Você conhece suas origens?!

       

        Esses dias, enquanto lia algumas coisas sobre partos na internet, me deparei com um texto bem interessante, de uma mulher que tentava desvendar o motivo pelo qual ela trazia, em seu interior, uma vontade tão intensa de parir. No texto, ela contava que tinha ido conversar com sua mãe, para saber da história dela e de sua avó sobre o assunto.
          Nesse instante, parei para recordar das inúmeras vezes que a minha mãe me contou algumas histórias, e me deu um aperto por aqui, de pensar que cada detalhe perdido, agora não tem mais como ser recuperado.
          E junto com esse sentimento me deu uma vontade louca de guardar o que ainda é possível... E, então, liguei pro meu pai, e fiz um pedido: “pai, escreve pra mim a história sua e da minha mãe?” E ele, que adora escrever, de pronto aceitou o pedido!
          Hoje, há dois dias do “Dia dos Namorados” é aniversário dele, do meu pai, mas o presente, quem ganhou fui eu: o registro da história de amor que deu origem à minha família. E é essa história que compartilho com vocês, desejando à todos que possam construir não relacionamentos perfeitos, porque esses, acho que não existem... Mas relacionamentos nos quais o respeito e o amor sejam intensos e eternos...   

 

          "Essa história de amor eu vou contar para servir de exemplo para muitos casais. Começa em janeiro de 1965. Eu recém-formado na escola de Sargentos das Armas, ia para a praça de Três Corações para ver as moças passarem, quando uma moreninha me interessou. Ela sorria muito e brincava com suas colegas. Quando passou pela terceira vez pelo banco onde eu estava sentado, sorriu para mim. Não esperei mais, e fui atrás. Sentia, naquele momento, meu coração palpitar. Perguntei seu nome e ela me respondeu: Marta. Continuei do seu lado e começamos a conversar. Convideia-a para sentar em um dos bancos da praça e ela aceitou. Dizendo que no próximo fim de semana viria novamente passear na praça. 
          No outro fim de semana encontramos no mesmo lugar e ela me falou que se chamava Magda, e não Marta, como tinha me falado. E comentou que seu irmão tinha falado para seus pais que havia visto ela de namoro com um militar. Seus pais não gostaram, mas ela falou que o rapaz que estava com ela era namorado da Rosa, sua amiga. Continuamos a nos encontrar todos os fins de semana, e a cada encontro, eu me sentia mais apaixonado. 
          Um certo dia ela aceitou que eu a acompanhasse, mas sempre com sua amiga do lado. Nesse dia trocamos o primeiro beijo. Quando chegamos próximo onde morava, ela me mostrou sua mãe, que estava na frente da casa. Ela me falou para seguir com a Rosa, mas como sou teimoso, não aceitei sua ideia e continuei ao seu lado até chegar em sua mãe. Me apresentei a ela, e pedi permissão para a namorá-la.
          Dona Lourdes, como se chamava sua mãe, pareceu que gostou de mim. Me respondeu que iria chamar Seu José, seu pai; Esperei com o coração a mil, embora tivesse sido audacioso, estava tremendo de medo.
          Ela apareceu, e me convidou para entrar e sentar na sala. Falou para mim: não gosto que minha filha namore militar, mas sinto que você parece ser um bom rapaz e eu vou permitir. Eu não sabia o que falar, estava engasgado, mas muito feliz.
          Fui convidado por sua mãe para almoçar no sábado seguinte, porque ela queria me conhecer melhor. Eu aceitei. Foi a semana mais demorada de minha vida: o tempo não passava, parecia que o relógio estava parado. 
          Chegou o dia marcado, cheguei antes do meio dia. Todos da família estavam reunidos. Jorge, seu irmão que morava em São Paulo, também estava lá, além de seus irmãos José Carlos, Edgar e Antônio Fernando. Ele olhava com um cara de poucos amigos, mas Jorge se tornou o meu anjo da guarda: procurava me deixar a vontade. Dona Lourdes especulava tudo sobre minha família, e comentou que gaúcho não gostava de preto... será que minha família aceitaria esse namoro?! Respondi que eu decidia sobre minha vida. Nesse momento Magda apareceu linda e sorridente. Meu coração batia descompassado. Sentou ao meu lado, mas não conseguíamos conversar, devido ao falatório de Dona Lourdes. O almoço transcorreu tranquilo, e eu não conseguia tirar os olhos daquela morena que já fazia parte de minha vida. Estava realmente apaixonado e sentia em seu olhar, que era realmente correspondido.
