Alexandre Coimbra... mais um discípulo do amor em nosso caminho!

     

 

        Fim de semana passado tivemos por aqui uma oportunidade única, e muita gente tem pedido: faz um resuminho pra gente de como foi o curso com o Alexandre Coimbra!
       Quem é esse? Psicólogo e terapeuta familiar, referência importante sobre gravidez, parto e puerpério, foi palestrante no “Simpósio Internacional de Assistência ao Parto: Ciência, Cuidado e Tecnologia (Siaparto)” desse ano, que ocorreu em São Paulo!
        Pois é, ele estava aqui e tivemos a oportunidade de participar na sexta-feira, eu e marido, de sua palestra sobre a “Dor do parto e a dor no parto”, em conjunto com Dr. Braulio Zorzela (ginecologista que falou sobre Segurança no Parto, com enfoque para a humanização) e a Dra. Luciana Herrero (pediatra que falou sobre a “Hora Sagrada”, ou seja, a importância da primeira hora de vida do recém nascido).
        No sábado ele ministrou o workshop “A chegada dos filhos e a transformação na família – Criação com Apego”.
        Apesar da vontade, reconheço que estava um pouco resistente em me inscrever para o curso. Primeiro porque esse é o tipo de coisa que eu e marido temos prazer em fazermos juntos, e, para isso, havia a questão operacional de como administrar três filhos, além do financeiro... Eu não queria fazer o curso sem ele, não conhecia o Alexandre e ainda tinha uma outra coisa que não me convencia muito – o tema do curso!
        Criação com APEGO? Hum, a palavra me incomodava...Tudo bem, temos aderido por aqui a livre demanda na amamentação, super rola um sling, não deixamos menino chorando desamparado, mas APEGO?! Sim, eu não conhecia nada, e tinha um certo preconceito em relação a essa palavra!
         Fiquei aqui pensando: a birra, claro, vinha do fato de eu não saber nada sobre isso... só aspectos soltos de propostas que nem sempre aderimos, como a questão da cama compartilhada... E ainda parecia ir contra o que temos tentado trabalhar por aqui: a ideia de que criamos os filhos para a vida, para o mundo... (para vocês não darem bobeira, que nem eu, aqui tem um resumo interessante com os princípios da criação com Apego, mas que eu achei isso só depois do curso, ! Informação vai bem né gente!? Rss...) 
        Sei que por conta das referências tão positivas a respeito do Alexandre, não resisti, e decidimos que eu Ulisses iríamos participar, e marido ficaria em casa com as crias mais velhas.
        Gente, valeu demais! Cada segundo (e cada centavo! Rsss...). 
        Difícil é fazer resumo de como foi o sábado! A oportunidade foi como a da Imersão com a Naoli, e o encontro com a Ana Thomaz, os quais já relatamos aqui no nosso site! Sabe o que essas pessoas são para mim?! Eu as definiria como “Discípulos do amor”.              Sinto muito, por mais que a gente tente, não tem como passar o que é um encontro com essas pessoas. A coerência entre o que eles compartilham e a forma como vivem é tão intensa, que nos toca a alma, nos impulsiona profundamente a refletir e se torna um convite a nos transformar!
        De toda forma, vou tentar colocar aqui um pouco do MEU entendimento sobre que foi dito...
        E tudo começou com a explicação do tema do curso, o APEGO, e com isso ele já venceu toda a minha resistência...
        Começou contando que a palavra apego veio da tradução da palavra “Attachment”, mas que a tradução mais interessante seria “vínculos significativos”. Citou como referência John Bowlby e suas pesquisas acerca das crianças órfãs no pós-guerra.                   Outra referência importante mencionada foram as autoras Susan Johnson e Valerie Whiffen, cuja citação resume bem o espírito do curso: “Necessitamos de uma teoria que nos ajude a permanecer focados e atuantes neste drama intrincado, multifacetado e desconcertante, ao qual chamamos amor e pertencimento”.
