Abençoado 2014...

     Hoje é o último dia do ano... O nosso último post desse ano!
     Quando começo a pensar em um post, fico logo tentando achar um título para ele, e já tinha rotulado esse, na minha cabeça, como “Ôh aninho de 2014”... assim, bem no sentido pejorativo mesmo. Poderia dizer que o ano de 2014 foi difícil, com certeza o ano difícil até hoje.
      Refletindo sobre a minha vida, em muitos momentos, chegava a ficar preocupada: acredito que o principal objetivo de estamos aqui, nessa existência, é aprendermos a ser pessoas melhores, crescermos espiritualmente em amor, e era interessante como a ideia de aprendizado estava, pra mim, muito fortemente vinculada a provas, sofrimento e dor. Então, quando pensava nisso, me dava até pânico: minha vida parecia boa demais, com todas as coisas dando certo e se encaminhando numa naturalidade que era até difícil de acreditar! Não sei nem dizer quantas vezes tudo foi bem melhor, inclusive, do que eu tinha planejado e desejado, e, nessas horas vinha em minha mente: “nossa, estou nessa existência de férias até agora, quando será que elas vão acabar?!”
     Com o tempo e, especialmente, com os filhos, a ideia do aprendizado pelo amor, e não pela dor, foi se tornando mais real, e fui relaxando com a expectativa (loucura?!) de que chegaria uma etapa na vida em que "as férias" acabariam, e eu teria muitas coisas difíceis para lidar.
     E então veio 2014... e trouxe a morte, a insegurança, a incerteza... intermináveis conflitos internos. Claro, a ideia voltou imediatamente: “putz, acabaram as férias!”...
     Mas hoje, refletindo um pouco mais sobre tudo que aconteceu, chego a achar injusto classificar 2014 como um ano ruim. 2014 foi um ano de aprendizado, e se tem uma coisa que eu tenho que admitir é que experiências difíceis trazem, sim, muitas oportunidades de transformação interna. 
     Racionalmente, me questionava o quanto amigos extremamente espiritualizados podiam sofrer tanto com a morte... E então, 2014 veio me mostrar que a certeza de que a vida real não se encerra, não torna menos doída a dor da saudade...e, com isso, passei a entender mais a dor do outro. 
     E como a dor da saudade é doída. E o quanto a dor da saudade de uma mãe é diferente de outras saudades. Me descobri buscando apoio e colo de mãe, que não estava mais fisicamente aqui, em muitas pessoas, e, em muitos abraços, telefonemas, mensagens, descobri apoio... 
    E gestos de algumas pessoas marcaram o meu ano: a presença de uma amiga de fora, assim, da noite pro dia num momento tão doído (obrigado Fer!), a presença de colegas queridos de trabalho, da família nossa de longe, as ligações da minha família de Patos em tantos momentos, tiveram uma importância que as pessoas que fizeram parte deles não tem ideia do bem que me fizeram... E então percebi que alguns vazios não podem ser preenchidos, mas que o amor das pessoas tem o poder de consolar e acolher o nosso coração.
     Descobri que a referência materna é algo visceral, ainda mais para uma mãe-grávida. Me peguei em situações inusitadas, chorando porque os filhos estavam tomando suco de garrafa (ainda que integral e sem conservantes) em vez daquele que a minha mãe fazia pra mim quando era pequena, fresquinho e cheio de frutas... “Afinal, que tipo de mãe eu sou?”, "o que minha mãe iria pensar?" tenho me perguntado em várias situações... e descobri a “mãe segura de si”, que eu era, ser fortemente invadida pelo questionamento “o que repetir de tudo que eu aprendi com ela?” e pela certeza de que, em muitos momentos, a necessidade de repetição tem sido fundamentada na necessidade, de alguma forma, de honrar tudo o que ela foi e sempre será pra mim, e de tentar passar para os filhos a avó que eles conhecerão tão pouco. O que fazer com esses sentimento, é algo que talvez eu aprenda um outro dia, quem sabe em 2015...
     E 2014 foi também um ano de oportunidade de tentar parar de olhar só para o próprio umbigo, e tentar aprender a olhar um pouco mais para o outro. O desprendimento, a disposição e a assistência do meu cunhado e da minha irmã ao meu pai nesse ano se tornaram, para mim, mais do que exemplos nesse sentido. E a relação com o meu pai, nesse ano de perda, me deu maior oportunidade para refletir. A minha criança interna, passou a exigir que ele, além do pai que sempre foi, também viesse a ser a mãe que eu não tinha mais, com o tipo de carinho e atenção que ela me dava... E depois de um processo intenso de cobrança (muda!), insatisfação e até raiva, passei a enxergar um pouco a crueldade e o egoísmo desses sentimentos, com um senhor que já com 70 anos, perdeu sua companheira de quase 50 anos de comunhão, sua casa, e sua antiga vida. Como bem diz a música “cada um de nós imerso em sua própria arrogância, esperando por um pouco de atenção”... e as reflexões e sentimentos que vieram desses processos fizeram com que o amor e a gratidão pelo meu pai fossem renovados nesse ano de 2014. 
     2014 foi o ano de aprender com a morte, mas também foi um ano de aprender com a nova vida que chega. Ulisses tem trazido a oportunidade de lidar com a incerteza (ou seria com a fé?!) e com o amor de uma forma que eu ainda não havia experienciado. E nesse processo encontrei apoio profissional, da medicina antroposófica, da acupuntura, dos profissionais envolvidos no parto humanizado, do curso com a Naoli, das aulas de ioga, que fizeram com que o meu ano fosse de descoberta de pessoas novas, atenciosas e encantadoras. Gratidão às Dras. Silvia Helena, Silvia, Angélica, Tânia, Dr. Lee, doula Alessandra, professoras de Yoga Patrícia e Fabiana, à Naoli... 
     Na verdade, 2014 foi mesmo um ano que me trouxe de presente uma caixa gigante, repleta de novos amigos.  E foi na força de grupos que descobri a maior parte dessas amizades. No grupo de imersão da Naoli, no Co-lar, no “Nosso Grupo”. 
     Nesses dois últimos grupos, aprendi tanta coisa, que, com certeza, assim como já foi feito com o encontro com a Naoli, carece serem escritos posts específicos... Por enquanto, agradeço a atenção e disponibilidade das minhas amigas-mães do Co-lar... Ao “Nosso Grupo”, o nosso processo de amadurecimento ganhou força com a presença dos novos membros (que parece que sempre estiveram por aqui... obrigada Zé, Patrícia, Priscila!), com o retorno de pessoas que sempre fizeram parte dele, embora só agora estão de fato por aqui (Deborah, é bom tê-la por perto!), e com o caminhar junto desde o princípio de outras pessoas (Je, tanto orgulho de estarmos juntas nisso desde o começo!).
     Foi também um ano em que amizades antigas se tornaram ainda mais próximas (obrigada D. Vera e família!) e que o curso da vida continuou a me mostrar que, mesmo com tantas mudanças na rotina, algumas amizades não perdem a intensidade, o amor e a certeza de estarem sempre ali: obrigada Mery e Jean! 
     Ah, por fim, não tem como não agradecer a todos vocês, que nos acompanharam por aqui! O nascimento do ExpoMaterna foi algo que, com certeza, contribuiu muito para o aprofundamento das minhas reflexões sobre a vida...
     Bom, esse post vai ter que ficar por aqui... os preparativos para sairmos de “viagem” para a passagem do ano me chamam com urgência. Voltamos no ano que vem! Com desejos de tudo de bom para 2015! Abraços nossos! 

 

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