Um relato sobre amamentação...

25.08.2014

            Amamentação... Uma das bênçãos da maternidade, sem dúvida... Por aqui, considero que as coisas nesse quesito foram até tranquilas, pelo menos por um tempo... Mas não é sobre as minhas experiências que vamos falar hoje... Recebemos um relato, da mãe de uma coleguinha do meu filho, que vai compartilhar um pouco da sua história...  E ao ler sua história, me recordo de outras mães-amigas, as quais acompanhei, mais de perto, todo o esforço em prol da amamentação exclusiva para seus pequenos filhotes... Para algumas, depois de muita peleja, persistência, seios rachados sangrando e cheios de pus (sem exagero!), a amamentação exclusiva foi mantida. Em outros casos, apesar de toda ajuda profissional, força de vontade e persistência, o processo foi diferente... 
Sobre um dos tantos desafios da maternidade: a experiência da amamentação de Lívia Felice Guimarães, mamãe da Lara!!!


          "Falar sobre amamentação mexe muito com uma mãe, afinal qual mãe não sonha com esse momento? Bom, eu também tive esse sonho e todos os medos que envolvem esse processo.  Então, qual foi o meu problema? Nem sei se essa é a palavra certa, mas por um motivo de “força maior” não consegui amamentar. Mas como assim, não conseguiu?! Não, não foi porque dói, porque não quis, porque não tive paciência ou outra coisa desse tipo... e sim por um motivo psicológico, vou contar um pouquinho sobre o meu caso.
          Quando completei 37 semanas de gestação meu pai em um exame de rotina foi diagnosticado com câncer de próstata, e como sou muito família, senti meu mundo literalmente desabar, não conseguia entender o porquê isso teria que acontecer e muito menos nesse momento que era para ser de pura alegria. Esse fato abalou toda família, mas por incrível que pareça o meu pai que é um homem muito sério e fechado, foi o mais forte e confiante.  Bom, exames realizados, cirurgia marcada, a barriga crescendo, as dores aumentando... tudo acontecendo ao mesmo tempo. 
          Por fim, chegou o grande dia, o dia do nascimento da minha filha, a primeira neta da família. Minha bolsa estourou em uma madrugada de feriado, o marido não sabia o que fazer, o medo e a ansiedade tomou conta... foi tudo muito intenso. Por fim, ela nasceu, linda, saudável, mas não de parto normal, pois a “dondoquinha” estava sentada.
           Passado tudo isso, chegou a hora de colocar em prática a amamentação. Peguei minha filha no colo, me emocionei, um momento incrível! Ela já veio logo se atracando no meu peito, uma sensação maravilhosa!!! Os dois primeiros dias, foram tranquilos, colostro no peito, ela mamando...
          No terceiro dia o leite deveria descer, e agora? E agora, nada! Nada mesmo! E enquanto isso, meu pai continuou realizando exames, se preparando para a cirurgia. Esse momento de espera, é terrível, pois não podíamos fazer nada, uma angústia! Mesmo com uma pequena chorando e tomando todo o meu tempo de mãe de primeira viagem não conseguia pensar em outra coisa a não ser no meu pai. Mas e aí, desistiu de amamentar? Não, de forma alguma! Procurei e tentei todos os recursos conhecidos, bombinha para tirar leite, massagens, bico de silicone, banco de leite, tudo que estava ao meu alcance e sempre com o apoio do meu marido, que se revelou um pai maravilhoso. Mesmo sem o leite, colocava ela todos os dias no meu peito, com a esperança que ele viria. E a pequena chorando, nervosa... Fiquem tranquilos, ela não passou fome e não ficou sem leite. O pouco de leite que eu e o marido conseguíamos tirar com a bombinha era oferecido a ela no copinho, mas como era muito pouco foi preciso complementar com fórmulas prontas.
          Depois de muitas tentativas, dores, não teve mais jeito, tive que me render definitivamente às fórmulas prontas na mamadeira. Foi sofrido e me senti sim a pior mãe do mundo, chorei por várias vezes! Mas como dizem, Deus sabe o que faz, e isso se confirmou, não senti nenhuma dor no peito e ela se adaptou tranquilamente à mamadeira.
Nesse meio termo meu pai realizou a cirurgia, os exames finais, fez todos os procedimentos necessários. 
          O resultado de tudo isso... meu pai está curado, minha filha super saudável e todos nós felizes com o sorriso e encanto da nossa pequena. Meu pai diz que ela foi o melhor remédio dele, a sua cura. E não tem como duvidar disso! 
          Não estou aqui para incentivar as mães a deixarem de amamentar, e sim para dizer que se você pode, amamente! Mas se você assim como eu não teve esse privilégio, abra o seu coração, não se culpe, não se ache menos mãe por esse motivo.                    
          Descobri que tão importante como o leite materno, é o amor! Quem teria coragem de dizer que o amor, o carinho e a dedicação não alimentam?! Eu digo com todas as letras, alimentam SIM! Hoje sei que fiz de tudo e dei o meu melhor, me sinto forte, realizada e com o PEITO CHEIO de amor!"

 

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