Amamentação? O problema pode começar na maternidade! Orientação, palpites e informação!

      Se a influência da minha mãe foi extremamente positiva sobre a minha concepção de parir, com certeza,eu não posso dizer o mesmo sobre a amamentação. Ela contava, na maior tranquilidade do planeta, que dos seus três filhos, eu era a que ela tinha amamentado mais... pasmem: incríveis 45 dias! Ela fez esse esforço porque eu era prematura e não ganhava peso. Contava ela que eu “peguei” 3 quilos já tinha 4 meses! Ela dizia que não tinha paciência para amamentar...!    

     Ainda bem que a gente pode ter a capacidade de filtrar certas coisas né?! Rss... Mas fico feliz, nesse aspecto, por não ter seguido seu exemplo.
      O fato é que, apesar de “no momento atual, verificar-se um avanço dos indicadores de aleitamento exclusivo no Brasil e a consolidação de inúmeras estratégias para a promoção do aleitamento materno” (Bosi e Machado, 2005), ainda há vários fatores... e mitos, que contribuem para que as mães deixem de amamentar seus filhos... 
      Ok, muitas mães, fazem a opção por não amamentar. Mas em muitos casos, não sei se poderíamos dizer que isso foi mesmo OPÇÃO! 
      Li um trabalho recente (Rodrigues e Gomes, 2014) bem interessante sobre amamentação, no qual os autores fazem uma revisão de 10 artigos sobre o assunto de 2005 a 2010. Sabem quais foram os temas mais abordados relacionados a manutenção da amamentação exclusiva? “A necessidade de se investir em orientação materna, em treinamento dos profissionais, em uso dos meios de comunicação e em modificação das rotinas hospitalares na busca do incentivo à amamentação”.
      São vários fatores, mas todos eles, sem dúvida, relacionados ao primeiro: a questão de orientação materna. Uma mãe bem orientada, na gravidez e no pós-parto, tem muito mais condições de reagir positivamente diante dos problemas, recomendações e palpites que podem surgir! 
       Hoje em dia há vários profissionais capacitados que oferecem consultoria em amamentação, são vários os sites e páginas que passam informações relevantes! 

       Entretanto, mesmo com muita informação disponível, aposto que todo mundo deve ter presenciado dificuldades de amamentação ou deve ter uma história de desmame precoce para contar. 
     Para muitas mães o processo de amamentar não é fácil. Mas é possível sim, ter sucesso, e é esse enfoque que queremos dar aqui: estímulo e informação, tentando desmistificar algumas questões.  
      Então acho que podemos começar falando das “rotinas hospitalares e a orientação dos profissionais de saúde”... 
      “Na metade do século XIX, havia uma supervalorização dos substitutivos do leite materno, ressaltando-se a equivalência perfeita do produto, a facilidade do produto e a recomendação de eminentes pediatras para a utilização de fórmulas infantis na dieta da criança” (Bosi e Machado, 2005).
        Contudo, hoje em dia há várias pesquisas que demonstram que o melhor alimento para o bebê é o leite da mãe: “O leite materno contém aproximadamente uma centena de componentes que não podem ser replicados no leite artificial e, a cada dia, a ciência vem encontrando mais substâncias imunomoduladoras.  A mãe produz anticorpos criados especificamente para proteger o lactente contra os patógenos adquiridos no seu entorno. Novos anticorpos são produzidos cada vez que a mãe entra em contato com microrganismos prejudiciais ou quando amamenta, pois há troca de microbiota da saliva do bebê para a mãe no ato da amamentação. Isto indica ao sistema imunológico que produza anticorpos que serão passados ao filho em próximas mamadas. Se o bebê toma leite artificial, terá somente seus próprios anticorpos (que são presentes em níveis baixos) e um sistema imunológico imaturo, se tornando extremamente vulnerável a infecções” (Aleitamento.com)
       Apesar de todas essas informações, artigos atuais demonstram que pediatras, que deveriam ser defensores do aleitamento materno exclusivo, atuam muitas vezes como precursores do desmame precoce... E tudo isso pode começar ainda lá na maternidade.
      No meu caso, por exemplo, quando tive a minha primeira filha, ela dormiu no berçário a primeira noite. Sim, me faltou informação. Segui palpites alheios que me disseram: “é bom deixar ela dormir lá, você vai estar cansada, pode aproveitar para dormir e descansar, porque quando for para casa, não vai mais ter essa oportunidade!” Dois probleminhas resultaram dessa escolha. O primeiro deles: como fazem em muitos berçários, ofereceram complemento para minha filha já no seu primeiro dia de vida. Segundo e mais complicado problema: enquanto ela estava lá, tomando complemento, ela não estava comigo. Eu, que havia feito uma cesárea com menos de 39 semanas, o que por si só já é um fator que dificulta a produção inicial de leite, abri mão desse tempo precioso para que essa produção se iniciasse. E assim foi nas duas noites que passamos no hospital. Além disso, como mãe de primeira viagem, operada e recebendo visita sem parar, como ninguém mandou (sim, muitas vezes é preciso fazer isso com mães que nunca tiveram um filho!) nem me lembro de quantas vezes, durante o dia, coloquei minha filha para mamar. 
   
  Resultado: cheguei em casa, no terceiro dia, e ainda não tinha leite... Normal!; diriam alguns! Mas acredito mesmo que poderia ter sido melhor! E foi só na madrugada do terceiro dia em casa, depois de ligarmos para a UTI neo do hospital e perguntar o que a gente devia fazer, e sermos recomendados a comprar e oferecer complemento pelo pediatra de plantão que, enquanto meu marido ia ao supermercado 24 horas comprar o tal leite, não sei se por insistência ou pânico meu, que meu colostro saiu e minha filha mamou.
      Só que esse processo provavelmente contribuiu para outro que poderia ter sido pior: na nossa consulta de11 dias, nossa filha ainda não havia recuperado seu peso de nascimento, ou seja, não estava “ganhando peso de forma apropriada”. Naquele momento, a falta de informação novamente poderia ter nos prejudicado. Claro, já queríamos instruções de como oferecer leites artificiais, afinal, essa parecia ser a única saída. Bom é que nosso pediatra (que eu simplesmente idolatro! Rsss) “se negou” a passar tais informações, nos tranquilizou e mandou a gente voltar na outra semana, para acompanhar. 
     Foi uma semana, angustiante pra mim, na qual me senti a pior e mais incompetente mãe do mundo... sim, porque á assim que as mães, geralmente, se sentem! Rsss... 
      Ninguém me orientou sobre o que eu estava fazendo de errado, e porque não estava tendo “sucesso” na amamentação, nem eu procurei ajuda... Passei a semana me culpando, e obviamente, com a criaturinha grudada no meu peito o tempo todo, afinal, o que mais eu poderia fazer? Eu não sabia! 
       A sorte é que conseguimos que ela ganhasse peso (embora não tenhamos “atingido a meta”... mas isso é assunto para outro post!). 

 

 (63 likes)

 

Please reload

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now