Será que “o primeiro filho é de vidro?” ou somos nós que nos quebramos muito mais facilmente quando somos pais de primeira viagem?

       "O 1º filho é de vidro, o 2º de borracha e o 3º de ferro ...”? Quem já não ouviu por aí essa frase, ou leu um textinho explicando o quanto somos mais “relaxados” com os filhos mais novos?!

        Sim, isso tende mesmo a ser verdade! Por mais que com o primogênito não tenhamos sido “os campeões exterminadores de germes de chupetas que caem no chão”, a tendência é de nos tornarmos mais tranquilos a medida que outro (ou outros) filhos nascem. Ruim? Desleixo? Acho que não, apenas nos tornamos mais seguros e eu acho que isso só contribuiu para que sejamos pais mais felizes e, sobretudo, menos cansados.

         E olha que por aqui nunca fomos muito frescos! Minha irmã que falava que a gente já tinha começado com o padrão relaxado de terceiro filho, “coitados dos próximos” dizia ela! Rss...

         Mas a verdade é que, mesmo pra quem é “de boa”, a neura de um primeiro filho cansa demais a gente! Lembro quando Helena nasceu, o quanto eu e marido ficávamos exaustos. A gente não sabia se estava mamando direito, no começo não conhecia do que era o choro... Dormir de dia? No começo só se tivesse alguém em casa para ficar vigiando o bebê. E o cocô?! Nossa, o cocô rendia uma novela... Será normal? Fazer cocô demais, fazer menos, se o cocô tava amarelo mais claro, mais escuro, se ficava meio verde... E era preocupação com o tamanho da cabeça, com o peso, com reação de vacina... Pra eu tomar banho colocava a menina dentro do banheiro... vai que engasgava enquanto eu tomava banho?! Nossa, e aí não ganhava muito peso, vinha a culpa de não estar amamentando direito! Adoecia, e eu logo pensava: ah como eu sou uma péssima mãe! Af, além do cansaço físico, tinha principalmente o cansaço emocional da inexperiência! Ai, como é bom ser mãe de segundo filho... De terceiro então, nem se fala! Quando o segundo filho nasce, a gente já aprendeu muita coisa, especialmente a confiar mais em nós mesmos como pais!

         A gente aprende que pode dormir tranquilo, porque se o filho precisar a gente vai acordar! E aprende que mesmo quando a gente acorda, quando a gente vigia, quando a gente faz tudo, independente do cuidado, que ainda assim, hora ou outra, vai cair, vai ficar doente, porque essas coisas acontecem com todo mundo!

        Limpeza demais?! De que jeito se quando a gente vê o irmãozinho mais velho já chegou da escola imundo e deu aquele abraço e aquele beijo? Ou quando a gente pisca lá está o mais novinho com a boca no brinquedo que já passou pelo chão de todos os cômodos da casa, porque o irmãozinho mais velho teve o desprendimento e a boa vontade de emprestar?!

         Não, não tem mais espaço pra frescura com o segundo filho... Mas com ele ainda rola uma angústia... A principal? Como vai ser a relação de irmãos entre o filho mais velho e o que está chegando! Por aqui, tentava dar a maior atenção possível para a mais velha não se sentir preterida. Já deixei o bebê esperar um pouco com fome, ou com a fralda suja para primeiro atender suas demandas. Isso me permitiu, muitas vezes, não me sentir culpada em relação a ela... mas, claro, rolava uma culpa em relação ao pitico né?!

         Agora, com três, não dá muito tempo pra ter neura com nada! A gente vai socorrendo as coisas na medida em que é possível, e aprendendo a dar atenção pra cada um de acordo as demandas que eles apresentam, e não na medida que a gente acha que é preciso dar...E quando acontece de mais de um querer atenção ou necessitar de cuidado ao mesmo tempo, para coisas diferentes, a gente tenta explicar! Afinal, somos uma família, nos amamos, e precisamos querer que todos estejam bem! Como podemos ficar felizes em uma brincadeira se o neném chora de fome? Como não parar uma brincadeira no meio se o do meio precisa ser levado ao banheiro? Como a mamãe pode ler um livro se está ajudando a irmãzinha mais velha com a tarefa? Sim, estamos todos por aqui treinando dificuldades que são de todos nós: aprender a esperar e sermos um pouco menos egoístas! Isso não faz mal pra ninguém né?!

         Não vou mentir, vez ou outra rola ainda uma sensação de que estou abandonando demais algum deles... mãe é mesmo uma “M.” né gente!? Mas que a gente vai melhorando, ah, sim, a gente vai!!!

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