Perdão, aos que não tem filhos...

Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida".
Carlos Drummond de Andrade

 

       Há algumas semanas atrás uma distinta senhora, que eu não tenho nenhuma intimidade, em uma festa, chegou até mim e falou: “Nossa, mas você já está com três(filhos)!?...Agora não quer mais não né?! Eu respondi: “Ué, talvez!”. Quando estávamos indo embora da festa, ela foi até mim e enfatizou: “Olha, vê se não arruma mais não hein?!” 
         Depois de um tempinho, conversando com uma pessoa querida, ela me relatou, sem conseguir conter as lágrimas nos olhos, quando eu perguntei sobre ter filhos, que ela e marido, decididamente, não tentariam arrumar um bebê. Meu coração ficou doído, não apenas porque as lágrimas indicavam que isso não era tão decidido assim pra ela, mas, especialmente, porque pra mim, isso era uma decisão que não fazia muito sentido. Afinal, ela é uma graça, formam um casal tão bonitinho, como assim, não ter filhos?!
        Logo depois, uma pessoa que não conheço bem, pediu para pegar meu bebê no colo. Então eu perguntei: “Você tem filhos?!”. E ela me respondeu convictamente: “Eu e marido decidimos que não vamos ter!”. O olhar dela para meu bebê ainda me pareceu de alguém que considerava a possibilidade... Afinal: “Como alguém com um bebê tão fofinho no colo poderia não mudar de ideia?!”
        Então, esse fim de semana, uma pessoa querida me perguntou: “O que mudou na sua relação com o marido depois que vieram os filhos?”
        Pensei, pensei... e não consegui avaliar nenhuma mudança efetiva. Compartilhamos o projeto de termos filhos, mas a nossa relação é nossa. Participamos momentos de muita alegria com eles, e, claro, muitas vezes ficamos cansados de cuidarmos de três crianças, mas não de forma diferente do que, por exemplo, o trabalho me cansa  (detalhe: eu gosto do meu trabalho! Rs...). Foi uma opção que fizemos! “Apesar” dos filhos, permanecemos na nossa individualidade e no nosso companheirismo. 
        Juntando todas essas conversas que relatei, fiquei pensando: “Nossa que horror, faço com as pessoas, igualzinho aquela distinta senhora fez comigo!” - baseada numa experiência que é minha, julgo o que é melhor pra todo mundo, e quero convencer as pessoas a terem um filho... ou dois, ou três... Rsss...
         Acredito que estamos por aqui para aprendermos a ser pessoas melhores, e tem coisa que contribui mais pra isso do que lidar com filhos?! PRA MIM, não! A cada dia que passa, e eles crescem, mas vejo neles características marcantes minhas... claro, especialmente as ruins, e isso é sim, uma motivação e tanto para fazer diferente. Mas se pra mim é assim, para outras pessoas não precisa ser! 
        O caminho é de cada um: com ou sem marido, filhos, ou qualquer outra coisa! Cada um pode se realizar e crescer na sua individualidade, com suas próprias escolhas né?! Ontem uma amiga me disse: “Deus não está pedindo a mesma coisa para todos”. Acho que ela tem toda razão. 
      Até então eu pensava: “Gente, como alguém pode ter uma existência sem, deliberadamente, passar pela experiência de ter filhos?” Hoje, reconheço que a minha história, meus desejos, meu relacionamento, minha vida, são escolhas minhas... Então porque todo mundo tem que querer ter filhos que nem eu?! 
       Confesso, depois dessas reflexões, fiquei com vergonha! Vergonha de todos que já importunei até hoje, pegando no pé e exigindo, ainda que de brincadeira, que tenham atitudes que para minha vida julgo serem as mais acertadas! 
         Não foi por mal! Faz parte do princípio: é algo que me faz tão bem, que gostaria muito que aqueles dos quais eu gosto e me importo, pudessem ter um pouco disso também! E é exatamente o mesmo princípio, imagino eu, que fez a senhora do começo da história dar palpite na minha vida: , acreditem, ela mesma tem 4 filhos! E essa não deve ter sido uma experiência fácil na vida dela! Ou seja, mesmo que inconscientemente, se foi difícil pra ela,  ela não quer isso para os outros!
         De toda forma, para aqueles que se sentiram ofendidos, incomodados com a minha pentelhação, meu sincero pedido de perdão! Nem sei explicar de onde vem essa vontade (para muitos, insana!) de ter quatro filhos... Sei que ela faz o MEU coração estar em paz, então, deve ser esse mesmo o meu caminho...  
          E você, está em paz com as decisões que tem tomado na sua vida...?!

 

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