Desmistificando a amamentação

03.07.2015

       Engraçado (para não dizer outra coisa!) como mãe é sinônimo de “caixinha de sugestões”. Desde a gravidez tem alguém pra dar uma superdica esperta que vai salvar suas noites de sono, a saúde e educação do seu filho, o seu casamento, etc.etc.etc... enfim, que vai salvar a sua vida! E com amamentação, claro, não poderia ser diferente! 
       E isso, em muitos casos, começa com as avós. Não aconteceu comigo, mas deve ter muita mulher por aí que já ouviu: 
      - “Minha filha, eu criei você com mamadeira, água e chazinho, e você está aqui, vivinha e forte...” Pois é né!?! De acordo com Giugliani (2013) (a mulher é fera no assunto!) a figura das avós costuma exercer grande influência sobre as mães, sobretudo as adolescentes, e muitas delas transmitem às suas filhas ou noras a experiência que nem sempre está em consonância com as atuais recomendações sobre práticas alimentares de crianças. Muitas avós nasceram na década de 60 ou 70, época em que o aleitamento materno, em especial o exclusivo, não era valorizado, as taxas de aleitamento materno eram muito baixas, o uso de água e chás era recomendado pelos pediatras e imperava a crença do “leite fraco” ou “pouco leite”. 
        Essa situação não é fácil! Quando a mãe não está muito segura sobre o que fazer, acaba cedendo a esses fatores que podem prejudicar a amamentação. Quando está, ainda resta aprender a lidar, com jeitinho, com a situação!
       As avós, assim como várias outras pessoas são bem intencionadas, mas, infelizmente, não tem informação apropriada e daí surgem os mitos, que dão origem a palpites horrorosos sobre a amamentação... Apresentamos alguns deles, tentando desmistificá-los cientificamente, e/ou com a ajuda da experiência de mães amigas!

- Comentário 1: Dos que acham que o bebê passa sede: “Só leite??? Como assim, que esse bebê não toma água?!” 
      O componente mais abundante do leite materno é a água, contribuindo com 87,5% na sua composição. Todos os outros componentes estão dissolvidos, dispersos ou suspensos em água. Essa quantidade de água no leite materno garante o suprimento das necessidades hídricas de uma criança em aleitamento materno exclusivo, mesmo em climas quentes e áridos (Giugliani, 2013).

- Comentário 2: Dos convencidos de que o bebê está hidratado, PORÉM... desnutrido!  “Esse leite não tá aguado não!?!”
      Segundo Giugliani (2013), apesar da enorme diversidade de alimentos consumidos pelos povos de todo o mundo, o leite materno é surpreendentemente homogêneo quanto a sua composição e apenas as mulheres com desnutrição grave têm o seu leite afetado tanto qualitativa quanto quantitativamente. Acreditem: a literatura acerca do tema traz que não existe leite fraco, tendo em vista que a composição do leite materno se faz de maneira ideal para alimentar e nutrir a criança até aproximadamente os 6 meses de idade como alimento exclusivo e a maioria dos bebês amamentados exclusivamente, crescem dentro dos padrões de normalidade e são saudáveis (Vaucher e Durman, 2005). 

- Comentário 3: Dos que sabem mais do que a própria mãe, sobre a produção de leite dela: “Seu leite tá é pouco!”
       A capacidade de produção de leite da mulher é maior que a demanda do bebê. Em média, um bebê consome em torno de 67% do leite disponível em uma mamada (Giugliani, 2013)

 

- Comentário 4: Dos que ficam de olho no seu peito, mesmo antes de você tirá-lo pra fora para amamentar! “Seu peito é muito pequeno, não dá leite não!”
         A capacidade de armazenamento da mama varia muito entre as mulheres. A capacidade tende a aumentar com o tamanho da mama; porém, em um período de 24 horas, a capacidade de produção de leite é a mesma para mamas pequenas e grandes (Giugliani, 2013).

