Planejando a gestação: a escolha do obstetra!

       Falta exatamente um mês e quinze dias para que o meu pequeno ser complete um aninho! Sim, já faz quase um ano que eu passei pela experiência mais linda da minha vida! Nossa, pensei agora: o que os meus outros dois filhos pensarão quando um dia lerem isso aqui?! Então que fique claro: cada momento é único, o nascimento de cada um deles foi especial e, a seu modo, contribuiu para que eu seja a mulher e mãe que eu sou hoje... Mas... a experiência do meu terceiro parto foi mesmo INCRÍVEL, no sentido mais literal que essa palavra pode ter!
         Então, nesse clima de recordar para reviver no coração esse momento, vem por aqui alguns posts para compartilhar com vocês o processo que resultou em tudo isso!
         Então, vamos começar do começo: do planejamento da gestação!
         Ah, claro, terceiro filho, o que a gente mais escuta quando conta que está grávida é: “nossa, foi planejado?!”... Essa pergunta é até boa, pior é quando dizem: “Você queria?!” Rsss...
          Sim, Ulisses foi planejado e desejado, assim como meus outros dois filhos.
          E desde quando eu decidi me tornar mãe, um dia, num futuro que eu nem sabia quando seria, a minha primeira preocupação foi procurar um profissional no qual eu pudesse confiar, e que eu sabia que iria respeitar meu desejo de um parto normal.
          Na época eu ainda não sabia o quanto a cultura cesarista predominava, mas já tinha ouvido falar dos muitos obstetras que não “faziam” nenhum parto normal! A minha GO da época era uma delas... Nas conversas de consultório, nenhuma criança tinha efetivamente nascido! Uma vez até ouvi o seguinte: “Ah, a doutora x é ótima, super eficiente, ela é conhecida como a que faz as cesáreas mais rápidas aqui no hospital!”... Vixi!
          Eu já ouvi várias mães por aí justificando a realização de cesáreas por motivos diversos, mas como confiar em um obstetra que não tem nenhum parto normal sequer na lista de pacientes?!
           Confesso, chego a ficar com raiva quando ouço alguém dizer: “ah, eu queria parto normal, mas meu médico disse que o bebê... era cabeçudo/muito grande/muito pequeno/estava passando da hora/ tinha muito líquido/tinha pouco líquido/estava com o cordão enrolado/ blá, blá blá...”
          Raiva?! Sim! Em alguns casos, raiva das mães, que não queriam MESMO parir de jeito NENHUM... Não por isso, afinal, apesar de achar essa decisão frustrante (mesmo sendo dos outros! rsss), acho que cada um deve saber o que faz né!? Sei lá...rsss...! Mas raiva pelo fato de não assumirem isso, e acabarem por ajudar a disseminar esse monte de bobagem que contribui para a reprodução da cultura equivocada de que as cesáreas são o jeito mais evoluído e seguro de se ter um filho!
          Mas tenho mais raiva ainda dos tantos médicos, que acabam engambelando mães que, por falta de informação, caem em toda essa conversa... E, como não cair?! Ah aquele(a) GO fofinho(a) atencioso, ele estudou e deve saber o que está falando né?!SQN... Rss...
          Sério, fica a dica: se você quer um médico que te deixe parir, CONHEÇA pessoas que tenham parido com ele e descubra como foi! É o meio mais seguro de não ser enganada!
           Nosso caso foi esse... lá quando começamos a pensar em casamento e, obviamente na possibilidade real de termos filhos, já fui atrás de uma médica que tivesse referências positivas... A ideia ainda era esperar um bom tempo até engravidar, mas achava que era importante ter intimidade e conhecer melhor essa profissional que iria me acompanhar nesse momento tão importante! E foi isso que eu fiz: procurei uma nova médica, de amigas que tinham realmente parido! 
