente, transbordavam, lindo, da vontade de chorar, só de lembrar. Minha pequena veio com tudo procurando meu peito. Poucos minutos depois a placenta saiu intacta, perfeita. Sei que parece estranho mas achei linda, uma arvore, só que da vida!
          Tive laceração natural, mas que ali rapidinho a Luanda deu 4 pontinhos, e estava certo.
Fiquei um bom tempo com minha pequena. E muito estranho, vem várias sensações, e parece que do nada, ficamos sem reação alguma, como se não fosse real.
          Isso aconteceu em um domingo qualquer para muitos, mas no meu caso, não foi um dia qualquer, quero lembrar e relembrar.
           Foi fácil os dias que se passaram? Nem um pouco. Noites em claro, banhos rápidos, comia quando tinha oportunidade, enfim, o que consideramos trivial, passou a ser uma conquista.

2º PARTE:
         Os dias foram passando, a vida se ajeitando, conversando com meu marido, percebemos que não poderíamos ter um único filho, nem deixar uma distância muito grande, apesar que não era o momento financeiramente. Mas parei de tomar remédio, acho que em janeiro de 2014. Por volta de outubro, comecei a ficar incomodada por não engravidar, cheguei a mandar mensagem pra Luanda, e ela toda serena e especial, me disse pra ficar tranquila, que meu anjinho viria na hora certa.
          Janeiro de 2015, menstruacao atrasada poucos dias, mais uma vez no meu trabalho decidi ir até a farmácia e comprar o teste, fiz... esse era diferente, ele aparece os dois risquinhos, um claro e outro escuro, achei que estava com defeito, mas já quase dando pulinhos de alegria, mas na dúvida. Chamei uma amiga de trabalho, Dona Helen, ela começou a rir e disse:” Susan você está gravida! ”. Mais uma vez uma notícia maravilhosa, não conseguia trabalhar direito, mandei foto do teste para meu marido, minha mãe estava de férias em São Paulo, mas mandei recado pela minha tia, liguei para meu pai avisando que seria vovô novamente. E claro avisei a Luanda.
          Mas nessa gestação, tinha um pequeno probleminha, o cenário para o parto humanizado era outro, o hospital não abria mais as portas para parir. Mas isso e uma  longa história. Mas só um parêntese, fechou as portas o hospital, mas não o movimento, aliás essas portas foram fechadas justamente porque o movimento estava crescendo, e para o bolso deles não muito legal.
         E agora, como e onde parir?!
         Os outros hospitais diziam estar de uma certa forma de portas abertas ao humanizado, com algumas regras, quer dizer, limitações, limitar não me parece ser muito humanizado. Não aceitava a ideia de ter uma gestação sem risco, poder parir numa boa, mas as vezes ter uma intervenção desnecessária, precisava entender melhor sobre o parto domiciliar. Tinha apenas uma  ideia romântica dos vídeos e relatos que acompanhei. Meu marido que e mais pé no chão, chamou minha atenção para os detalhes técnicos, até mesmo porque tinha receio.
          No acompanhamento do pre natal, a medica ia sanando todas as minhas dúvidas, me alertando.
          Era preciso ter uma equipe, no caso a Luanda continuou como medica, a Luana-enfermeira obstétrica), a Kelly como doula nessa gestação e o Ze Neto como fotografo. Parecia tudo perfeito, gestação sem risco, equipe montada, mas precisava do apoio dos meus pais, eles são fundamentais nas minhas decisões, e meu marido ao meu lado. Meus pais tiveram bastante resistência no início, pra não me afetar tanto emocionalmente decidi “tapear” eles quanto ao assunto. Meu marido também teve uma certa resistência, mas sabia que não teria nada que me fizesse mudar de ideia, e respeitou minha decisão.
           Fisicamente, estava em perfeitas condições, emocionalmente despedaçada. Não tinha meus pais como parceiros em algo tão lindo que era o nascimento do meu filho, e por saber que as vezes não teria meu marido ao meu lado, já que estava prestes a se mudar para São Paulo. O emocional acaba refletindo no físico, gripei umas 3 vezes, tive sinusite, minha imunidade estava muito baixa.
            Um dia meu pai me desmascarou, e contei que se tudo estivesse bem , o parto seria domiciliar, conversamos de uma forma bem tranquila. Meu pai tem dessas coisas, me surpreender de forma tão linda!
           Ufa! Tinha um apoio, faltava minha mãe, também me surpreendeu, mas não da forma que eu gostaria, aceitava, mas não concordava por nada, tentei mostrar todas as evidencias positivas, mas só discutíamos. Eu a entendo, mas foi difícil.