         De acordo com Alexandre, especialmente em situações de angústia, buscamos as nossas figuras centrais de apego (FCA). Essas figuras podem ser coisas (como por exemplo os objetos pelo quais as crianças tem apego) ou pessoas.
        As figuras centrais de apego costumam variar em cada fase da vida e, como os filhos reconhecem as nossas limitações, precisamos de uma rede de apoio para cuidar deles (o que ele chama de vila), compartilhando a criação.  
        A questão é que ter apoio é diferente de terceirizar o cuidado dos filhos. Sem julgamentos, é possível que os pais não tenham interesse ou disposição para se tornarem as figuras centrais de apego na vida dos filhos. Mas não sendo esse o caso, sacrifício e renúncia fazem parte da vida materna/paterna. Não um sacrifício sofrido, de “oh meu Deus, que vida difícil essa de ter um filho!”, mas a percepção de que não é possível se tornar uma figura central de apego, não é possível criar vínculos significativos com os nossos filhos, se não nos dedicamos a eles, não apenas qualitativa, mas também quantitativamente.
    Claro, nenhum pai ou mãe está presente qualitativa e quantitativamente o tempo todo, e o problema, é que, segundo ele, o que define a nossa vida hoje em dia é a expressão: “eu mereço!”, ou seja, a nossa autoindulgência. Queremos tudo o tempo todo, e por isso é tão difícil sermos pais! Queremos sair, trabalhar, fazer exercícios, manter uma rotina na qual pode não sobrar espaço quantitativo para nossos filhos. Ele discorda do discurso de que pouco tempo, se for de qualidade, é suficiente para a criação de vínculos significativos.
       A nossa alienação como figura central de apego e a perda de intimidade em relação aos nossos filhos, contribui para que não sejamos procurados, especialmente nos momentos de tensão. Assim, nesses momentos, nossos filhos se manteriam distantes de nós, sob o medo de perder o amor, refletido pela adequação e obediência.        Um exemplo disso é quando os filhos fazem algo errado e não tem coragem de nos contar.
    A criação de filhos envolveria um misto de simbiose e separação, num ciclo constante de vinculação – quebra – reparação. As fases mudam, os filhos crescem, e as necessidades em relação aos pais mudam, e esses precisam mudar para permanecerem como figuras centrais de apego.
     Enquanto a criação baseada no autoritarismo, que foi a base da educação de muitos de nós é a educação pelo medo, respeito e afastamento emocional, a criação com apego é a criação pelo afeto.
    Convém reconhecer que esse processo não é fácil, afinal, muitos de nós aprendemos de forma diferente. Eu mesma tenho muita dificuldade, por exemplo, de acolher um filho fazendo birra.
    Vínculo tem como princípios acessibilidade e receptividade e isso implica acolhimento, mesmo nos momentos em que desaprovamos as atitudes dos nossos filhos, e quando somos as suas figuras centrais de apego, eles sabem disso!
      E nesse processo podemos ter uma criação que seja mais “asa” ou “mais raiz” na vida de nossos filhos. O que importa é que a dependência segura completa a autonomia. Para avaliar esse processo ele cita um exemplo interessante de teste feito com bebês: ao serem deixados pela mãe com uma pessoa, no momento em que essa mãe voltava, bebês seguros reagiam positivamente, ficavam felizes, enquanto bebês inseguros, chegavam momentaneamente a ficar bravos ou mesmo rejeitar o retorno dessa mãe, reflexo de uma sensação de abandono, da falta de uma figura central de apego. 
      Por fim, ele disse que não é preciso ter equilíbrio, é preciso ter consciência; nos indicou um livro “Histórias Curativas Para Comportamentos Desafiadores” e nos presenteou com um fim de curso acolhedor, com muitas permissões ao cantar pra gente a música que compartilho aqui...  

      Bem resumidamente, mas sem nem um pouco da profundidade daquele dia, acho que foi isso... 

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