Gravidez... 2 de uma vez?!

          Em um momento indefinido do tempo, passei a desejar “fazer” uma família grande! 
         A diferença entre eu e meus irmãos mais velhos é de 12 e 14 anos, o que fez com que eu passasse a minha infância desejando ter um(a) irmãozinho(a). Cresci em lugar que tinha muita criança, e amigos para brincar não me faltaram, mas queria mesmo era um irmão pequeno, ali, em casa. Adorava quando recebíamos visitas e a casa ficava cheia de gente! Mas sempre moramos longe da família, então isso era algo raro... Sabe aquele clima de almoço de domingo na casa da avó?!... Pois é, nunca tive isso por aqui! 
         Assim foi sendo construída a ideia de ter mais filhos. Acredito que isso foi fortalecido quando tivemos vizinhos pais de 6 filhos! A filha mais velha, na época com uns 9 anos (eu tinha uns 12), era minha amiga, e depois dela vinham quatro meninos, e, depois, mais uma menina. Moramos dois anos perto deles, e nesses dois anos nasceram os dois últimos filhos (uau!). A casa deles era superlegal!  Beliches no quarto, gatos, música, pijamas iguais pra todo mundo, e, no fim da tarde, rock e muita dança!... Pra mim, tudo aquilo parecia (e ainda parece!) uma festança! Nessa época, na nossa casa éramos eu, minha mãe e meu pai (já que meus irmãos faziam faculdade em outra cidade!)... tudo muito parado e sem graça quando comparado àquela casa!!! 
          Quando eu e marido começamos a divagar sobre quantos filhos ter, a nossa conta ficou em 4... AHAHA, não é difícil sermos tachados de “malucos”, mas outro dia a gente fala sobre isso! Não sei porque 4... Achei um tanto bom, marido também... Um é bom, dois é melhor, três é demais, quatro é uma festa!!! 
           Na verdade, o nosso combinado é: teremos um de cada vez, e, a cada um, a gente reavalia e pensa se terá o próximo! 
           Agora, já com 2 (e uma vontade QUASE incontrolável de ter o terceiro), muita gente que sabe da história dos 4, vira pra gente e fala: “ah, podiam vir gêmeos?!?”.
           Sei que tem muita gente por aí que acha lindo, e o sonho é engravidar de dois de uma vez. Eu, confesso, isso nunca passou pela minha cabeça! 
           Pensando aqui, acabei de descobrir que isso também tem relação com vizinhos. Quando tinha uns 8 anos, uma vizinha nossa, que já era mãe de um menino de 3 anos, e uma menina de menos de 2, teve filhas gêmeas. Me lembro da minha mãe indo socorrer ela, às vezes, e do quanto aquela situação parecia caótica... E acho que era! Pois é, fiquei traumatizada! 
            Adoro ficar grávida, e adorei parir... então está posto o primeiro problema: ter gêmeos é abrir mão de uma gravidez e de um parto a mais! 
           Pensando em ter dois de uma vez, penso também... nas possíveis complicações da gravidez, na dificuldade posta para conseguir ter um parto normal, na dificuldade da amamentação exclusiva, em pouco sono e muito choro. 
           Mas será que é só isso?! Como sou uma pessoa que tenta romper meus traumas e meus preconceitos, andei fazendo uma pesquisa por aí... como é ser mãe de gêmeos?! 
            E pelas contribuições que recebi, estou começando a perceber que ser mãe de gêmeos deve ser, também, mas MUITO MAIS do que eu pensava por aqui! 
           Arrepiei a cada relato... e por aí, quem de vocês quer ter dois de uma vez?!

 

Mamãe Lilian: Eles vieram depois de muita expectativa!! Não tive a surpresa do “se preparem, são dois bebes” pois estava torcendo por isso depois de ter implantado dois óvulos num procedimento de fertilização. Tentamos engravidar durante 3 anos até realizarmos a fertilização e na primeira tentativa, sucesso total e completo, gestação de gêmeos... um casal!!!     Confesso que me sentia (e sinto!!) muito orgulho de dizer: são gêmeos!! Um menino e uma menina! Gostava (e gosto!) tanto de contar pro mundo que NUNCA me incomodou as perguntas: São gêmeos? Univitelinos? Alguém vai te ajudar? Tem gêmeos na família? Quando um chora o outro também chora? Eles dormem juntos? Porque separou o quarto? Coitada de você!!  Quanta sorte, quantas bênçãos!! Quanto trabalho! Uma confusão de malas, papinhas, fraldas... brigas com o sono, um dorme/acorda sem fim! Personalidades diferentes, temperamentos diferentes, rotinas que não se igualam por nada! Aprendi muito sendo mãe, mas tenho certeza que aprendi mais ainda sendo mãe de gêmeos e mais um pouquinho ainda sendo mãe de um casal de gêmeos! Um mundo azul e rosa em perfeita sintonia! Promover o encontro da Barbie com o Batman pois os temas de aniversário “nada haver” um com o outro! Uma mistura de “ser ninja” e dali a pouco pedir “me ajuda, por favor!”. Separar uma briguinha, explicar o “dividir”, ganhar chuva de beijo em dose dupla! E ganhar dois abraços quando chega na escola... não tem preço! Duas criaturinhas dividindo o boxe do banheiro, o canto do sofá, o canal da tv, o banco do carro e... o colo da mamãe! É sim!! Trabalho dobrado, custo dobrado, canseira dobrada!! Agora... meio clichê mas... Amor também!! Dobrado! Meu nome é Lilian, Enfermeira por formação e mãe de gêmeos por obra Divina! Caio e Anita estão hoje com 3 anos e 8 meses de pura simpatia e gostosura! Não consigo nem lembrar (juro!!) como era minha vida sem eles!