           No nosso caso, foram mais de cinco anos de consulta com essa médica antes de engravidarmos... Enfim, pra gente, além de saber que essa médica acompanhava partos normais, todo esse tempo com ela foi fundamental para acreditarmos e aceitarmos que o nosso primeiro parto, uma cesárea, foi, de fato, uma indicação real (Porque isso, infelizmente, também pode acontecer!).
           Ok, nem todo mundo tem esse tempo pra conhecer um médico, mas isso não é desculpa né gente?! Conheço muitas (sim, muitas!) mulheres que já estavam com mais de 30 semanas de gestação e foram a procura de novos médicos, porque só então perceberam que era impossível parir com os GOs que as acompanhavam!
         Algumas pessoas perguntariam assim: mas como parir com alguém que a gente acabou de conhecer? Na minha opinião, considerando claro, indicações de bons profissionais, melhor o prazer da dúvida do que a certeza de uma cesárea agendada!
Enfim, nossa primeira médica nos acompanhou nas nossas duas primeiras gestações. Na verdade, na segunda, ela não estava mais exercendo a obstetrícia no consultório (o que até hoje eu lamento!), mas manteve o compromisso com a gente de nos acompanhar numa tentativa de um parto normal! E assim foi, e eu pari!
          Quando comecei a me preparar para nossa terceira gestação, ela ainda era minha médica. Mas já não acompanhava mais partos. Na verdade, ela até comentou sobre a possibilidade de me acompanhar novamente, mas o movimento e disponibilidade dela já eram outros, e quando me descobri grávida, nossa última consulta foi apenas para agradecer e me despedir!
         Aí passamos a ter uma nova questão: simplesmente não há (ou pelo menos não encontramos) médicos que acompanhem partos normais pelo convênio. Alguns até fazem o pré-natal, mas cobram pelo parto! Enfim, não questiono os motivos dos obstetras, mas é dureza né: você paga um absurdo de convênio, e nas poucas vezes que precisa, não serve! Mas como a opção por parir não era questionável, a decisão por pagar também não foi!
          Muita gente pode dizer: “ah, mas é caro demais!” Ainda precisamos escrever sobre isso (assunto delicado...!), mas pra mim, quando a gente tem um pouco de dinheiro, há a opção de priorizar! Muito mais importante que a decoração do quarto, o enxoval, ou qualquer outra coisa, a garantia de um parto com respeito, sem dúvida nenhuma, vale o sacrifício financeiro! Além disso, sei de casos de pessoas que pagaram o parto em até 12 vezes depois que o menino nasceu... ou seja, pode ser que tenha alguma negociação!
          Para aqueles casos em que não tem grana mesmo, de jeito nenhum, eu ainda recomendaria a opção do sistema público de saúde! Sim, sempre ouvimos os problemas diversos sobre isso (nos hospitais particulares eles não são muito diferentes não viu?!), mas na nossa cidade tem tido um movimento bem interessante no sentido de humanização do parto na rede pública.
          No nosso caso, acabamos optando por ter o acompanhamento de uma médica que não atende convênio, e juro que foi o dinheiro mais bem gasto de toda a minha vida! Não há preço que pague o atendimento cuidadoso, respeitoso, carinhoso que tivemos durante a gestação do Ulisses! Ainda mais com o tanto de perrengues que passamos!
          E o acompanhamento no parto?! A presença firme, mas sutil; o olhar seguro e tenro; a paciência da espera, do não tocar, do acompanhar sem invadir... Ver o pequeno vídeo dos minutinhos antes do Ulisses nascer (feito pela doula e que só agora tenho coragem de publicar! Rss...), com ela lá, na porta do chuveiro, "apenas" observando, me tira o fôlego! Não tenho palavras para descrever...

 

 

 

        Mais amena que o vídeo, mas não menos sincera, uma das fotos que eu mais gosto, dentre os registros do trabalho de parto do Ulisses... O meu olhar para a GO fala por si... e esse relato tenta demonstrar um pouco do meu sentimento de gratidão!

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