Pela amamentação exclusiva: A saga de uma mãe de gêmeos

          

 

E pra comemorar a Semana Mundial de Amamentação, um depoimento de uma mãezona, linda, em dose dupla! Natália conta sua experiência de amamentação com Beatriz e Fernando!

"Grávida de primeira viagem e ainda de Gêmeos! Quanta surpresa de uma vez só... e que prato cheio para os (e principalmente AS) pitaqueiros (as) de plantão! 
     

 

 

       "Não sei se é por ser bióloga, mas sempre gostei de coisas mais naturais e simples. E com essa mentalidade segui por toda a gestação, curtindo cada momento e me preparando como podia. Frequentei cursos, grupos de casais grávidos, assisti a congressos on line sobre parto, amamentação e afins, fui acompanhada por excelentes profissionais (incluindo doula, psicóloga, terapeuta corporal, nutricionista). Em geral, a maior parte das pessoas à minha volta me apoiava (até porque, aqui em Uberlândia, tive a sorte de construir um círculo de amizades justamente relacionadas à humanização do nascimento). Mas, sempre topava com certas almas desprovidas de sensibilidade: “Gêmeos? Que horror!”... “Nossa, como você é corajosa!”... “Um casal? Bom que já resolve o problema de uma vez só”!... “Daí você vai ligar (as trompas), né?”... “Seu marido vai fazer vasectomia?”... “Como você vai cuidar de duas crianças? Você vai dar mamadeira pra um e seu marido pro outro?”... “É, com dois não tem jeito, tem que dar mamadeira mesmo!”. Incrível como a gente ouve porcaria! E claro, a mulher grávida já está passando por uma fase super sensível, não vou negar que alguns comentários (no caso, aqueles feitos por pessoas que considero muito) me deixavam triste ou insegura.
       Mas segui firme nos meus propósitos. O nascimento do meu casalzinho não foi via vaginal como gostaria, mas por uma cesárea humanizada depois de quase 12 lindas horas de trabalho de parto, em que me vi cercada de muito amor e zelo (em breve publicarei meu relato de parto). Ambos nasceram saudáveis, Beatriz pesando 2340g e Fernando 2515g. 
       Logo que levaram meus pupilos para o quarto do hospital, foram ambos direto pro peito! Com bastante dificuldade, mas contando com a ajuda de nossa querida doula (Kelly Mamede) e nossa consultora de amamentação (Janaina Lobato), conseguimos e os dois deram suas primeiras sugadas! Que emoção indescritível! Na sequência, eu e meu marido, Luiz Ricardo, passamos duas noites difíceis no hospital: na primeira, minha menina chorou quase o tempo todo, e na segunda, o irmãozinho resolveu se juntar a ela. Em vários momentos as enfermeiras apareciam oferecendo o complemento, e eu negava rispidamente, beirando a falta de educação. Ainda no hospital, contamos com a ajuda das duas pediatras que os receberam ao nascer (Dra. Rute e Dra. Andressa), e também observamos dificuldades da pega (Beatriz projetava a língua para o céu da boca e acabava expulsando o bico do peito, enquanto Fernando parecia mais preguiçoso em abocanhá-lo). 
 

       

 

Primeira vez que consegui amamentá-los ao mesmo tempo sem ajuda de profissionais!

 

 