 

 

Mamãe Inês:Ter filhos para nós foi algo planejado e programado. Após cinco anos de casados percebemos que chegara ao fim o nosso tempo de casal sem filhos e que já estávamos preparados para dar sequência à nossa constituição familiar. Não foi fácil, depois de alguns meses de tentativa, sem sucesso, fomos procurar ajuda de um especialista. Nenhum problema em ambos foi encontrado, mas na pressa de realizar nosso plano resolvemos utilizar da biotecnologia da reprodução. Apenas uma tentativa e doze dias depois descobrimos que provavelmente eu estava grávida de gêmeos! O momento foi de enorme alegria, esfuziante até, mas também de choque... não teríamos um, mas dois filhos! Eles chegaram a pouco mais de sete anos atrás e nós... marinheiros de primeira viagem envolvidos em montanhas de fraldas descartáveis, mamadeiras, banhos, cuidados, assaduras e etc... tudo que qualquer bebê necessita... multiplicado por dois. Sempre me perguntam como é ser mãe de gêmeos... eu sempre respondo que é normal, visto que nunca fui mãe de um só por vez, pelo menos nesta vida... É trabalhoso quando bebês? É. É trabalhoso quando começam a andar? Muito! Se um adoece o outro também? Sim! E agora que já são dois rapazinhos? É mais fácil? Não! Mas qual criança não dá trabalho rodeado de enormes alegrias? Qual não dá sua birra no supermercado? Qual não reage de forma espontânea frente a qualquer novidade? O diferente?... difícil relatar, pois mais uma vez reafirmo que não tenho experiência em vivenciar o desenvolvimento de apenas um filho, ou dois em idades e sexos diferentes... Meus meninos não são univitelinos, são diferentes fisicamente e são indivíduos únicos, como cada um de nós. Mas são cúmplices, amigos em grande profundidade, sempre tiveram um ao outro, dividem tudo desde a barriga! E que aperto não deve ter sido!!! Sempre tiveram com quem brincar, brigar e, disputar. E disputam tudo!! Atenção, carinho, comida, brinquedos, familiares, esportes! Mas se você interferir um protege ao outro e a disputa termina e daí, eles brigam com você! São incomparáveis, cada um com suas dificuldades e facilidades. Cada um com o SEU tempo... um começou a andar primeiro e o outro a ler... mas a cumplicidade é tanta que logo o outro acompanhou... o outro andou e o outro leu! Mas saibam que simplesmente é maravilhoso ser mãe de gêmeos!! Aliás, é maravilhoso ser mãe. Poder participar do desenvolvimento, da formação do caráter, receber o carinho, apartar as brigas, aparar as arestas. É difícil saber até onde você pode ir na correção de seus atos, até onde pode ajudar nas atividades escolares! Estamos perplexos!! São muitos “manuais” ensinando o que pode ou não ser feito com as crianças! Em quais atividades “extracurriculares” e esportivas devemos envolvê-los!! Isto sem falar nas avós, avôs, tias, psicólogos, psiquiatras, pedagogos, padres, pastores!! Todo mundo quer te “ensinar” como ser boa mãe!! Eu escuto, leio, reflito... mas na real? “Estou” sendo mãe!! Ninguém conhece e convive mais com meus filhos do que eu!! Posso errar? Claro que erro! E se erro, é porque estou correndo atrás do acerto! Depois vem a outra preocupação! O que devo fazer para que eles tenham sucesso na vida adulta? Não acho que eles devam ter uma agenda repleta de atividades “intelectuais” e não os vejo novos esportistas famosos e futuro da nação! Quero que eles sejam felizes, que aproveitem a vida de criança, que BRINQUEM muito!!! Que andem de pé no chão, abracem e durmam com suas gatinhas, que brinquem com a cachorra, que chutem bola, que ralem os joelhos, que tomem chuva, andem a cavalo, subam em árvores, que aprendam com tranquilidade o que é certo e errado... e que no fim se tornem homens bons, que respeitem o ambiente em que vivem e que façam o bem aos outros por onde passem. O que posso fazer para ajudar? Ser o exemplo. E no fim? O delicioso sempre é ser mãe, com todas as suas dificuldades, dúvidas, medos, conquistas, alegrias, entusiasmo e emoção. Foi minha escolha e agora é a minha missão!

