Mãe... de carne e osso

              Nossa, estava com esse post empacado por aqui há umas 3 semanas... Comecei a escrever, parei. Volta e meia pensava nele, me dava preguiça... Ouvi uma música na rádio, no carro... Me deu vontade de escrever... Chegando em casa, esqueci, larguei pra lá... Por que será que é tão difícil lidar com as nossas deficiências, hein?!
            Aí ontem encontrei a motivação final para acabar de escrever... Fui ao cinema! Ah, que delícia ir ao cinema com o marido, SÓ NÓS DOIS! O que fomos assistir? Rss... Não, não aproveitamos para ver um romance, fomos ver MALÉVOLA! Adoro contos de fadas, adoro a Angelina Jolie. Confesso, sou fãzassa dela mesmo! Acho ela linda, tem uma prole e tanto, me passa uma ideia de mulher super bem decidida, é super envolvida em trabalhos sociais, e, convenhamos, tem um maridinho até bonitinho né?! Nessa hora deixo meu senso crítico exacerbado de lado tá gente... eu também tenho direito de fazer isso às vezes...
            Então, depois de dar uma voltinha na loja de brinquedos (ser pai é algo mesmo viciante!), assistimos ao filme!
            Adorei! ... o que eu mais gostei? A personagem da Malévola, tem permissão... permissão para errar, para não ser perfeita, sem a condenação de um final triste. E se tem uma coisa que mãe precisa, com certeza é de permissão.
            Parece que a maternidade já traz consigo uma série de exigências: temos que ser boas mães, disponíveis, amáveis, perfeitas... Af, como dar conta disso tudo o tempo todo?! Não damos né!? E o que isso vira? Claro, não tem como virar perfeição, então...  vira CULPA!!!
            Me lembro que quando eu estava pensando em engravidar a primeira vez, pensava: nossa será que eu dou conta de cuidar de um bebê? E quem não pensa? A responsabilidade completa por um novo ser, que depende da gente inicialmente para tudo, pode gerar mesmo quase um certo pânico em alguns pais, especialmente de primeira viagem. 
             Com o passar do tempo a gente vai até percebendo que dá conta sim, mas o problema passa a ser, então, a medida desse “dar conta”. Claro, não nos é suficiente fazer, queremos fazer o melhor. Mas o que é esse melhor? 
            Hoje é muito fácil buscar informações sobre como proceder em cada uma das decisões que temos que tomar como pais, e essas decisões nos inquietam desde a gestação... Ultrasson, faz mal? Quantos fazer? E aí, tomar ou não vitamina na gravidez?  E o parto, como vai ser? Como proceder em relação à amamentação? Como introduzir a alimentação? Trabalhar ou ficar por conta do bebê? Escolinha ou babá? E por aí vai...
             Ah, não nos faltam questões, e, claro, um tanto de argumentos e respostas, muitas vezes contraditórias para cada uma delas. Gente para dar palpite então?! Aos montes! ... A nós, pais, cabe filtrar: o que nos parece mais pertinente? 
             O problema é que, a partir de tudo isso, construímos o que acreditamos ser ideal, e...? E aí que, no dia a dia, não conseguimos nos enquadrar nesse padrão.
              Esses dias uma amiga, ainda grávida, me contou que estava se sentindo culpada porque não estava conseguindo se exercitar da forma como gostaria durante a gestação. Alguém se identifica? Sim, temos consciência de que devemos nos exercitar, comer bem e descansar durante a gestação. Mas aí você trabalha, tem outro filho, marido, casa... e aí não sobra tempo suficiente para se exercitar sempre da melhor forma, de comer sempre uma alimentação balanceada, de dormir o quanto o seu corpo pede, de manter a calma e a tranquilidade que seriam interessantes no período gestacional. Tudo isso: CULPA!
               Fácil se considerar uma boa mãe? Ah, não, não é não!
               E sabe quando eu mais percebo que estou tentando me enquadrar no papel de mãe ideal que eu mesma criei? Quando eu percebo que, mesmo para coisas que acho que são bem resolvidas, ao entrar no assunto, vou logo justificando... E haja justificativa...!
                Querem ver? Quando me perguntam...
            - Foi parto normal?  A minha resposta: - Não, MAS é que ela estava sentada. MAS o segundo foi normal, viu!?
               - Você amamenta ainda?  Não, MAS eles pararam porque não quiseram mais!
                - Ele toma mamadeira? - Ah, toma, MAS é porque não quis pegar o copinho de jeito nenhum para tomar leite. MAS a minha mais velha nunca tomou mamadeira. Ah, e ele só toma leite na mamadeira, as outras coisas ele toma no copo.
              - Nossa, eles já vão para escolinha? – Vão, MAS a escolinha é ótima...
               Nossa, tem hora que é tanta justificativa, que cansa! Sim, as perguntas vem, muitas vezes, com AQUELE tom de julgamento. Mas outras não, é a nossa própria autoexigência que faz com que a gente necessite justificar. 
               E aí? Aí que tem hora que a gente se cobra tanto, em todas as coisas, que passamos a querer dar conta do mundo... e  a maternidade se torna um peso... e fica tudo muito difícil ... e a gente chega a adoecer. 
               Soluções para esse problema? Tenho tentado algumas por aqui. Entre elas, praticar o que ouvi esses dias: trabalhar a permissão para ser “apenas” a mãe possível. E olha que só isso já é muito... Pelo menos o filme de ontem me fez lembrar que, apesar de não ser perfeita, por aqui meu coração está cheio de amor verdadeiro!!! 
               Detalhe: ontem fui só com o marido ao cinema, MAS os filhos ficaram superbem em casa, com a Tia Lu, que eles adoram, viu?!!... Rss...  
              Calma, tudo é processo, somos de carne e osso...

 

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