          Meu marido foi embora e combinamos que a qualquer alerta do TP ele voltaria, dependendo do dia e horário,  se seria de carro ou avião. O plano estava feito!
         Com quase 37 semanas afastei do meu trabalho, estava muito cansada, e tive algumas contrações perturbadoras, jurava que quando sentia estava em TP. Acho que a Luanda queria me esganar,  quatro horas da madrugada eu mandando mensagem, e ela toda atenciosa respondia logo em seguida, me pedia pra mudar de posição, entrar no chuveiro que estava tudo bem.
         Dia 07/09/15 feriadão, marido em casa, tudo uma beleza, até que... meu tampão saiu! Confesso que fiquei super empolgada, mesmo sabendo que poderia ser até duas semanas pra frente. Em todo caso avisei toda a equipe. O marido decidiu ficar mais aquela noite, na possibilidade que o neném viesse a nascer. Noite tranquila.
         Dia 08/09/15, fomos comprar um ventilador de teto, estava muito calor, no meu estado então, parece que aumenta a sensação térmica. E o marido foi embora as 14:30h.
Me sentia muito cansada nesse dia, decidi dormir na casa dos meus pais.
          Detalhe, por volta das 3:00a.m., minha filha acorda chorando sem parar, gritando sem explicação alguma, minha mãe a levou para dormir em outro quarto. E no dia que o tampão saiu, ele teve febre do nada, somente no dia. Achei meio sensitivo por parte da minha pequena.
3:30 – senti cólicas, mas como já tinha passado por isso antes, mudei de posição e dormi.
4:30 – cólicas novamente, virei para o outro lado e dormi.
5:20 – cólicas, comecei a achar chato, mas não fiz contato com a medica, não achei necessário, mas mudava de posição e não passava, mas cochilei um pouco. Mas as 6:00 levantei e fui tomar banho para que passasse as cólicas. Probleminha... não passou! Fiquei até as 6:20. Ao sair minha mãe estava acordada e falei:” e hoje”. Fui para cozinha tomar meu café da manhã, e as dores continuaram com uma certa frequência.
6:24 – enviei a seguinte mensagem para a Luanda:
          “Luanda bom dia, só to atormentando pq hj ta diferenciado mesmo. Ta bem intesa as dores, já ta dando pra virar os olhinhos, pressão no anus... começou sei la umas 4, mas comecei areparar e dar moral a partir das 5, ta foda. Quer que tome algum remédio de dor pra ter certeza, tem algo a mais pra constatar que e TP? Pq o Richard ta em americana, mas iria agora pra sampa”
6:40 – liguei para meu marido, e pedi que voltasse, nosso bebe chegaria naquele dia.
         Sabia que seria naquele dia, mas que estava no começo, tentei ligar para a Luanda mas não consegui contato imediato. Liguei para a kelly em seguida para a Luana, dizendo que estava indo pra casa e iria aguarda-las.
         Minha mae chamou meu pai as 6:50, ele me abracou e desabei.
         As dores intensificavam a cada minuto, quando percebi automaticamente já estava vocalizando, o que assustou muito minha pequena. Gostaria muito que a maria Clara estivesse presente no momento, mas já estava no horário da escolinha, e sabia que já estava parindo, não consegui raciocinar e pedir pra que levassem ela pra casa comigo.
07:00 – meu pai me levou para casa
          Nesse trajeto, liguei para meu marido de novo, e disse que não daria tempo, pois já estava quase nascendo, meu corpo já me dizia.
         Ao chegar em casa, não deu nem cinco minutos a Kelly chegou, pedi  que ligasse para o Zé Neto. Pouco tempo depois a Luana chegou.
         Estava sem lugar, fiquei entre a cama e a parede encostada, de repente... “ploft”, juro que fez barulho, a bolsa estourou. Que sensação gostosa, lembrei de uma amiga nesse momento, a Mariana Paranhos, que quando rompeu a bolsa se sentiu aliviada, achando que estava fazendo xixi.
        Nessa hora meu pai saiu, era muita informação. A Luana me examinou, ali do jeito que eu estava em pé, e me disse com a carinha mais boa: ”Susan e só fazer forca”, e me perguntou como queria ficar. Só olhei para o lado, vi minha cama, e fui de gatão, e assim fiquei por um tempo.                  Minha mãe já estava em casa, louca para ir embora, mas nem deu tempo. Lembro da Luana fazendo acrobacia, subia na cama de um lado para o outro. Ah!!! Detalhe, mais uma vez a piscina foi só um enfeite. Se eu tiver outro filho, não quero nem lembrar que piscina existe. Comecei a perder as forças nos braços que estavam de apoio, e a Kelly me deu agua com açúcar, orientação da Luanda e Luana. Perguntei pela Luanda, me disseram que estava chegando, parecia que só esperava ela chegar.
 
