Referência Materna

     A referência materna é algo que se leva pra sempre, sentimento arraigado, intrincado, uma coisa difícil de explicar... Quando se vira mãe também, então... isso cresce, fica mais claro, chega a reluzir, transbordar...
                                   E eu fico aqui, me vendo no que já vi, 
                                   Repetindo ao tentar fazer diferente,
                                   Fazendo diferente, no que reaprendi.
         E ainda volto do pediatra pensando em ligar pra minha mãe para dar notícias...
         E me auto repreendo ao pensar o que ela diria ao ver as laranjas perderem, sem que eu faça o tal suco nutritivo pros meninos...
         E vejo o olhar dela quando levo os meninos completamente “molambos” pra escola... Quase ouço: “Ah não Sabrina, como é que você vai sair com esses meninos assim, desse jeito!?”
        E quase escuto o telefone tocar, a cada mesversário por aqui! Só ela nunca esquecia!
        E vislumbro sua cara de orgulho, a cada gracinha nova que eles aprendem...
        E choro... choro de saudades, hoje, que seria seu aniversário de 70 anos... E quando penso que ela nem conheceu todos os meus filhos...          
       Mas quando penso que eles nem se lembrarão da existência dela, quando imagino que ela jamais será referência viva na lembrança das nossas próximas gerações, eis que Helena olha uma foto de uma mulher de bobes em uma revista e diz: “mamãe, a vovó arrumava o cabelo assim né?!” Ou então: “mamãe, lembra que eu brincava de jogo da memória com a vovó?!” E: “olha mamãe, M de Magda”... Ontem mesmo, eu disse: "filha, sua avó vem aqui! (me referindo, obviamente, a mãe do marido!) e ela me olhou com uma carinha mais safada do mundo, e perguntou:"qual vó, a vovó Magda?!, como quem diz: eu não tenho só uma avó, sempre vou ter duas! E aí eu choro, mais! Rsss... E me impressiono com a vontade dela de querer saber da minha infância, de como a minha mãe me ensinava as coisas, com os questionamentos dela do porquê a vovó fazia desse ou daquele jeito comigo... Porque essa é uma necessidade minha, mas que a minha filha conduz, de trazer minha mãe viva, dentro de nós... E brota uma gratidão imensa... por essa convivência, que foi pouca, mas que existiu... e por tudo o mais que nos foi permitido!
       Uma vez, ouvi em um filme, que o que mais desejamos é não sermos esquecidos... Talvez isso faça sentido! Talvez venha daí a necessidade de reconhecermos os nosso ancestrais, e repassarmos aos nossos filhos o que achamos que há de mais importante nessa vida! Quem sabe?!
         O que eu sei é que “saudade” é uma palavra que não consegue descrever todo o sentimento que emana da falta que uma mãe faz...

  

 

​Mãe, daqui te mando um abraço... e o desejo, de sempre, que, para as futuras gerações que seguem, o amor nunca se quebre! Feliz e grata, por trazer em mim muito de ti, e por muito nos ver (ainda que em nossas dificuldades), na nossa menina...!

“O apego não quer ir embora... Diaxo, ele tem que querer”

 

 

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