Um relato de parto... humanizado!

27.08.2014

          Não sei quando foi a primeira vez que ouvi falar sobre parto humanizado, não me recordo. Mas não foi antes da minha primeira filha nascer... 
          Sei que, desde sempre, para mim, nunca cogitei a ideia de que não iria parir... 
          Hoje, grávida e pelo próprio ambiente pelo qual tenho transitado, de grupos, discussões e reuniões sobre o assunto, muitos dos que eu encontro me perguntam... “E o seu parto, vai ser como? Como foram os outros???”
          Interessante, porque fico imaginando alguém perguntado isso para a minha mãe... ou para a minha avó!... A resposta? Acho que elas achariam essa pergunta tão estranha, que não sei se saberiam responder! As imagino pensando assim... “Como assim, como vai ser?” Talvez a resposta seria: “Ué, espero que seja rápido!” Não consigo imaginar nenhuma resposta muito diferente disso. Afinal, um parto, até bem pouco tempo atrás, significava, simplesmente, PARIR!
           Não, parir não é moda! De acordo com o nosso velho Dicionário Aurélio, “moda” refere-se ao “Uso passageiro que rege, de acordo com o gosto do momento, a maneira de viver”. Considerando essa definição, parir não está na moda, primeiro porque é algo instintivo, e algo que é instintivo, não pode (ou não poderia) ser passageiro, ou “do momento”! Além disso, infelizmente, se considerarmos, hoje em dia, a moda que impera com certeza não é parir... 
           Não, esse texto não está sendo escrito para defender o parto normal, natural, humanizado ou o que seja! Mesmo porque, o conceito de humanizado, para mim, refere-se, acima de qualquer coisa, a respeitar a forma como a mulher decide receber seu filho nesse mundo, ainda que a forma escolhida seja uma cesárea. 
          No meu caso, acho que devo ter herdado a cabeça da minha avó, porque toda essa questão é algo tão natural, que confesso que fico até um pouco incomodada com o pampeiro feito, por vezes, em torno das questões que envolvem o parir hoje em dia...  Posicionamentos e discussões que, por vezes, dão origem a situações em que mulheres são verbalmente agredidas por terem feito cesáreas eletivas; OU, outras vezes, chamadas de malucas porque querem parir! Pra mim, tanto uma coisa, quanto a outra, me parecem igualmente absurdas...
           Entretanto, uma coisa é fato: o “natural” já não é tão natural mais pra todo mundo. E aí surge uma vantagem em toda essa movimentação! Pelo menos todas essas discussões acabam por contribuir, e muito, para que as pessoas tenham mais informação.
          Eu á vi filmes, participei de debates, fui a encontros, li diversas coisas sobre o assunto... e já fiquei grávida duas outras vezes... Ou seja, tenho alguma notícia dos pilares que sustentam o que a gente poderia chamar de desnaturalização do parto... Mas essa não é a realidade de todo mundo. Como eu mesma comecei comentando nesse post, eu nem nunca tinha ouvido falar de parto humanizado na minha primeira gestação, apenas três anos atrás!
           O problema é que a gente, depois que se envolve nesse mundo, ás vezes acha que todo mundo sabe, conhece e deveria pensar como a gente, daí fica fácil demais julgar né?! 
          Mas como dizer que uma mulher mal orientada (ou desorientada, em alguns casos, por alguns médicos) escolheu uma cesárea? Pra mim, sem esclarecimento, as escolhas, aí sim, não passam de reprodução da moda... que, hoje, as estatísticas mostram mais que as palavras: trata-se da “moda do não-parir”!
          Então, sem mais “polemizações” para o momento, abaixo segue a razão verdadeira desse post: um relato de parto, de uma amiga que mora em Cuiabá, que pode trazer um pouco mais de informação sobre a “humanização do parto” por lá... 

 

 

 

           “A Chegada da Luiza  
           Ao descobrir que estava grávida, decidi, de cedo, pelo parto humanizado. Nunca me passou a possibilidade de cesárea. 
          Descobri o parto humanizado na tentativa de trocar a obstetra, pois a que me atendia não fazia o pré-natal como eu gostaria: ela não me examinava; ia nas consultas e ficava horas esperando para um atendimento de 2 minutos! 
           Foi então que encontrei a Dra Caroline Paccola, através da sua página do Face, que me deixou mais apaixonada pelo parto normal humanizado... Ali deixei um recado e logo já me respondeu. Marquei a consulta e fiquei ansiosa esperando! Que recepção! Que atendimento! Quantas informações!... Tudo que eu esperava num pré-natal!
           Quis este tipo de parto por acreditar numa vinda agradável para meu bebê. Queria que ela viesse na sua hora, quando desejasse! Tive todo apoio, respaldo e informações que precisei para me preparar. 
           Ao consultar com uma médica que é adepta ao parto humanizado pude perceber a diferença com os demais obstetras, pois eu realmente era tocada, ouvida, minhas dúvidas eram esclarecidas e eu era orientada em tudo. 
          Para que eu não sofresse laceração e pique me deram todas as informações. Comecei a fazer a fisioterapia para trabalhar o períneo. A partir da 30 semanas fazia a fisioterapia 2 vezes por semana. E dito e feito: não tive nenhuma laceração, e nada de pique!
          Foi um parto num hospital público, mas paguei para usar o quarto com banheira. Toda equipe do hospital nos atendeu muito bem, desde o início do trabalho de parto até a nossa alta. 
          Aqui em Cuiabá o parto humanizado, apesar de ser minoria, é muito bem estruturado por aqueles que realizam.  Conheço 3 médicos que fazem. Temos um único quarto com banheira e materiais para o trabalho de parto. Hoje, temos duas fisioterapeutas que fazem o trabalho de períneo. 
          Não tive doula, mas aqui existem diversas doulas; e temos também o SOS Materna, que fornece cursos para o parto, amamentação, cuidados com o bebê. Resolvi não ter doula porque a fisioterapeuta iria acompanhar meu parto: ela foi, na verdade, foi como uma doula, e ajudou nos exercícios para facilitar e acompanhar a dilatação, e ficou comigo até eu ir para o quarto. 
         Pra mim foi o parto dos meus sonhos! Senti dor, sim, mas minha pequena veio envolvida em muita ocitocina: muito amor! E eu só tenho a agradecer por ter recebido tantos cuidados e por ter esta estrutura bem próxima; foi um parto muito saudável!  Sai de lá com minha pequena e fui para a casa, e no mesmo dia já cuidei dela a noite toda!

 

          As fotos nem precisam de explicação né?! Não é possível que alguém não queira parir assim!?! (Olha o julgamento!!! Rss...!)
          Enfim, obrigada Natany, por compartilhar a experiência da sua família com a gente... 
          E para as grávidas daqui, como eu, ficamos, por enquanto, na vontade de não termos que comprar e encher piscinas de plástico enquanto parimos... Quem sabe no quarto filho?!

 

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