“Sou atleta e tinha músculos, principalmente no peito que se contrai com a musculação ficando mais achatado e menor. Tive uma gestação muito saudável e amo atividade física. Desde os comentários de parto, o que mais me ofendia era quando me falavam que eu não daria leite, pois meu peito era pequeno! Mas eu sabia que minha filha ia mamar muito e eu tinha confiança que ia amamentar muito! Foquei na alimentação específica bem natural e hidratação, fontes que fui pesquisando e preparando. Desde que nasceu, com 3.700kilos, minha filha nunca perdeu peso, não pegou chupeta nem mamadeira, vive colada no meu peito. Mamou exclusivo até 6 meses! No início foi muito difícil, não foi fácil, doía muito pra formar o bico e ela pegava somente a pontinha do peito. Doía, e eu travava as costa de dor. Aí tive assessoria de uma doula que me ensinou a pegar, postura, a dar o peito e tirou várias dúvidas. Meus peitos eram outros: grandes redondos, cheios... Burfados de leite! Foi a melhor conquista da minha vida! Era meu sonho amamentar ... Tive o parto humanizado e quando a Dra. me deu ela, eu já coloquei no peito, e a Dra. riu. Falou: “Calma! ... A pediatra tem que fazer uns exames!” Eu tava louca pra amamentar... Logo que fez os exames, já coloquei e vi que saía o colostrinho. Aí tive que escutar que meu leite era ralo e tinha que dar complemento para minha pequena, mas a pediatra me tranquilizou falando que o colostro era perfeito pra ela. E era! Ela somente ganhava peso.  Foi minha maior vitória e conquista amamentar normal sem complemento e remédio! Acreditei primeiro na minha capacidade como mulher mãe e depois foquei no bem estar e alimentação! E hoje, 10 meses amamentando com muito prazer e dedicação, vem sendo minha realização ver minha pequena saudável e sapeca! A simplicidade está em nosso instinto, nossa buscas.”

 

- Comentário 5: Dos que acham que bebê saudável é bebê obeso!  - “Essa criança não está gorda porque está passando fome! Dá mamadeira/comida pra ela!” 
       Quando o bebê não ganha peso, a angústia cresce e os pediatras pressionados, muitas vezes sem preparo, indicam o complemento alimentar como solução para o problema. (PARIZOTTO e ZORZI, 2008). Olhem que legal o depoimento da Tamara, mãe da Geovana! 

 

“Geovana nasceu com 2.880 Kg. Já nos primeiros 10 dias de vida não atingiu o peso de nascimento e a pediatra me deixou doida, dizendo que se não engordasse em 7 dias, eu teria que complementar. Fui ao banco de leite, peguei orientações e "consegui" engordar ela o tanto que a pediatra queria. Depois, fiquei muito chateada com a pressão que essa pediatra fez e resolvi trocar de pediatra. A Geovana sempre ganhou pouco peso, teve meses que não ganhou nada e outros até emagreceu. O pediatra e eu, já desencanada, não nos preocupávamos com tanta magreza, mas isso não foi motivo para sempre a acompanhar com atenção.  O pediatra, devido ao baixo ganho de peso (a Geovana manteve-se próxima a curva preta - o limite - até 1 ano e 3 meses), sempre me incentivou a livre demanda. Ele me pedia para observar se a Geovana continuava uma menina ativa (é um sinal que ela não estava mal nutrida), se não ia passar a chorar a toa (se chorasse, poderia ser um sinal de fome), observar e apertar a mama sempre depois das mamadas para ver se saía leite (caso saísse, era um sinal que ela havia mamado até estar satisfeita, se não saísse, era para oferecer a outra mama). Ele orientava a dar um peito em cada mamada. A Geovana sempre foi ativa, esperta, e o pediatra percebia que o baixo peso dela era o biótipo. Inclusive, nas várias vezes que eu falei sobre o baixo peso demonstrando preocupação, ele brincava dizendo que ela era uma “filezinha” mesmo e que pra engordar era só confinando em um quadrado de meio metro por meio metro, que não precisava me preocupar pois ela estava superbem de saúde.”

 

      Ainda bem que podemos ter informação e exemplos lindos como esses para lidar com tanta bobeira, né?! Tanta que  tivemos que guardar algumas para o próximo post! Rsss...

 

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