4 dias sem meus filhos... Com Naoli Vinaver!

          Tudo começou com o interesse pelas questões do parir... Vendo vídeos, lendo artigos, lá estava ela, muitas vezes presente: Naoli - parteira mexicana, antropóloga, referência nesse mundo, “invadindo” inclusive os eventos acadêmico/científicos dele...
           Depois veio um convite da cunhada:
- Vamos para Porto Alegre, fazer um curso com a Naoli?!
- Curso de quê? 
- Gravidez, parto e pós-parto! 
            Tentador, não!? Demais! Naoli, tema, local do evento... Mas... dois filhos em casa, pelo menos 4 dias longe (tinha a ida e a volta), necessidade de reorganizar o trabalho... Vixi, num dava! E não fui...
            Mas perder uma viagenzinha sempre foi algo pesaroso pra mim... E essa, depois que a cunhada voltou, contando o quanto tudo tinha sido TÃO bom... o resultado: “Putz, como é que eu deixei de ir nisso!?” E então veio a caça aos eventos da Naoli: onde seriam os próximos cursos, quais os temas?! Sim, havia opções, mas todas elas de muito mais do que 3 dias... sem chance!
            Então um dia, sei lá como, um encontro, uma ideia, uma vontade e a possibilidade de trazer Naoli aqui, em um evento organizado por nós! Sim, organizamos e cerca de 6 meses depois da ideia, cá estava ela! 
            Praticamente 4 dias longe de casa, no meio do mato, longe do marido, dos filhos... Sim, esse foi o primeiro desafio! Só um deles, porque surgiram vários: organizar um evento sem ter prática nisso, gerenciar internamente os conflitos de trabalhar com pessoas em alguns aspectos tão diferentes de mim, encarar o mato, as pererecas e lagartos...

 

 

            Se o curso valeu?! Não, não foi um curso. Foi essa a sensação que tive depois de 3 dias com a Naoli. Que aqui, pelo menos, ela não deu um curso, ela promoveu um encontro... 
            Um encontro de mulheres com as suas almas, suas verdades... 
            Um encontro entre mulheres com o que temos de mais íntimo em cada uma de nós. 
            Um encontro com a beleza que se expressa, transborda, e expande quando temos a vontade, e percebemos o acolhimento para entrar em contato com nós mesmas.
            Um encontro com outras almas quando temos a receptividade, o respeito e a gratidão por ouvirmos outras histórias que, em tantas coisas, cruzam com as nossas, nos ensinam, nos abrem a mente e o coração para repensarmos tantas coisas que estão aqui, e a gente sequer havia notado no decorrer do dia-a-dia. 
             A abertura de portas para a quebra de tabus, para repensar relações, para uma vida de ainda mais amor... 
            Foram dias de aprendizado intenso e sem um “curso” efetivamente. Com questões, mas sem grandes conteúdos concretos... Volto nisso, porque tenho que admitir: meu viés de professora por vezes ainda se questiona: “gente, mas isso é mesmo possível?” Sim, é! E isso também foi aprendizado! Rsss...
            Tá, e a Naoli?! Encantadora, mesmo! De uma sensibilidade e uma percepção, a meu ver, impressionantes... Correndo o risco de ser muito injusta, a avaliação que faço desses dias foi de que Naoli conduz sem conduzir, intervém sem intervir, praticamente não atua e ao mesmo tempo é fundamental para todo o processo... Sim, por essa descrição, eu, com certeza, digo que ela exerce lindamente o papel de parteira, uma parteira também de almas...
            Foram dias de um processo em que eu percebi mulheres se tornando mais lindas a cada instante que passava, porque a cada momento, se permitiam ser mais elas mesmas... Saí de lá encantada, com elas tanto quanto com a própria Naoli... Na verdade, saí de lá apaixonada! 
            Saí de lá também indignada: pela falta de permissão interna e iniciativa para construção de uma realidade na qual possamos compartilhar mais o que verdadeiramente importa. Sim, já tenho a oportunidade de vivenciar isso em alguns grupos dos quais participo... com algumas pessoas... Mas o desejo é de expansão, de que o encontro de almas aconteça no meu dia-a-dia, com a construção de mais e mais relações que valham a pena, o tempo, a vida! 
            Os filhos e o marido?! Amigas me pediram para que escrevesse um post sobre isso, mas o resumo por aqui acho que já vale... 
             Saudades?! Sim, senti... das crias, do marido... mas o momento foi meu, pra mim... e foi BOMMMM! Voltei ainda mais apaixonada, por eles, pelo marido, e matar a saudade também foi BOMMM!!! Rss...
             Os meninos? Pela euforia com que me receberam, percebi que eles também sentiram saudade. Não sei se escovaram os dentes todas às vezes, ou se os cabelos estavam impecavelmente penteados em todas as ocasiões que saíram de casa com o papai... e também não perguntei!... Mas sobreviveram lindamente: hidratados, nutridos e felizes... Ninguém morreu de chorar ou ficou doente sem a mamãe... Acreditem, meu ego chega a querer sentir uma pontinha de desapontamento ao perceber que isso... Desapego é algo que ainda tenho que praticar mais, muito mais...
              Se valeu?! Valeu, valeu demais!!! 

 

(93 likes)

Please reload

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now