Humanização? De que hein?!

           Hoje em dia, especialmente para a gente que está inserido nesse mundo gravídico, muito se fala sobre humanização do parto... Mas, de verdade?! A falta de humanização na saúde (como em um monte de outras questões), pra mim, tem ido muito além disso...
          Me recordo da minha primeira gestação. Último ultrassom feito com 38 semanas e dois dias. Bebê sentada, e eu acreditava estar perdendo líquido. Ultra demorado, com doppler, em uma médica que eu não conhecia. Lá pelas tantas, e nenhum comentário da doutora acerca do estado de saúde da minha bebê. Apenas uma cara fechada, sisuda! Decidi perguntar: “Dra. está tudo bem?!” Ela respondeu: “Você precisa ficar calada, senão me atrapalha a fazer o exame!” ... ... ... Claro, nenhum pio até o exame acabar! Acabando, repeti a pergunta: “Está tudo bem, Dra?” A resposta? “Vou fazer os cálculos e você pega o laudo!” Claro, saí de lá aos prantos... Mas quando peguei o laudo, mais de uma hora depois, vi que estava “tudo certo”, pelo menos com a minha bebê, porque eu estava um caco!!!!!
          Na mesma gestação, outra experiência! Orientada a consultar um anestesista, procedimento exigido pelo hospital para a realização da cesárea! Chego na consulta e, de cara, relato minha tristeza e decepção por ter que realizar uma cesárea, já que a bebê estava sentada. O médico? Me chamou de doida, disse que hoje em dia ninguém faz mais parto normal não, que isso é primitivo, blablabá... blablabá...  Se concentrou tanto em me deixar ainda mais deprimida que sequer anotou que eu tenho uma série de alergias a medicamentos, inclusive a dipirona, que só não me aplicaram no pós-parto porque eu estava consciente o suficiente para perguntar o que iriam me dar, e alertar que não era boa ideia!
          Como adoro uma definição, então, vamos lá... O que é “humano”? “Sensível à piedade, compassivo: mostrar-se humano com seus semelhantes”. Ah, gente, são tantos exemplos que passam BEEMMM longe disso! 
          Uma amiga com um bebê de 5 meses, com suspeita de meningite... Necessário realizar o exame do líquor! Poxa, imagina o coração de uma mãe em uma situação dessas? Agora imagina o coração de uma mãe dessas aguardando a autorização (que caiu para análise) do plano de saúde para realizar o exame? Agora eu fico pensando: quem faria um exame desses, em um bebê de 5 meses, caso não fosse extremamente necessário? O exame foi pago e feito antes da autorização sair! Quem, tendo condição ficaria aguardando liberação num caso desses? E quem não tem condição hein?!? Só para melhorar a situação, só não realizaram o exame errado, por uma “pequena” confusão, porque a mãe do bebê é médica, e teve que insistir para que o exame correto fosse feito. Se a mãe não fosse médica? Teriam que ter colhido o líquor do bebê duas vezes!!!  Não, para acabar teve mais... Sim, mais um pouco! Deu o horário de pegar o resultado do exame e ele não foi liberado... Ué, porquê?! Não havia caído no sistema o pagamento! E aí? Sai o pai do bebê para levar comprovante de pagamento no laboratório, 10 minutos antes de fechar... senão, só no outro dia! É, de tão absurdo parece mentira... Infelizmente não é!
          Outra situação? Uma pessoa que conheço estava com a mãe de 80 anos internada em uma UTI num hospital particular. Ele chegou no início do horário da visita para ver a mãe. Nisso, foi informado que a paciente estava prestes a ser levada para realizar um “pequeno” procedimento cirúrgico e que não seria possível sequer vê-la antes disso. Apesar de simples, considerando o quadro clínico da paciente, o procedimento envolvia, obviamente, certo risco. Além disso, infelizmente, no fim da cirurgia, já haveria passado o horário de emissão de boletins médicos para relatar o estado de saúde da paciente. Então a pessoa podia ir “tranquila” para casa! No outro dia, claro, se tudo corresse bem, haveria boletim médico disponibilizado... O que, graças a Deus aconteceu! Me desculpem a indignação, mas a vontade, que eu fico, só de ouvir uma situação dessa? De perguntar para os responsáveis se era a mãe deles que estava ali... Qual o prejuízo para o sistema de permitir que esse filho pelo menos visse a mãe antes da cirurgia?! 
          Por falar em mãe, me lembro da minha! Interessante como a gente discute a humanização do nascer, mas tão importante quanto essa, deveria ser a discussão da humanização do morrer! Quando minha mãe faleceu, quem a levou para o hospital foi minha irmã. Cheguei lá poucos minutos depois dela ser internada, não a vi. Logo veio uma pessoa responsável, relatou que o caso era mesmo grave, e pediu para que alguém fosse buscar os medicamentos que a minha mãe tomava para um maior conhecimento da situação. Mandamos meu pai com o meu cunhado fazer isso, para ver se ele acalmava. Enquanto estavam indo, a responsável voltou, dizendo que minha mãe estava muito fraca, e que a condição era muito difícil de ser revertida. Ou seja, estava avisando que a minha mãe ia morrer. E aí?! Ah, e aí o “normal” nesse caso é sentar e esperar... na hora, claro, a gente não pensa, mas porque diabos a gente não pediu para entrar para vê-la? Porque meu pai não estava com a gente, e sim em casa, buscando medicamento, enquanto sua companheira da vida inteira estava indo embora? De toda forma, não acredito que, se tivéssemos pedido, seríamos autorizados a entrar... 
          O momento de morrer não seria tão importante quanto o nascer? Se para um bebê o ideal é ficar perto da mãe quando nasce, com o pai ali do lado, nesse momento tão extraordinário... Porque devemos morrer sozinhos, cercados por pessoas que nunca vimos na vida, enquanto aqueles que amamos estão sentados na sala de espera?
          Espero que entendam, não quero generalizar! Em primeiro lugar, conheço bons médicos (humanos)! Sim, eles existem, embora não apostaria que sejam maioria! Segundo: embora não conheça da área, até imagino que um certo distanciamento nas relações entre a medicina os pacientes seja necessário. Terceiro, reconheço, inclusive como professora na área de gestão, que procedimentos, rotinas, organização, são questões fundamentais para se manter um negócio... Mas, isso não aquieta meu coração em relação à algumas questões... Será que a humanidade não poderia, ou melhor, não deveria ser mantida E preconizada, quando se trata de um negócio que envolve a vida das pessoas? Será que um pouco mais de bom senso por parte dos profissionais da saúde seria assim tão custoso e difícil? Será que alguns procedimentos e rotinas, por mais que se justifiquem do ponto de vista técnico, não poderiam ser modificados por procedimentos mais humanos? 
          Tenho passado por algumas situações que tem deixado latentes essas questões no meu ser! Aí para completar, vi o vídeo daí debaixo essa semana... Absurdo? Se formos relatar todos os casos que conhecemos, talvez percebamos que não estamos muito (ou nada!) longe disso aqui:

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