Desejos para 2015!

        Esses dias, logo antes do Réveillon, aproveitando as férias para colocar um pouco da bagunça em ordem, achei uma lista de desejos que comecei fazer 20 anos atrás! Não sou daquelas pessoas que guarda tudo quanto é coisa, mas...
        Quando estava na oitava série, a professora de Ensino Religioso, acho que pra falar de fé, ou algo do tipo, mandou a gente cortar um papelzinho, dobrar em forma de cruz, e nele escrever desejos para nossa vida... Na época, minha lista foi pequena - duas questões mais genéricas, tipo “ser feliz”, e “conhecer muitas cidades e países”; e outras duas de ordem bem específica: morava em uma cidade que detestava, então queria mudar logo de lá; e como já tinha14 anos e nunca tinha beijado na boca, já estava com medo de morrer sem experimentar... dilemas de uma pré-adolescente (ainda parte do tempo concentrada em minhas bonecas) que foram resolvidos sem muita demora!  Rsss...
        Os anos foram passando e, de vez em quando, fuçando nas coisas, quando achava a tal lista, ia juntando a ela outros desejos, alguns tão específicos quanto os da menina pré-adolescente, parte deles atendidos, outros não (graças a Deus! Rsss!). E, com isso, a lista foi ficando por aqui, crescendo esporadicamente... 
        Ontem, ao conversar com uma amiga, e ela comentar que tinha feito as metas dela para 2015, fiquei incomodada: porque será que, quando encontrei a tal listinha, na véspera desse novo ano, não tive nenhuma vontade de acrescentar nada?! Desde então estou pensando sobre isso! 
        Olhando para a minha antiga lista, é interessante perceber o quanto os tipos de desejos foram se modificando... ou melhor, o quanto a forma como eu vejo as coisas se modificaram... Não é que eu não tenha mais desejos, mas acho que me tornei menos apegada, menos exigente de que as coisas sejam do jeito que eu quero, na hora que eu quero! E isso tem tornado a vida muito mais leve. Antes, quando as coisas não saíam EXATAMENTE como eu queria, eu ficava MUITO frustrada! (Para vocês terem uma ideia, numa época distante - bemmm distante! -, já cheguei a dar esquete em grupo de amigos porque, ao fazermos comida juntos, eles simplesmente colocaram ingredientes que não tínhamos combinado num bendito macarrão! Sem comentários, né!?...).
        Foi com o tempo, e muito também pelo exemplo (e falação!) do marido, que sempre insistia pacientemente em me mostrar o quanto os resultados inesperados muitas vezes eram melhores do que os planejados (inclusive o macarrão do dia do esquete!), que comecei a aprender a ser mais light... E foi assim também, penso eu, que passei a desejar diferente...
        Claro, continuo fazendo planos, e tendo metas... só que elas envolvem menos coisas e a atitude de outras pessoas... Elas dependem de mim: tentar compreender melhor o outro, ter mais paciência, etc...etc...etc... Afinal, em cada situação, a forma como a gente se sente e lida com as coisas é o que efetivamente faz diferença pra nossa vida... não é?!
        Foi aí que acho que descobri de onde veio o incômodo! Não era porque não tenho desejos para 2015... É porque, quando temos metas que envolvem mudança nossa, dá preguiça, cansa só de pensar... dá vontade de deixar para outro ano, escrever uma listinha então... não dá nem tempo de pensar...! Não tem como por a culpa no outro! Até mesmo as expectativas em relação às outras pessoas  a gente consegue ver como sendo problema nosso, afinal, é o que eu enxergo sobre outro, o jeito que eu espero do outro! E, então, a frustração passa a ser comigo mesma, e isso incomoda!... Porque desse jeito, só eu mesma posso resolver, né?! Bom e ruim isso! Rss..
        Na minha antiga listinha, em formato de cruz, dos últimos desejos que encontro, nem sei bem de quando, está escrito “Que a Força Criadora do Universo me guie pelos caminhos mais apropriados para o meu crescimento, na luz e calor do sol, na beleza do girassol e na alegria do palhaço! (palavras de um antigo amigo!)... e que Deus me dê força e fé para seguir na caminhada”.
        Que esses possam permanecer, então, como meus desejos, pra mim e pra todos vocês em 2015... Agora, me resta fazer a outra listinha, firmando o compromisso com as metas pessoais, a serem, pelo menos, cultivadas esse ano (já tá bom né?!)... Acho que vou fazer uma em formato de borboleta, mais leve, mais transformadora e mais colorida do que a antiga com formato de cruz... 

 

 

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