"Como nossos Pais"...

        Esse post dançava aqui, na minha cabeça, vai-volta, vai-volta...  A dúvida entre o que é, o que é pra ser, pra escrever... Fui pro trabalho pensando nisso, e quando ligo o som, as duas músicas que tocaram enquanto eu estava no carro até chegar lá... 

         Adoro Caetano, mas não conhecia essa música...

 “ ...  Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar, Tudo vai mal, tudo, 
Tudo é igual quando eu canto e sou mudo . Mas eu não minto não minto,
 Estou longe e perto, Sinto alegrias tristezas e brinco
Meu amor, Tudo em volta está deserto tudo certo, Tudo certo como dois e dois são cinco
 Quando você me ouvir chorar,  Tente não cante não conte comigo,
Falo não calo não falo deixo sangrar,  Algumas lágrimas bastam pra consolar ...” 

 

          E logo depois dela... Gonzaguinha...

“Quando eu soltar a minha voz por favor, entenda.  
Que palavras por palavras eis aqui uma pessoa se entregando
Coração na boca, peito aberto, vou sangrando. 
São as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando
Quando eu abrir a minha garganta, essa força tanta
Tudo que você ouvir, esteja certa que eu estarei vivendo
Veja o brilho dos meus olhos e o tremor das minhas mãos
E o meu corpo tão suado, transbordando toda raça e emoção
E se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso 

Não se espante, cante que o teu canto é minha força pra cantar
Quando eu soltar a minha voz por favor entenda 
Que é apenas o meu jeito viver O que é amar...”

 

          Coincidência ou não, aproveitei o apoio musical e decidi que devia (queria?!) escrever.

          Boralá...

          Desde antes de me tornar mãe, pensava no que faria de igual ou de diferente do que tinha como exemplo da minha mãe em minha vida. Todo mundo é assim né?!

          Mas, claro, que a partir do momento em que me tornei mãe, muitas das minhas análises anteriores, foram substituídas imediatamente por um comportamento exatamente idêntico ao dela. E quem já não fez isso?! O processo, percebi, é fácil de acontecer... Ainda mais aqui: sou muito parecida com minha mãe em muitas coisas, e tenho uma filha, (como já relatei AQUI no primeiro post desse site) que tem muitas das minhas características mais marcantes... e, confesso, sinto orgulho disso. Sinto mesmo! Rss... Vejo problemas, claro, muitos, e é um empurrãozinho pra eu tentar melhorar: como educar, sem dar o exemplo? Mas é bom, muito bom, ver que algo meu está em quem eu amo, ainda mais um filho! É um jeito sim, meio egocêntrico, talvez, de pensar que a gente se eterniza através do outro.

           Esses dias, conversando com um amigo, ele me disse que devemos trazer nossos pais dentro de nossos corações. Que ser pai/mãe é missão, e é bem cumprida quando a gente constrói, a partir do que aprendemos com eles, algo de bom... Acho que ele tem razão... O fato é que, com a “perda” (e como essa palavra expressa bem a morte de uma mãe em nossa vida!) tenho desesperadamente tentado encontrar dentro de mim, já que fora não tem mais jeito, o que ficou da minha mãe. E nessa busca, meio pirada, bem perdida, percebi uma coisa... Em muitos momentos da minha vida, usei, e uso, a música, para expressar para mim mesma, o que há mais lá dentro da minha alma. Trilhas sonoras que compõe minha história. Aquela coisa de ouvir no rádio, num cd, uma música, e ver que ela traduz tudo aquilo que a gente está sentindo, sabe? Foi assim com as músicas no carro hoje. Foram assim em tantos momentos, que se fosse citar todos, esse post viraria um livro musical! ...

           Então escolhi alguns... (Julguem meus gostos musicais! Rss...)

         

          “Escolhi”, muito tempo atrás, uma música que refletia e acho ainda reflete, como me sinto nesse mundo...