       Luanda chegou!!! Virei de frente, faltava pouco. Fiz uma forca e a cabecinha saiu com uma circular, e a mãozinha entre o pescoço e o cordão, mais uma forca e pronto...
7:42 meu pequeno Igor nasceu. Lindo!!! 3.460kg, 49cm.
         OBS: nas visitas de pós-parto da Luanda e da Luana, elas me contaram o porquê da agua com açúcar. Enquanto a Luana estava monitorando os batimentos do bebe, em um momento caiu para 60, e que provavelmente por isso nasceu com a cabecinha roxa, e não por conta da circular, ao verificar novamente estava tudo bem.
          Ao nascer veio para meus braços e ali ficou por um bom tempo, a placenta mais uma vez saiu intacta. Pouco tempo depois o Zé Neto chegou. De uma certa forma lamento não ter tido a oportunidade de filmar o parto, mas com certeza nunca vou esquecer, nem dos detalhes, já que nem entrei na Partolandia. Meu pai chegou, e teve a oportunidade de cortar o cordão umbilical.
        Meu marido não estava presente, nem era possível, as vezes se fosse rico e tivesse um jatinho!!!
        Sofri muito no fim da gestação ao pensar que meu marido não estaria comigo, mas por incrível que pareça, esse sentimento nem apareceu. Acho que devido a situação, foi tudo tão rápido, o que ele poderia fazer?!
     
  O pós-parto tranquilo, apenas algumas cólicas desagradáveis seguidas de vômitos, mas nada anormal. No dia seguinte estava fazendo almoço!!! Levei uns puxões de orelha, mas me sentia tão bem!
       
 Minha pequena teve uns dois dias de transtorno, mas que passou, ela e um amor e louca com o irmão.
         Acabou dando tudo certo, como deveria ser, e não apenas como eu havia planejado. Queira que fosse perfeito, mas o que e perfeito?! Na verdade hoje vejo que o perfeito e o que se vive, não exatamente o que planejamos. Que bom quando o planejado se torna “perfeito”.
         Relato pequeno ne?! Ou seja, lá o que for isso, apenas me deixei levar.
         Agora preciso manifestar minha opinião e gratidão pela equipe.
         Vou começar pelo Zé, já que esqueci dele por um momento. “Ah ele e só o fotografo”, se pensarmos na profissão dele nua e crua, sim. Mas que fotografo se deixa levar por um trabalho tão íntimo, tão delicado como este, que é justamente retratar algo tão lindo como o nascimento. Me acompanhou a gestação inteira, conversamos, trocamos figurinhas de outros assuntos.
Luana ( enfermeira obstétrica), tão delicada, tão atenciosa, estivemos juntas apenas em duas consultas, no dia
e pós-parto. Na primeira estava com meu marido, na segunda estava com minha mãe, e conseguiu passar um pouco de segurança sobre o parto domiciliar. Eu gostei logo de cara! Pena que não tivemos outros encontros. Não vou esquecer dela passando de um lado a outro por cima da cama. Tive ela no decorrer do pre natal e parto, uma profissional seria e de entrega.
 
Kelly (doula), pra começar me apaixonei por esta profissão, que não e para qualquer pessoa, tem que ter sensibilidade e percepção do casal além do normal. Saber que não irá tratar o casal X como trata o casal Y. Tivemos um único encontro antes do nascimento em minha casa, meu marido estava presente e o gelo foi quebrado tão suavemente, com gargalhadas e suco de limão com cenoura. Foi só um encontro, pois, já era minha segunda gestação e era difícil nossos horários não batiam. Mas deu certo. Quando estava sofrendo ao pensar na ausência do meu marido, fiz um grupo entre nós, para que me ajudassem com apoio, e ela cantou uma musiquinha, com palavras poderosas, cantei várias vezes, que é assim:
               “Abro a janela do meu coração
                Abro a janela do meu coração,
                Entrego, confio, aceito e agradeço,
                Entrego, confio, aceito e agradeço. ”
         Graças a ela tenho algumas fotos e filmagem no dia do parto.
         E pra finalizar Luanda( medica), me agarrei nessa mulher, desde que fiquei sabendo da gravidez. Qualquer dúvida, estava lá, eu mandava mensagem qualquer hora, e tinha uma resposta, ou melhor atenção em seguida. Foi minha psicóloga gestacional, inevitável. Presente, preocupada, nem um pouco distante, não tem nada desses médicos tradicionais. Quem dera tivéssemos mais “Luandas” por ai! Todas as gestantes teriam acesso a informações coerentes, verdadeiras, e poderiam simplesmente parir.

 

        Obrigada, obrigada, obrigada, a estes profissionais tão maravilhosos.
        Obrigada minha mãe, que mesmo contra a minha decisão não me abandonou. Se manteve distante quanto ao assunto durante a gestação, mas ao mesmo tempo presente, como sempre.
        Obrigada meu pai, sem palavras, como já disse antes, sempre me surpreendendo, foi parceiro quanto a minha decisão, apesar do receio, e parceiro no dia até onde aguentou.
        Obrigada meu marido, meu amigo, amante, psicólogo, “brodi”, pai dos meus filhos, que mesmo com todo receio não de opôs em nenhum momento.
        Obrigada minha pequena Maria Clara, e meu pequeno Igor, meus grandes amores, por terem me escolhido a ser mamãe de vocês! Minha lição de vida diária.

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