Meus filhos são cabeçudos, e o seu?

           

            Muitas vezes, quando mencionamos que estamos esperando um filho, uma das coisas que as pessoas mais dizem é: “que venha com saúde”! Acho que isso é uma coisa, claro, que todas as mães, se pudessem, escolheriam para seu filho. 
            Pois bem, o fato é que essa frase, muitas vezes, vem acompanhada de outra, do tipo: “nossa, podia ter os cabelos do pai!”, ou “bem que podia puxar os olhos da mãe”...! É ou não é?! Ou então uma brincadeirinha assim: “tomara que não tenha o seu nariz!” 
            Claro, tudo isso bem na brincadeira, mas... será?!
            Até que ponto não reproduzimos padrões de beleza “ideias” e não contribuímos para que os nossos filhos se sintam envergonhados por suas características físicas? Acham que isso é exagero? Tenho minhas dúvidas!...
            Eu, de verdade, nunca consegui imaginar muito com que carinha cada um dos meus filhos nasceria. Até já cheguei a pensar: será que vão ser mais ou menos moreninhos? Com os cabelos mais ou menos cacheados? Algo assim, bem light, QUASE nada muito determinado não! Ainda bem, porque nunca os imaginaria com a carinha que eles tem!
            Se eu não idealizei em momento algum? Sim, claro que já! Além de sonhar em ter uma filha ruiva (AHAHAH... sei lá de onde vem esse desejo, mas apostava nos 3 fios de barba ruiva que o marido tem! Rss...) a única coisa que não gostaria, assim, de imediato, era que meus filhos tivessem as minhas orelhas! Ai não, minhas orelhas não! DETESTO minhas orelhas!!!
            Minha mãe tinha uma orelhinha lindinha, meu irmão tem uma orelha indecente de bonita, a da minha irmã não é uma belezura, mas..., meu pai tem orelha de homem, meio grande, mas razoável. A minha? Uma de cada tamanho, bem de abano, herdadas, pelo que descobri por fotos, do meu avô materno! 
            Acho que um dos motivos de adorar meus cabelos cacheados é justamente isso: eles tampam as minhas orelhas! Imagina se fossem lisos? Ficaria aquela “pontinha” aparecendo pra fora do cabelo! Cabelo preso? Nem pensar! Usar faixas e tiaras? Ai credo! Nem querer ser bailarina, como muitas das meninas pequenas dizem querer ser, eu nunca quis!... Porque? Imagine as orelhas compondo o look com o coque? Era isso que eu imaginava quando pensava em bailarinas... Deus me livre! Já cheguei a pensar que, se um dia tivesse câncer, uma das coisas que me deixaria mais abalada seria ficar careca, não exatamente pela perda do cabelo, mas por não ter mais como tampar as orelhas... Muita bobagem, claro! Mas pior é que é verdade!
            Então, mas porque essas orelhas me incomodam tanto? Acho que, no decorrer da minha história, aprendi a não aceitá-las. Quando eu era pequena, minha mãe pregava fita adesiva nelas, porque acreditava que isso talvez ajudasse a consertá-las! Super boa intenção! AHAHAH... Até que um dia, ao esquecer-se de tirar as fitas para ir ao pediatra, ele a desiludiu dizendo que não iria funcionar! Ela sempre contou isso, e nós todos, claro, sempre rimos dessas e de outras besteiras! 
            O fato é que, fui, com o tempo, criando uma grande resistência em relação à elas. Sim, criando, porque não acredito que nenhuma criança nasça acreditando que uma parte de seu corpo seja inapropriada. A gente aprende isso. E é nesse ponto que eu quero chegar! 
            Claro, quando nossos filhos nascem, a gente tende a achá-los lindos demais! Filho, sobrinho, qualquer bebê que a gente tenha mais afinidade! Interessante como nossos nenéns, tendem, incrivelmente, a ter menos “cara de joelho” que o dos outros! 
            Lembro de uma vez que fui levar minha sobrinha, de 4 meses, para mostrá-la para meus colegas de faculdade, e um dos meus amigos disse, sem cerimônia: “nossa, que neném feio”! Eu, claro, achava ela linda. 
            Tem muita gente que acha que o filho é a coisa mais bonita do planeta, sempre e para sempre! (o que, na minha concepção, também pode se tornar um problema). 
            Há, entretanto, outro tipo de pessoa... aquela que acha o filho lindo hoje, mas reconhece que isso nem sempre foi verdade!... Uma forma de perceber isso? Proponho um exercício: 1) Olhe para uma foto de um bebê querido, tirada há algum tempo (quanto mais querido o bebê, mais antiga tem que ser a foto! Rss...). 2) Olhando para a imagem, sem ter toda aquela fofurice na sua frente, ao vivo, tente pensar e responda: você acha o bebê da foto tão bonito quanto a criança de agora? Aposto que grande parte das pessoas vai dizer que não! Aqui em casa, a gente costuma ver as fotos e dizer: “nossa, eles melhoraram bastante!” Ou seja, mantemo-nos apaixonados pelos encantos dos pequenos no momento atual, e, muitas vezes, restringimos nosso senso crítico ao passado. 