“Sou um animal sentimental, Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero. E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer. Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade, Tudo está perdido mas existem possibilidades.” 

(Sereníssima – Legião Urbana)

 

            Uma música tocava, no primeiro de todos os beijos do amor da minha vida...

“Bem te quis, Bem te quis, E ainda quero muito mais, Maior que a imensidão da paz, E bem maior que o sol
Onde estás? Voei por este céu azul, Andei estradas do além, Onde estará meu bem?
Onde estás?Nas nuvens ou na insensatez, Me beije só mais uma vez, Depois volte prá lá” 

                (Jardim da Fantasia, Paulinho Pedra Azul)

 

E uma música expressa o que eu aprendi antes de encontrá-lo...

            “Vai sempre ter alguém. Com mais dinheiro, mais respeito, Mais ou menos tudo o que se pode ter.

Vai sempre sobrar, faltar, Alguma coisa, somos imperfeitos, E o que falta cega pro que já se tem.

Eu não te completo, Você não me basta, Mas é lindo o gesto de se oferecer.

O que eu quero nem sempre eu preciso, Mas dê um sorriso quando me entender.

Seja você, Seja só você”

(Seja você, Paralamas do Sucesso)

 

         Uma música reflete meu amor, ao ver minha família crescendo, quando chegou a esse mundo minha primeira sobrinha, Isabela, e que hoje, com amor, também se tornou a canção para minha filha...

“Desde quando eu te vi, Tudo ficou mais lindo: A rua, a lua, o sol no céu luzindo.
Olhando teu olhar, Ouvindo a tua voz, Chego a não crer, A me surpreender, feliz, sorrindo.
Estrela singular, Da luz do amor nascida. Antieclipse lunar da minha vida.
A cada passo teu, Segue meu coração, Por entre os móveis, Calçadas, parques e avenidas.
Viva cada instante, viva cada momento, Proteja da razão teu sentimento.
Tente ser feliz enquanto, A tristeza estiver distraída. Conte comigo, A cada segundo dessa vida.” 
(Canção para Jade, Toquinho)

             

           E tem a música que ouvi, cantei e clamei pela vinda do meu filho, quando entrei em trabalho de parto, na madrugada do dia que ele nasceu:

Siente que el momento llega. 
Siente: tus huesos son fuertes.  Siente: estamos ayudando
Lo divino está contigo. 
Siente: el niño está en la puerta. Vivirá para abrazarte.
Siente: estás en buenas manos y eres parte de la tierra. 
Tienes lo que necesitas, madre de todo nosotros
(Sabemos Parir, Roza Zaragoza). 

           

             E a música que, hoje, define a família que tenho construído por aqui...

"Ainda que eu falasse A língua dos homens

E falasse a língua dos anjos

Sem amor eu nada seria...” (Monte Castelo, Legião Urbana)

           

E foi depois dessa "cantação" toda, que encontrei mais uma coisa da minha mãe em mim! Revivendo e processando tudo que aconteceu, ao relembrar a “lista de exigências” dela para quando ela partisse, (pasmem, ela tinha essa “lista” desde quando me entendo por gente!) descobri que o uso da música, para revelar o que está lá, bem dentro da alma, também fazia parte de sua vida, como faz da minha.  
           A música que ela escolheu para que todos pudessem se despedir dela (e assim foi feito, embora não com a banda de carnaval, como ela havia pedido... só rindo pra não chorar!) revela isso melhor do que qualquer explicação...

“Bandeira branca amor, Não posso mais.  Pela saudade que me invade, Eu peço paz
Saudade mau de amor, de amor. Saudade dor que dói demais
Vem meu amor, Bandeira branca, eu peço paz”
 (Bandeira Branca,Dalva de Oliveira). 


          É, saudade deve ser mesmo o amor que fica.  E como pode ser tão grande, o amor... e a saudade?! 

Mas seguimos cantando...  

 

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