Desrespeito...

     Sempre tive pouca paciência com algumas coisas, mas depois que me tornei mãe, e o tempo se tornou mais escasso, passei a ter menos ainda...
     E se tem uma coisa que me tira do sério é ser desrespeitada como consumidora.
     Sexta-feira, aproveitei o feriado emendado e saí com a minha irmã para comprar roupa para as crianças... Tipo, situação de emergência: começou a esfriar um pouco, as calças da Helena já estão bem pro meio da canela, e as roupas de bebê do Apolo, obviamente, não servem mais. 
     Quem me conhece sabe que eu não sou do tipo que compra roupas caras pra criança... (nem pra elas, nem pra mim!). Por outro lado, claro que gosto, como toda mãe, que meus filhos usem roupinhas bonitinhas... A questão é que nem sempre conciliar essas duas coisas é fácil.  Daí, muitas vezes, saio, ando, ando e não compro nada.
     O fato é que sexta-feira acabei comprando uma calça jeans para cada um dos pequenos, em uma dessas lojas populares, e minha irmã encontrou, em uma loja que a gente nunca tinha entrado antes, um conjuntinho bonitinho para a minha sobrinha. Nessa loja, vi uma jardineira jeans e fiquei super tentada a comprar para o pequeno.  Respirei fundo, esperei a tentação passar, e mesmo ele estando precisando de roupa comprida, fui embora sem levar.
     Só que a tal jardineira não me saía da cabeça, ele estava mesmo precisando, e o preço estava razoável. Então, sábado, na hora do almoço, passei sozinha, rapidinho na loja, e comprei a tal jardineira. 
     Fui bem atendida pela vendedora, e a dona da loja me avisou que, caso não servisse, eu poderia trocar, dentro de 15 dias. Que bom! Porque se tem uma coisa que eu acho que não funciona é levar menino muito pequeno pra experimentar roupa.
     Então, chegando em casa, experimentei a jardineira, tamanho 1, e, claro, ela não serviu! Porque a gente sempre acha que nossos filhos estão menores do que realmente estão?
     Bom, o fato é que hoje, na hora do almoço, antes de buscar os meninos na escola, passei na loja para trocar o produto. 
     Chegando lá a vendedora que tinha me atendido, me disse que a dona não estava, então, não poderia trocar o produto. 
     Expliquei a ela que queria exatamente a mesma coisa, mas que um número maior, e pedi para ela verificar se tinha.
     Ela me perguntou se era de menina (com a jardineira que eu tinha comprado, bem de menino, na mão). Eu disse que não e mostrei a ela onde estava o produto que havia comprado.
     Então ela achou o número que eu queria, mas insistiu que não poderia trocar. 
     Tinha outra moça na loja, filha da dona, que repetiu a mesma coisa.
     Expliquei que para mim era difícil voltar, e ela novamente falou que só poderia trocar quando a mãe dela estivesse lá. Detalhe: a mãe dela, dona, estava em outra cidade, fazendo compras para loja...
     Expliquei que para mim, voltar outra hora, era complicado. E que estava mesmo precisando da mercadoria, e não poderia esperar a mãe dela voltar de viagem.
     Depois disso ela decidiu ligar para a “mãe-dona”. Depois de uma boa espera, voltou dizendo que a mãe dela estava ocupada, que eu tinha que esperar mais para ver se ela resolvia. Que tinha que achar uma planilha, senão não tinha jeito de trocar não.
     Expliquei, então, que se era por conta do registro do produto, que não tinha problema, ela poderia tirar a etiqueta, que eu não voltaria novamente para trocar, já que tinha gostado do produto e o problema era apenas o tamanho. 
     Ela novamente repetiu que não poderia trocar sem autorização da mãe-dona, e entrou pra dentro da loja, com o telefone na mão. Devo ter ficado, pelo menos, uns 15 minutos esperando... enquanto os meninos me esperavam na escola. 
     Confesso, lá, naquela hora, enquanto esperava, com as duas jardineiras na minha frente, e toda a circunstância, me deu uma vontade danada de dar uma de louca (porque eu realmente já estava ficando enlouquecida), enfiar a de tamanho maior na bolsa e sair correndo, rss...! Poxa, já tinha pago mesmo, e aquilo, pra mim, não fazia o menor sentido. Claro, como pessoa relativamente contida e civilizada que sou, respirei fundo, pensei na vendedora que estava lá, arrumando a loja, sobre quem, com certeza, recairia a responsabilidade (considerando a mentalidade dos donos do negócio), e continuei esperando. 
     Ok, volta a moça dizendo que tinha achado a planilha e que tinha conseguido falar com a mãe dela. Que a mãe tinha mandado um recado: que eu não precisava me incomodar mais, que da próxima vez não trocaria o produto. Que, desta vez, faria O FAVOR de trocar pra mim, porque eles só trocavam produto com defeito. 
     Está certo, o Código de Defesa do Consumidor não prevê troca de mercadorias que não estão com defeito, mas... 
     - Na loja há um aviso, pregado na parede, de todo tamanho, que trocas podem ser realizadas em até 15 dias. 
     - A moça disse, desde o primeiro instante, que a loja trocava o produto, mas que a troca só podia ser feita pela dona. Ou seja, PODIA ser feita!
     - Além disso, a própria dona da loja me avisou que, caso não servisse, eu poderia trocar; da mesma forma que avisou pra minha irmã, na sexta-feira, que se a roupa que ela comprou não ficasse boa na minha sobrinha, bastava não tirar a etiqueta para trocar... (e com testemunha, porque ainda tinha um aluno meu lá, bem nessa hora, escolhendo um conjuntinho pra filha dele!rrs...)
     Bom senso né minha gente, loja de criança, que não troca produto intacto, com etiqueta, e comprado hà 2 dias, por um outro, só de tamanho diferente?!
     Respondi, sem acreditar no que estava ouvindo, que não achava a forma como ela estava procedendo correta. Como também não era correto, inclusive, ela ter me vendido o produto e não ter dado a nota fiscal. Depois disso, peguei a jardineira, retirei a etiqueta, e coloquei na bolsa. 
     A moça então, não satisfeita, com o tratamento vip que já havia me dado, vira pra mim e diz: “ vá pela sombra”... 
    Ah, com certeza, foi o que eu fiz... fui pela sombra, pra nunca mais voltar  ... 
   Pelo menos vira estudo de caso nas minhas aulas de empreendedorismo... ótimo exemplo de atendimento ao cliente.
    Pra vocês, fica a dica!  

 

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