Saímos da maternidade diretamente para o consultório das pediatras, quando foi constatada uma perda de peso muito acima do dito aceitável (até 10% nos primeiros cinco dias de vida): Fernando perdeu 12% e Beatriz 9% de seu peso ao nascer, isso em apenas dois dias, além de taxas glicêmicas preocupantes. Foi explicado sobre a possibilidade de desidratação e hipoglicemia e chance de serem internados caso não recebessem o complemento. Me senti extremamente frustrada e triste nessa hora, pois não queria dar leite artifical (LA) para meus bebês. Mas, diante da situação, fizemos isso, oferecendo com o copinho sempre após mamarem no peito. Assim iniciamos nossa jornada da amamentação, contando com a ajuda de minha mãe e meu marido (minha irmã e pai também entraram nessa “dança”...), que ofereciam o LA no copinho (era muito difícil, mas os bebês aprenderam bem e para evitar uma possível confusão de bicos, acho todo esforço super válido!). Geralmente, em uma das mamadas da madrugada, os bebês ficavam apenas com esse leite e eu podia descansar, o que, sem dúvidas, foi fundamental para minha recuperação nesse início. Na primeira semana de vida, fomos ao consultório das pediatras todos os dias (eu super inchada, com dificuldades pra andar, me sentar, etc)! Na hora de pesá-los, era aquela angústia danada! Eu tentava nem olhar pra maldita balança, mas não tinha jeito... 10 gramas, 15 gramas de aumento em um dia? Como pode? Pra onde foi todo aquele leite que mamavam sem parar? Realmente esses dias foram muito difíceis!
     Para melhorar a pega da Beatriz, passei a fazer exercícios em sua língua antes de cada mamada (passando o dedo de trás para a frente na língua). Também fomos ao Banco de Leite por duas vezes, onde fomos muito bem recebidos e orientados. A primeira vez foi exatamente no dia em que meu leite desceu (5º dia após o nascimento), e foi uma das pediatras do Banco de Leite que me recomendou o uso da sonda (Mamatutti) para oferecer o complemento, ela inclusive fez um teste na Beatriz, mas vimos que seria preciso melhorar a pega antes disso. Recebi tanta ajuda nesses dias iniciais que contabilizei: foram pelo menos seis profissionais que me deram orientações e auxiliaram diretamente na pega dos bebês, me ensinando como colocá-los corretamente para mamar.
     Por conta dessa dificuldade na pega, eu não conseguia colocar os dois bebês para mamar ao mesmo tempo, cada um exigia muita atenção, pois saíam do peito ou pegavam errado e eu tinha que corrigir constantemente! Isso gerava um grande estresse pois enquanto um estava no peito o outro tinha que aguardar, às vezes aos prantos (a Bia que o diga!)! Era uma angústia que tive que ir aprendendo a lidar... Minha mãe foi fundamental nesse processo também, pois geralmente era ela quem ficava com o outro aguardando.
     Com o passar do tempo, o cansaço e estresse dos meus ajudantes ao oferecer o leite no copinho era evidente, e estavam se desanimando com essa função, a ponto de querer partir para a mamadeira (bom, minha mãe desde o início sugeriu o uso de “chuquinha” e ela ainda foi respaldada pelo meu pai!). Assim, quando estavam com duas semanas de vida e uma pega melhor, passei a oferecer o complemento com a sonda ao mesmo tempo em que mamavam o peito. Desta maneira, o desperdício de leite artificial passou a ser quase
zero, e tomavam muito mais do que no copinho. Foi uma maravilha, confesso! Os ajudantes ficaram super satisfeitos (uma árdua tarefa a menos!), mas... Eu perdi minha chance de descanso, pois praticamente paramos de dar no copinho e passei a oferecer peito + leite artificial na sonda em todas as mamadas.   

     Na consulta de dois meses, eu já estava bem agoniada, e percebendo que o peso dos meninos já estava bom e sempre aumentando, falei que queria parar, e assim ficou decidido em consenso com as pediatras. Voltamos pra casa e não dei mais nada! Claro, os meninos sentiram e passaram a mamar quase o tempo todo! A família (avós principalmente) não apoiou, ficaram preocupados e duvidando de que amamentar dois ao mesmo tempo seria possível (para eles era óbvio que continuaria a dar leite artificial). O marido também se preocupou pois achava que eu estava me desgastando demais vendo os dois pregados no peito o tempo todo, e em alguns momentos de choro dos bebês, ele quis dar o Mamatutti, mas eu não aceitei, persisti. Acreditei e confiei na nossa natureza! 40 dias após estarem exclusivamente no peito, novamente foram avaliados: Beatriz estava com 4420g (ganho de 775g nesse período) e Fernando com 4450g (ganho de 895g)! UFA! Finalmente pude relaxar! Nada mais de horários para mamar, anotações em caderninho ou qualquer outro protocolo! Passamos à livre demanda, e desde então mamam quando querem, o quanto querem e onde querem! 
     Não tem como descrever a alegria e emoção de ser capaz de nutrir meus filhos da forma mais natural e saudável que há, e vê-los crescendo e se desenvolvendo bem! SIM! É possível amamentar gêmeos exclusivamente no peito! Basta querer de verdade, persistir e contar com o apoio das pessoas certas!"

Obrigada Natália! Você nos inspira, não só com a amamentação! Esperamos ansiosos  seu relato de parto!!! Rssss...

 

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