A expectativa de uma gestação...

     Ainda não inventaram um teste de gravidez que possa ser feito no dia logo após a concepção?! 
     Ah, com certeza, se você está tentando, ou já tentou “fazer” um bebê, já deve, como eu, ter feito essa pergunta!
     Já dizia o velho ditado: “o que não mata, engorda!”... Pois bem, se a expectativa de um resultado positivo de gravidez não mata, com certeza, deve engordar a maior parte das mulheres, de PURA ANSIEDADE... é ou não é verdade? 
     Aqui em casa, desde quando nos casamos, a ideia sempre foi, esperarmos pelo menos uns 3 anos, antes de providenciarmos nosso primeiro bebê.
     Das coisas que mais gosto nessa vida é viajar. Então, a ideia era: vamos, nesses primeiros três anos de casados, fazer umas viagens bem legais, do tipo que seriam mais difíceis de serem realizadas com crianças pequenas, e, depois, arrumamos um filho.
     Na verdade, se o plano inicial por aqui não fosse arrumar quatro filhos, até estenderia um pouco o tempo para me tornar mãe, só para poder viajar mais vezes de forma mais tranquila, mas como não gostaria de ser mãe muito mais velha, não tinha como esperar muito. 
     Nos casamos em 2007, e, nos dois anos seguintes, conforme planejado, fizemos ótimas viagens. Chegou o terceiro ano, 2010, e junto com ele a organização para, conforme havíamos combinado, aumentar nossa família. 
     Ainda não tínhamos decidido quando começar a tentar, mas partimos para os exames, exercícios, ácido fólico, e, claro, a organização da nossa terceira (e provavelmente a última) viagem a dois.
     Conversávamos, indecisos, como acredito que muita gente fica, sobre se já era a hora certa... Lembro da conversa que a gente teve antes de viajar... Marido, ponderado como ele só, diante da empolgação em pessoa que sou eu, dizia: “Filho a gente não tenta, a gente faz ou não faz... Não tem meio termo! E aí, você quer mesmo fazer isso agora?! ”
     Eu achava que queria: estaríamos de férias, viajando, tranquilos, aquela seria uma boa hora para tentar!
     Ao mesmo tempo não queria criar muita expectativa, afinal, tinha várias amigas tentando engravidar há um bom tempo e, nada! Tinha também tudo o que eu já tinha lido sobre ser normal o prazo de até um ano de espera para poder engravidar. Assim, claro que achei, apesar das advertências do marido, que isso não funcionaria assim: pá-pum! 
     Então passamos três maravilhosas semanas viajando, namorando, passeando, e brincando, sem levarmos muito a sério, a possibilidade de estarmos grávidos.
     O fato é que, depois de três semanas fora, quando voltamos, já quase dava para sabermos se seríamos ou não pais. Não estava sentindo nada de diferente, pelo contrário, ao final da semana que chegamos de viagem comecei a sentir umas cólicas, e achei, claro, que tudo estava como sempre esteve... 
     Mas a cólica continuava, e nada acontecia. Então, sábado à noite, decidimos comprar um teste de gravidez, que fizemos juntos, no domingo cedinho... E...? O teste foi instantâneo: dois risquinhos lá, bem fortinhos.
     Ficamos atônitos! Sabe aquela sensação de... frio na barriga?! Não, nem era isso, Acho que era dor de barriga mesmo! 
     Ficamos felizes, mas não acreditamos demais no exame de farmácia (apesar de, racionalmente, termos certeza de que positivo era mesmo positivo!). 
     Então logo procuramos minha médica, que pediu o exame de sangue (feito no mesmo dia e positivo logo após 4 horas), e o nosso primeiro ultrassom... 
     Até essa hora, não tínhamos tido tempo de morrermos de ansiedade: nas duas semanas após a concepção, ainda estávamos viajando, com foco em outras coisas; a ideia de um filho ainda era algo quase surreal; e o resultado positivo do exame foi tão rápido que nem tínhamos tido tempo de processar a informação. 
     Mas tudo isso mudou logo em seguida, quando fizemos nosso primeiro ultrassom... Nós dois lá, felizes, na expectativa de ver um bebê, ou um coraçãozinho batendo, e o que nós vimos?! Nada! Na verdade, quase nada. Tinha lá, uma bolinha dentro de mim, num lugarzinho considerado até bom para uma gestação, mas o desenvolvimento dela não coincidia com o tempo gestacional... Coração batendo? NEM SINAL! Só o meu, numa angústia doida, ao pensar que alguma coisa estava errada. 
     E aí? Bom, aí que, até chegar a hora de voltar na médica, eu já tinha pesquisado tudo e mais um pouco na internet sobre o que poderia estar acontecendo... Por que a gente ainda faz isso hein!? Regra básica: qualquer coisa que você acha que tem, vá para a internet que você vai ter certeza de que tem algo MUITO pior! 
     De tudo que pesquisei o que me pareceu mais provável era que tínhamos um “Ovo Cego”. Para quem nunca ouviu falar disso, sugiro uma ótima leitura do blog Jeitinho de Mãe, sobre o tema: “Gravidez de Ovo Cego e aborto espontâneo... Aconteceu comigo.”   
     Pois bem, para mim, era isso que estava acontecendo comigo. 
Quase morri de ansiedade até chegar a hora de voltar ao consultório. A ideia de ter um filho, já, em tão pouco tempo, tinha tomado conta de mim, e agora?!
     O pior é que continuei morrendo de ansiedade mesmo depois da minha consulta. A médica me explicou que, sim, era possível termos uma gestação anembrionária. Como saber? ESPERAR! ... Hein? Sim, esperar! Quando tempo? Pelo menos mais umas duas semanas, para fazermos um novo exame e descobrirmos se haveria ou não desenvolvimento do embrião.
     Pronto: toda a ansiedade da qual eu tinha sido poupada até a realização do exame me enlouqueceu nessas duas semanas!
     Resultado: depois de duas semanas que pareceram durar mil anos, ansiosos pelo resultado e guardando toda a situação só pra gente, um novo ultrassom mostrou lá, lindo, um coraçãozinho, batendo forte... E então, a certeza de que seríamos, sim, pais de primeira viagem, nos inundou de pura alegria! 

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