 

 

Mamãe Fabiana: Quando resolvemos ter mais um filho, não imaginávamos uma possível gravidez gemelar. A nossa primogênita estava com 4 anos e engravidei de forma natural. No momento do US que fui avisada que eram 2, não sei ate hoje se o meu choro foi de alegria ou desespero! Gravidez difícil, barriga enorme, pesada, muito desconforto, mas ao mesmo tempo alegria e orgulho.   Quando nasceram fortes e saudáveis, foi um alivio, mas sabia que a luta estava só começando.  Os primeiros meses são cansativos, desgastantes, uma adaptação enorme na casa toda. Sempre precisei de alguém para ajudar, ate porque a mais velha ainda precisava de muita atenção. Sou bastante ansiosa, mas com eles aprendi a viver o hoje. Quando me perguntavam como ia fazer quando nascessem respondia: "não sei, na hora vou saber". E foi assim quando choravam juntos, quando adoeciam juntos, quando acordavam no meio da noite juntos. No momento certo, sabemos como lidar instintivamente. Aprendi que tudo que falam sobre gêmeos, realmente acontece. Os meus são fraternos, uma menina e um menino e extremamente unidos. Se entendem pelo olhar. Quando eram nenenzinhos, no soninho da tarde, colocava um para dormir em um carrinho e outro no berço em quartos afastados, mas acordavam no mesmo instante. No pediatra, um pedia no final da consulta a bexiga para levar para o outro que estava em casa. No colégio, não se perdem de vista, mesmo brincando com os amigos. Fiz uma tentativa frustrada quando tinham 4 anos de tentar montar um quarto para cada, afinal são de sexo diferentes. Bobagem, sempre um puxava um colchão para o quarto do outro. Assim resolvi deixar que eles encontrem o momento certo de cada um viver a própria vida. Saber lidar com essa união, respeitando a individualidade e personalidade de cada um, exige de mim uma sensibilidade grande. Aprendo e melhoro a cada dia com essa convivência! Sou privilegiada por ser mãe de gêmeos!

 

 

Mamãe Miriellen: Quando recebi a noticia de que teria gêmeos, veio à alegria, a sensação de ter dois bebês dentro de você é realmente incrível!!!  Mas ao mesmo tempo veio o medo. Como seria? Marinheira de primeira viagem, e para completar quando alguém recebia a noticia logo perguntava: Sua mãe vai te ajudar? Sua sogra? Quando respondia que não teria ajuda dessas figuras, vinha à outra pergunta: Como você vai fazer? Simplesmente respondia: Eu e meu esposo. E assim foi, tínhamos a ajuda de parentes, mas no fim de tudo sabíamos que seria nos dois. Foram muitas noites mal dormidas, os amigos percebiam nossas olheiras. Tínhamos o seguinte lema:Dormir é para os fracos, nos trocamos fraldas. rsrs... Mas enfim, é tudo em dobro. É ter que dar banho duas vezes. Quando sair parecer que esta de mudança com tanta coisa para levar. Responder aquela celebre pergunta: "São Gêmeos?”. Ser conhecida como a mãe dos gêmeos. É ter trabalho dobrado, mas ser recompensada em dobro com aquele sorriso duplo. É virar uma mãe polvo com vários braços e na hora do desespero carregar os dois no braço. Ser mãe de gêmeos é uma dadiva, são bênçãos na minha vida. São os lápis de cor que colorem minha vida. E para terminar, sendo espirita acredito que eles me escolheram, então: Obrigada Arthur e Anthoni por terem me escolhido como mãe! Minha responsabilidade é ensinar o caminho do amor, humildade e caridade, e quando forem adultos e tiverem que fazer suas escolhas que vocês façam a escolha certa.