          Na semana seguinte fomos para o Rio de Janeiro, lá esperávamos a nossa classificação para a unidade que tinha escolhido, BGP de Brasília. Prometi que passaria o carnaval com ela em Três Corações.
          Ao me despedir, na Rodoviária, percebi em seu rosto o olhar triste, como se não estivesse acreditando no que eu tinha prometido. Ao aviso do motorista que devíamos embarcar, o nosso beijo foi longo, como se nunca mais nos iriamos ver. O ônibus partiu e algumas lágrimas escorreram pelo meu rosto, já sentindo saudades do amor de minha vida. 
          Ficamos mais de vinte dias sem nos ver, até que chegou o carnaval e fomos dispensados do exército para viajar. Hospedei-me no hotel próximo a Rodoviária. No outro dia fui vê-la. Foi um dos dias mais felizes de minha vida. Pulamos o carnaval no Montese Clube, fantasiados de índia e índio, roupa que consegui emprestado de um amigo. O meu cunhado Jorge nos acompanhou em todos os bailes.
          Acabou o carnaval e era hora de partir para o Rio de Janeiro. Novamente estávamos tristes. Prometi que escreveria assim que chegasse em Brasília, e também marcaria o horário que nos falaríamos na Central Telefônica, único meio que tínhamos na época para nos comunicar. 
          Ficamos um ano e meio nos comunicando por carta e telefone. Mas nosso amor continuava cada vez maior. Enviei meus documentos pelo correio, e marcamos nosso casamento para 25 de junho de 1966. Cheguei um dia antes, e tudo estava sendo preparado.
          Conheci suas irmãs Iolanda e Vanda, que moravam fora de Três Corações. A hora chegou, e não nos contínhamos de felicidade. Entramos na Igreja ao som e canto de Ave Maria. Eu parecia que estava sonhando, parecia andar nas nuvens de tanta alegria que aquele momento me proporcionou. A festa foi simples e não víamos a hora de ficarmos a sós. Partimos para a lua de mel na cidade Cambuquira, foram quatro dias de felicidade completa. O nosso amor aumentava a cada dia.
           Viajamos para Belo Horizonte e depois para Brasília. Fomos morar no Bairro Cruzeiro, até que nosso apartamento na Asa Norte Comercial fosse entregue. Quando fomos para nosso lar, fomos comprando nossos móveis que faltavam. Saíamos todo início do mês, alegres e felizes por estarmos montando nosso cantinho de amor.
          Como só o amor constrói, construímos uma família. Carlos Weiner foi o primeiro, nascido em Brasília, Flávia em Três Corações e Sabrina em Patos de Minas. Passamos muitas dificuldades na criação de nossos filhos. O nosso salário era muito pequeno para as despesas. Mas nosso amor era muito grande, e aos poucos conseguimos vencer todos os obstáculos que a vida nos destinava. Passamos por doenças, minhas e dela. Enfrentamos tudo confiando em Deus, não esmorecendo frente as dificuldades que enfrentávamos. Conseguimos vencer, formamos nossos filhos, procuramos dar-lhes o que as vezes nos faltava. Criados com carinho pela minha guerreira, porque como militar pouco tempo tinha para dedicar-lhes. 
          Eu agradeço a Deus por ter me dado uma companheira por quarenta e oito anos. Só quem vive com amor no coração pode entender a força que ele nos dá. Ela partiu pela vontade divina e com a falta dela partiu um pedaço de mim. Eu a amarei pelo resto de meus dias. Ela estará para sempre em meu coração. Guerreira, companheira, amiga, esposa, amor de minha vida. Não digo adeus, e sim até breve para continuarmos a nossa história de amor eternamente no plano celestial
". João Carlos Farias de Souza

 

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