Presente (pra que e pra quem?) de Dia das Crianças...

               Quando eu era pequena, me recordo bem que, especialmente minha mãe, fazia todo o possível para que criássemos grandes expectativas pelas datas comemorativas: Páscoa, Dia das Crianças, Aniversário...
            Nessas datas sempre ganhei o que eu escolhi! Quer dizer... nem sempre os meus desejos eram exatamente meus. Me lembro de um ano em que no dia das Crianças pedi um personagem da Turma da Mônica, e meu pai apareceu com o Cebolinha vestido com uniforme de futebol! Não era exatamente isso que eu tinha imaginado, mas no fim, achei ótimo ganhar um boneco menino para brincar com as bonecas!
            Me lembro também que num Natal pedi um macaquinho Murf (se lembram disso?!) e ganhei o que era o Xerife! Rss... O macaco vinha com colete de couro e revólver na cintura! Claro que a expectativa era por um Murf fêmea, mas...
            Me lembro também, que apesar de “poder escolher” os brinquedos, para algumas coisas, minha vontade real era simplesmente ignorada, e eu era SU-TIL-MEN-TE convencida a pedir outra coisa! Sei lá, acho que o Papai Noel não conseguia fazer a tempo, ou qualquer outra desculpa desse tipo! Minhas frustrações infantis: nunca tive uma Barbie, nem um Salão de Cabelereiro Super Massa! Acho que minha mãe achava que era muito dinheiro para uma coisa tão sem graça... E nessa história eu sempre era convencida a “escolher” outra coisa.
            Na verdade eu ficava muito mais feliz com tranqueirinhas, como coisinhas de plástico e bonequinhas duras, apesar da preferência dos meus pais sempre ter sido por “brinquedos bons” que brincavam sozinhos: bonecas que cantavam, andavam, soltavam bolinhas e sei lá mais o que! Eu tinha um monte delas! Até empolgava e brincava, mas elas não eram o que eu tinha de mais divertido!
            Lembro da minha mãe reclamando que eu gostava mais das bobaginhas que a vizinha que tomava conta de mim me dava do que dos presentes! Sim, isso era verdade!
            Por outro lado, me lembro de aporrinhar absurdamente para ganhar algumas coisas como o patins, o Fluffy e o Pogobol! Esse último, me lembro direitinho do dia que a minha mãe foi me buscar na escola com ele na sacola!
Me lembro também do dia em que um vizinho meu me contou que o meu pai tinha pegado dinheiro emprestado com o dele para comprar uma boneca que eu queria... Eu devia ter uns 7 anos, rolou a maior culpa, e eu nunca averiguei a história, mas com certeza deve ter sido verdade.
            Agora pensa? Que doideira é essa de pegar dinheiro emprestado para comprar brinquedo?
   
        Sim! Mas tudo isso me ajudou a construir uma imagem, numa época antes de ter meus filhos, que quando eu os tivesse, faria de tudo para dar o que eles quisessem nessas “datas especiais”! A ideia nunca foi encher as crianças de presentes, mas construí a imagem: “Meu pais se esforçaram tanto pra me dar de tudo, que preciso fazer o mesmo!”
            E aí? Hoje eu reconheço que, infelizmente, eu faço (e marido também, em BEM menor grau) com os meninos, o mesmo que os meus pais faziam comigo: influenciamos absurdamente a escolha deles sobre o que pedir/ganhar! Nisso eu ainda não sei fazer diferente!
            Agora em relação a essa postura de achar que tem que dar de tudo, minha visão mudou bastante! Primeiro porque eu acho que é importante explicar para os meninos o verdadeiro motivo da comemoração: Natal não é Papai Noel, Páscoa não é chocolate, e Dia das Crianças serve também para as lojas venderem mais brinquedos! Sim, qual o problema de explicar essas coisas?
            Outra coisa: hoje eu percebo que é muito mais importante os meninos entenderem que não podem ter tudo o que querem (mesmo que algumas coisas não custem efetivamente tanto para nós comprarmos) do que ganharem sempre aquilo que desejam! E como isso é difícil! Pra eles? Não, muito mais pra mim! Tão difícil se libertar do que aprendemos com nossos pais né?!
            É interessante, porque eu percebo, muitas vezes, que a empolgação é muito mais minha do que deles. Por aqui, passeamos tranquilamente nas lojas de brinquedo do Shopping sem que os meninos peçam absolutamente nada! O pior: algumas vezes, mesmo que eles não peçam, a gente compra! O melhor: eles nos mostram, muitas vezes, as bobeiras que estamos dando nessa vida...
            Eu, quando era pequena, adorava montar quebra-cabeças (ainda adoro! Rsss...). Quando Helena ganhou seu primeiro quebra-cabeça, acho que de presente de aniversário, e ela gostou de montar, fiquei super empolgada! Tão empolgada, que na mesma semana, ao almoçar no shopping, comprei outro quebra-cabeça pra ela! Quando ela chegou da escola, contei que tinha uma surpresa e dei o presente! Ela? Abriu, olhou e me perguntou assim: Ué mamãe, eu já tenho um quebra-cabeça! O meu estragou? Porque você comprou outro?! Na maior “semgracesa” do planeta, fui explicar o inexplicável... que aquele era diferente, que o desenho dele era bem legal... Sem comentários né...?!
         Fiquei pensando muito nisso por agora, no que eu tenho feito com eles... Helena está super ansiosa pelo presente de Dia das Crianças, e eu, super incomodada com isso!
       Tem coisas que eles já sabem... e que a gente precisa reaprender para não estragar!

 

 

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