 

 Mamãe Ana Paula: Lara e Luísa foram muito desejadas e esperadas! Como fizemos fertilização in-vitro (FIV) e optamos por colocar dois embriões (por medo de não “vingar” nenhum!) já imaginávamos que poderiam vir gêmeos (até trigêmeos, ou quem sabe quadrigêmeos, pois os embriões poderiam bipartir-se!), mas não acreditávamos muito, pois a probabilidade de vingarem os dois embriões era de aproximadamente 30%. Lembro-me como se fosse hoje! Eu deitada na maca, ansiosa por ouvir o coração do meu bebê e, de repente, o médico diz: - São dois, são gêmeos! Eu entrei em estado de choque (demorou um mês para a ficha cair!). Leonardo só chorava de emoção. Saindo do centro de diagnósticos liguei para minha mãe, chorando como criança, minha maior preocupação era o lado financeiro (já pensando em fraldas, leite, remédios, educação, plano de saúde, universidade, etc, etc, etc, minha cabeça estava a mil!) e se daria conta de cuidar e criar duas crianças de uma só vez! No terceiro mês de gestação fui “morar” na casa da minha mãe, em São Carlos, interior de São Paulo. Leonardo trabalhava durante a semana em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais, e aos finais de semana viajava para ficar comigo. A gravidez não foi fácil, com aproximadamente 32 semanas comecei com pré-eclâmpsia, fui tomando medicamento para controlar durante quatro semanas, aumentando gradativamente as doses. O obstetra falava para o Leonardo os riscos que nós três corríamos, e ele bravamente segurou tudo sozinho, sem contar nada para ninguém. Nessa época ele já ficava mais comigo e menos no trabalho. Media minha pressão praticamente que de hora em hora, várias anotações, e na menor mudança ligava para o médico. Já começava aí um pai com P maiúsculo, mesmo antes do nascimento de nossas princesas. No dia 14 de março de 2012, com 36 semanas e três dias, vieram ao mundo Lara e Luísa. Lara foi a primeira, pesando 2240 g e 46 cm. Luísa foi a segunda, com 2495 g e 49 cm. Graças a Deus não precisaram de UTI Neotal, foram para o quarto junto comigo. Foi mágico e ao mesmo tempo desesperador: pais de primeira viagem, com duas crianças no colo. Leonardo passou a primeira noite observando se as duas respiravam. Com três dias tivemos alta e fomos para a casa de minha mãe. Aí começava outra história... A rotina de amamentar, trocar fraldas, banho, não era fácil. Infelizmente a primeira semana foi super estressante e não consegui amamentar por falta de leite. Com aproximadamente três meses de idade, voltamos com as meninas para Poços de Caldas. Eu só tive a ajuda de uma empregada doméstica para cuidar da casa, comida e roupas. Não tinha parentes em Poços e cuidava delas sozinha. Foi, e está sendo, um grande aprendizado. Cada fase é um momento especial, é um trabalho diferente, é uma preocupação diferente! Hoje elas estão com dois anos, bem mais independentes para algumas coisas. Uma fase deliciosa, de descobertas! Curiosidade: é uma loucura, as vezes parece que estamos num hospício mesmo! Pra ir ao pediatra ou na praça ou num aniversario, é uma luta, tudo cronometrado, começando a ser preparado com no MÍNIMO 2h de antecedência! Penso que os vizinhos aqui do prédio devem me achar uma louca, como não surtar em certos momentos?! O pior é que não temos nenhum, isso mesmo, NENHUM parente aqui em Poços. Aí vocês devem se perguntar: mas e aí, mãe e pai não ficam doentes? Sim, ficam! QUANDO DÁ, contamos com os meus pais, que moram a 2h30 daqui aproximadamente... e muitas vezes seguram os a barra SOZINHOS mesmo. Poucas vezes pedimos socorro aos poucos amigos (na verdade, uma antiga vizinha, somente!) que se propuseram a "ajudar quando preciso". E quando não é preciso, tendo dois bebês necessitando das mesmas coisas, da mesma atenção, dos mesmos estímulos, tudo ao MESMO TEMPO?????? Mas mesmo assim, faria tudo de novo!!!! Seria hipócrita se dissesse que tudo é cor de rosa pintado de lilás. Não, não é! São duas com febre quando ficam doentes. São duas com cólica. São duas com gengiva coçando. São duas para dar banho, trocar e alimentar mesmo que a mãe aqui esteja doente! Ainda bem que o pai aprendeu a viver nesse mundo cor de rosa e lilás que a vida dele se transformou. Troca fraldas, dá banho, alimenta... A única coisa que ainda (ainda, pois acho que um dia ele vai ter que aprender!) não conseguiu foi fazer “xuxinhas” para amarrar os cabelos, que nessa altura do campeonato, estão compridos. Se pudesse escolher, e voltar no tempo, lá em julho de 2011... Faria a fertilização novamente, sem mudar um nada. Elas são minhas maiores riquezas, as razões da minha vida, do meu sorriso, da minha felicidade! Me completam por inteira. Dão sentido a minha existência na Terra. Me mostraram o verdadeiro significado da palavra AMOR INCONDICIONAL!

 

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