            Entretanto,  dia ou outro, nosso senso crítico pode estar apurado e, nessas horas, podemos identificar em nossos filhos características fora do padrão! Questões... 1) Mas... qual padrão? 2) Como lidar com isso?
            Nem vou discutir a questão de qual padrão, porque isso vai longe... Então, vou me restringir apenas a segunda questão: como lidar com isso? 
             Minha mãe sempre foi do tipo que punha defeito nos seus próprios filhos. Meu irmão, muito custoso, foi levado a um psiquiatra quando tinha cerca de 2 anos, isso há 45 anos atrás, ou seja, numa época que esse tipo de conduta não era nada comum. Minha irmã, nossa... essa “sofreu”: primeiro minha mãe achou que ela era surda, depois que era muda, já que com quase 2 anos não falava... descobriram, então, que era “só” preguiça mesmo! Além disso, como ela tinha uma cor meio “indefinida”, seu apelido, por um bom tempo, foi Amarelinha, ou, para piorar, Urubuzinha!... e por aí vai! Eu, que nasci muito pequena, todo mundo dizia era um bebê horrível: não tinha nem sobrancelha! Tanto que meu irmão brincava comigo dizendo que minha mãe tinha esquecido a criança no hospital e, levado pra casa, a placenta! Sempre brincamos e rimos muito, com todas essas e muitas outras coisas.
            Eu acho bem ok reconhecer que meus filhos não são perfeitos. Acho que isso, para nós, pais, até ajuda a perceber problemas “funcionais” que podem ser corrigidos: de fala, de visão, de postura, de comportamento, etc. Mas nem todo mundo pensa assim, e alguns pais, até com isso tem problema, não é verdade? Tem aqueles que custam a perceber que o filho precisa de ajuda e serviços especializados. 
            Por outro lado, quando a questão é simplesmente estética, eu acredito que a forma como nós, pais, agimos em relação ao que é considerado feio (ou deveria escrever “que NÓS consideramos feio”?!), pode ter grandes impactos sobre a vida das nossas crianças. 
            O que eu percebo é que muitas mães que eu conheço, nem sei se percebendo isso ou não, não se sentem MESMO confortáveis com alguma característica do filho: acham magro demais, pequeno demais, orelhudo demais, muito maior que os colegas, ficam desconfortáveis com o fato da criança usar óculos, e por aí vai... Em alguns casos, de pessoas próximas, isso pra mim fica bem perceptível. Conheço pessoas que fazem escova nos cabelos de meninas bem pequenas, porque o cabelo é “ruim”... O que é um cabelo ruim? O cabelo é ruim para quem? Será que a criança nasceu achando que o cabelo dela era ruim?  
            Assim, algo simples, na minha opinião, pode se tornar algo muito maior. O que será que estamos criando para nossos filhos ao agirmos dessa maneira? Falta de aceitação de si mesmo? Autoestima reduzida? Pessoas que brincam com suas dificuldades e com as dos outros, não porque esse seja um assunto tranquilo, mas por não saberem como lidar? Pessoas preconceituosas? Acho que tudo isso é possível!  
            O que fazer? Não sei, acho que, talvez, a primeira coisa seja tentar identificar porque aquela característica na criança nos incomoda. Talvez o incômodo seja nosso, e não precisemos passar isso pra eles... quem sabe?
            Meus filhos? Ah, por enquanto os dois que já estão por aqui tem orelhas, digamos, até formosas! Tenderia a dizer que, até por escrever esse post, essa questão da orelha está praticamente resolvida pra mim... até pensar num terceiro filho, e me pegar torcendo para que ele tenha as orelhas iguais as do marido! Rsss... Qual o “problema” por aqui? Ah, meus filhos são lindos, claro! Acho isso especialmente quando vejo as fotos deles mais novinhos Rsss... Ok, de forma mais perceptível, eles são bem cabeçudos, mas como isso não é algo que incomoda em mim, não me incomoda neles também... Bom, então acho que podemos deixar para discutir “tamanho de cabeça” em outro post, né?! 

            Aqui, um vídeo para ajudar a gente a pensar... Se não ensinarmos nossos filhos a se valorizarem, quem ensinará?!

 

 

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